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Loucura e Obsessao

Loucura e Obsessao

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07/17/2013

 
CENTRO ESPÍRITA NOSSO LAR GRUPO DE ESTUDO DAS OBRAS DE ANDRÉ LUIZ EMANOEL PHILOMENO DE MIRANDA21o LIVRO: “LOUCURA E OBSESSÃO” - 1988 - 10 REUNIÕES. 1a. REUNIÃO(Fonte: prefácio e capítulos 1 a 3.)
1.
A obsessão é uma forma de loucura de natureza diferente
- No prefácio deste livro, seuautor diz que no estudo da etiopatogenia da loucura não se pode mais descartar as incidências daobsessão, ou predomínio exercido pelos Espíritos desencarnados sobre os homens. O intercâmbio entreas mentes que se encontram na mesma faixa de interesse é muito maior do que imaginamos. Atraindo-se pelos gostos e aspirações
 
, vinculando-se mediante afetos doentios, sustentando laços de desequilíbriodecorrente do ódio, assinalados pelas paixões inferiores, exercem os Espíritos constrição mental e, àsvezes, física nas pessoas que lhes concedem as respostas equivalentes, resultando daí variadíssimasalienações de natureza obsessiva. O Espiritismo não nega a loucura e as causas detectadas pelos pesquisadores; antes as confirma, reconhecendo nelas mecanismos necessários para o estabelecimento dematrizes, através das quais a degenerescência da personalidade ocorre, nas múltiplas expressões em quese apresenta. Ocorre que nos episódios da loucura, ora epidêmica, a obsessão deve merecer um capítuloespecial, a requerer a consideração dos estudiosos. Largos passos já foram dados para a compreensão daloucura, suas causas e sua terapêutica; contudo, a doença mental permanece ainda como um grandedesafio para todos os que se empenham na compreensão de sua gênese, sintomatologia e conduta.Kardec, o extraordinário psicoterapeuta que melhor aprofundou a sonda da investigação no desprezadocapítulo das obsessões, demonstrou que nem toda expressão de loucura significa morbidez e descontroledos órgãos encarregados do equilíbrio psicofísico do indivíduo, e que o Espírito é o herdeiro de simesmo, dos seus atos anteriores, que lhe plasmam o destino futuro, do qual não consegue evadir-se.Provando que a morte biológica não aniquila a vida, o Codificador facultou ao entendimento a penetração e a solução dos enigmas desafiadores que passavam, genericamente, como sendo formas deloucura -- loucura que, certamente, são, mas de natureza diversa do conceito acadêmico conhecido.
(Loucura e Obsessão, prefácio, pp. 11 a 13.)
2.
A cura das obsessões é difícil e nem sempre rápida
- O homem -- afirma Miranda, autor desta obra -- não pode ser examinado parcialmente, mas sob o aspecto pleno e total de Espírito, perispírito e matéria. Através do Espírito participa da realidade eterna; pelo perispírito vincula-se aocorpo e, graças ao corpo, vive no mundo material. O perispírito é o órgão intermediário pelo qualexperimenta a influência dos demais Espíritos, que pululam em sua volta, aguardando o momento próprio para o intercâmbio em que se comprazem. Quando esses Espíritos são maus e encontramguarida que as dívidas morais agasalham na futura vítima, nascem aí as obsessões, no início sutis, quasedespercebidas, a se agigantarem depois, até assumir a gravidade das subjugações lamentáveis e, às vezes,irreversíveis. O conhecimento do Espiritismo propicia os recursos para a educação moral do indivíduo,ensejando-lhe a terapia preventiva contra as obsessões, bem como a cura salutar, se o processo já seencontra instaurado. Ainda mesmo nos casos em que reconhecemos a presença da loucura nos seusmoldes clássicos, deparamo-nos sempre com um Espírito, em si mesmo doente, que plasmou umorganismo próprio para redimir-se, corrigindo antigas viciações e crimes que, ocultos ou desconhecidos,lhe pesam na economia moral, exigindo liberação. Nos comportamentos obsessivos, as técnicas deatendimento ao paciente, além de exigirem o conhecimento da enfermidade espiritual, impõem aoatendente outros valores preciosos que noutras áreas da saúde mental não o vitais, embora aimportância de que se revestem. o eles: a conduta moral superior do terapeuta (o doutrinador encarregado da desobsessão), bem como do paciente, quando este não se encontre inconsciente do problema; a habilidade afetuosa de que se deve revestir, não esquecendo jamais o agente desencadeador do distúrbio, que é igualmente enfermo e vítima desditosa, que procura vingar-se; o contributo das suasforças mentais
 
, dirigidas aos litigantes da pugna infeliz; a aplicação correta das energias e vibraçõesdefluentes da oração; e, por fim, o preparo emocional para entender e amar tanto o hóspede invisível,quanto o hospedeiro... A cura das obsessões, como ocorre no caso da loucura, é de difícil curso e nemsempre rápida, e depende de múltiplos fatores, especialmente da renovação do paciente, que deveenvidar esforços máximos para granjear a simpatia daquele que o persegue, adquirindo mérito através daação pelo bem desinteressado em favor do próximo, o que, em última análise, acaba revertendo em benefício pessoal para si mesmo.
(Loucura e Obsessão, prefácio, pp. 13 a 15.)
 
3.
Os benefícios da desobsessão não são exclusivos do Espiritismo
- Vulgarizando-se cadavez mais a obsessão, torna-se necessário, mais generalizado e urgente um maior conhecimento daterapia desobsessiva. Esse o objetivo desta obra, em que Miranda reuniu diversos casos relacionadoscom o assunto, dentre eles um de comportamento sexual especial, atendidos todos dentro de um Núcleodo sincretismo afro-brasileiro, onde o autor pôde sentir a presença do amor de Deus e a abnegação dacaridade cristã, conforme os ensinamentos de Jesus. A experiência mostra-nos que não se podem negar os benefícios que se haurem em todas as células religiosas de socorro, não só nos Centros Espíritas,especialmente naquelas onde o intercâmbio mediúnico e a reencarnação demonstram a imortalidade daalma e a justiça divina, passo avançado para conquistas mais ricas de sabedoria e de libertação. DizMiranda que, tendo-se dedicado na Terra, durante décadas, às experiências mediúnicas, pudera constatar a excelência da terapêutica desobsessiva dirigida a Espíritos profundamente enfermos, e acompanharacomplexos problemas da loucura, que defluíam de conúbios obsessivos de longo curso, cujas origensremontavam a reencarnações anteriores, quando se instalaram as matrizes da justa infeliz. Mas, aomesmo tempo, sempre lhe despertaram a atenção as comunicações de Entidades que se apresentavamcom modismos singulares, atadas às lembranças do sincretismo religioso que viveram, assumindo posturas que lhe pareciam então esquisitas, preservando, nos diálogos, os vocábulos africanistas etomando atitudes que eram remanescentes dos atavismos animistas de que procediam.
(Loucura eObsessão, prefácio, pp. 15 e 16, e cap. 1, pág. 17.)
4.
O Espírito encarnado é o agente responsável pelos distúrbios que padece
- Apósdesencarnar, passado o período de adaptação a que foi submetido, Miranda procurou colher uma somamaior de informações e experiências que lhe permitissem apreciar de modo mais justo os mecanismosdos cultos afro-brasileiros e de certas crendices e superstições tão do gosto das gentes de todos os países.“Com a Doutrina Espírita eu aprendera -- diz ele -- que a revelação da verdade é sempre gradativa, eque, de período em período, missionários do amor e da sabedoria se reencarnam com o objetivo de promover o progresso cultural, científico, social e, especialmente, religioso dos homens, procurandolibertá-los das amarras com a retaguarda, com a ignorância...” Imbuído desse propósito, Miranda pôderealizar investigações
in loco,
em variadas escolas de fé religiosa, convicto de que é “fora da caridadeque não há salvação”, conforme prescreveu Kardec, e não através da forma da crença ou do culto a quese aferra o indivíduo. Outrossim, a necessidade de melhor identificar a fronteira divisória entre osfenômenos psicopatológicos e os obsessivos levou-o a freqüentar também Manicômios e HospitaisPsiquiátricos vários, constatando que sempre é o Espírito encarnado o agente responsável pelosdistúrbios que padece, seja numa ou noutra área de saúde mental. Nessa tarefa, Miranda contou com aajuda do Dr. Bezerra de Menezes, sempre que os muitos compromissos deste o permitiam, fato que lhe proporcionou a oportunidade de estar ao seu lado, para observar as técnicas postas em prática para aliberação dos enfermos, e visitar os Núcleos de fé onde são praticados os diferentes cultos animistas, como respeito e a consideração que toda crença nos merece. Graças a esse intercâmbio é que Miranda pôde participar, por algum tempo, de atividade socorrista junto a um jovem portador de esquizofrenia, cujamãe (Catarina Viana) era possuidora de expressivos títulos de merecimento.
(Loucura e Obsessão, cap.1, pp. 18 e 19.)
5.
Um caso de catatonia
- De formação calica, a senhora Catarina Viana, após adesencarnação do esposo Empédocles, vira o filho Carlos mergulhar lentamente em aparente processo de psicose-maníaco-depressiva, que se foi agravando com o tempo, até cair numa terrível situaçãodiagnosticada como catatonia, após vividas diversas fases de desequilíbrio mental, sem que oscuidadosos tratamentos psiquiátricos, com constantes internações hospitalares, houvessem conseguidosolucionar, ou, pelo menos, amenizar-lhe a situação. Mãe abnegada, era ela uma religiosa convicta, que buscava consolo e apoio na fé abraçada, sem que, não obstante isso, pudesse entender a áspera provaçãoque a aturdia, devastando a saúde e a vida do filho. A terapia acadêmica utilizada fora até então inócua.O rapaz, que contava vinte anos de idade, oito dos quais padecendo a enfermidade, aparentemente nãotinha possibilidade de retornar ao equilíbrio. Era esse o diagnóstico; contudo, a genitora jamais aceitou ofato como coisa consumada e insistia sempre em novas tentativas, com a confiança que possuem osheróis verdadeiros. Foi então que, quando os recursos médicos nada mais podiam propiciar, amigosinsistiram com D. Catarina que buscasse socorro espiritual. Ela relutou a princípio, mas, diante dosinúmeros exemplos que lhe trouxeram, resolveu consultar o medianeiro indicado, acompanhada dededicada amiga, que também se dizia praticante do mesmo culto.
(Loucura e Obsessão, cap. 1, pp. 19 a21.)
6.
No recinto mediúnico
- A casa modesta, situada em bairro afastado, transpirava agitação emambos os planos da vida. A sala estava enfeitada com bandeirolas presas a fios esticados. Espíritosvadios se aglomeravam nas imediações, bulhentos e ociosos, enquanto outros, em grupos pequenos,demonstravam seus propósitos malfazejos, em conciliábulos a meia voz, exteriorizando a animosidadede que eram portadores. Odores de incenso e vela misturavam-se aos de ervas aromáticas que ardiam emvários recipientes com brasa, espalhados pelos diversos cômodos. Dr. Bezerra de Menezes advertira2
 
Miranda quanto à conduta mental que ali devia ser mantida, prevenindo as surpresas que, no entanto, sesucediam continuamente, em face do inusitado dos acontecimentos. Quando o relógio da casa assinalouvinte horas, houve breve rebuliço, logo acompanhado de um silêncio ansioso, e surgiu no recinto umcavalheiro de pouco mais de quarenta anos, visivelmente mediunizado, que convidou algunscircunstantes a que passassem à sala contígua, onde se encontravam outros convidados e membrosdo grupo. Estes últimos e o senhor em transe trajavam bata e calças brancas, tanto quanto as senhorasse vestiam de trajes alvinitentes, sobre os quais se notavam colares de várias cores. Foi feito um círculodiante de um altar fartamente decorado, no qual se misturavam figuras da hagiolatria católica comoutras deidades desconhecidas e ardiam velas impassíveis. Música dolente foi entoada ao ritmo deinstrumentos de percussão, um tanto ensurdecedores, e logo depois, a uma só voz, todos do círculocantavam no mesmo tom hipnótico que os sons cadenciados impunham. Em seguida, o dirigente dareunião, após alguns contorções e estertores, deu início a outra música, saudado por palmas que passaram a acompanhar os
 pontos
que se sucediam.
(Loucura e Obsessão, cap.2, pp. 22 a 24.)
7.
Para cada faixa de evolução há crenças e cultos próprios
- Diversos médiuns começaram,então, a entrar em transe, em face do ambiente saturado pelas vibrações rítmicas e pelos movimentosque, automaticamente, se imprimiam aos corpos, dando início a uma dança característica, pelos meneiose evoluções típicos. Expressivo número de participantes, em razão dos fatores ali propelentes econdicionadores, experimentaram, então, o fenômeno anímico da sugestão, descontrolando-se alguns,em crises de natureza vária, no que foram atendidos pelo chefe do grupo e por outros auxiliares que semantinham lúcidos e a postos para isso. Alguns fenômenos catalogados no quadro da histeria também seapresentaram, propiciando descargas emocionais que faziam o paciente afrouxar os nervos e diminuir astensões sob riscos compreensíveis. Noutros, destacaram-se as explosões do inconsciente, em catarselibertadora dos conflitos nele soterrados, e emergentes nos sintomas de várias enfermidades que osafligiam. Em muitos sensitivos, porém, era patente a incorporação mediúnica, algo violenta, controlada,no entanto, pelos participantes mais adestrados. O mentor explicou que se tratava, conforme osdispositivos da crença, de um labor de
descarrego
das forças negativas, de
limpeza
psíquica e espiritual,seguindo a tradição africanista já bastante depurada ante o processo de evolução do culto entre pessoasmais esclarecidas. Outros grupos -- explicou o mentor -- existem, mais primitivos e concordes com oestado espiritual das criaturas. Para cada faixa de evolução remanescem crenças e cultos próprios para assuas necessidades, o que é natural. Como o progresso é conquista de cada um, e a imposição rude nãovige nos códigos divinos, é necessário que em toda parte se expresse o auxílio superior e que os maisesclarecidos estendam apoio e estímulo aos que permanecem na retaguarda do conhecimento. Em dadomomento, enquanto prosseguia o culto, o medianeiro citado, acompanhado por dois auxiliares, dirigiu-sea um pequeno compartimento atrás do altar e sentou-se. A Entidade que o incorporava fora mulher naúltima existência e, apesar da aparência, que poderosa auto-ideoplastia lhe modelava, era possível perceber que se tratava de uma pessoa procedente da raça branca, assumindo postura e enunciando-seconforme as características ambientais. Iniciava-se então a parte dedicada às consultas.
(Loucura eObsessão, cap. 2, pp. 24 a 26.)
8.
O caso Antenor
- O médium, em estado sonambúlico, encontrava-se semidesligado do corpofísico, que se fazia comandado pela comunicante. Dr. Bezerra explicou: “Antenor, o instrumento que noschama a atenção, vem de um passado lastimável. Arbitrário, foi cruel senhor de escravos, aqui mesmo,no Brasil, proprietário de largos tratos de terra que cultivou com mãos de ferro, espoliando vidascompradas pelas infelizes moedas que possuía. Fez-se temido e detestado, granjeando inimigos amancheias... A desencarnação fê-lo defrontar inúmeras das vítimas, que se lhe tornaram algozes tãoinclementes quanto ele o fora, que o não pouparam a martírios demorados por mais de meio século, nasregiões inferiores, onde expungiu pela dor grande parte dos males antes perpetrados. Recambiado àreencarnação nos braços de uma antiga vítima, foi atirado fora com a maior indiferença. Mãos caridosaso recolheram, embora sem mais amplos recursos para o educar, movidas pelo sentimento da compaixão,que o tempo transformou em acendrado amor. Ao atingir a maioridade, perseguido pelos adversários,tombou em rude e penosa obsessão, da qual se recobrou a peso de muita aflição de sua parte e dedicaçãoda genitora adotiva, que o levou a um Núcleo de atendimento espiritual, onde eram mais comuns ascomunicações de ex-escravos, graças aos vínculos existentes entre os antigos senhores e estes, ora emintercâmbio de reabilitação”. Dr. Bezerra informou que não foi fácil a pugna para o obsesso, tomado por crises de loucura que o levavam a convulsões de aparência epiléptica, seguidas de apatia quase total,quando subjugado pelos cobradores. Após esclarecer que a obsessão “é virose de vasta gênese”,desconhecida entre os estudiosos da saúde física e mental, com sutilezas e variedades de manifestaçãomuito difíceis de ser detectadas pelos homens, Dr. Bezerra prosseguiu: “Quando em lucidez, a mãezinhaexortava Antenor ao bem, elucidada a respeito do mal que o afligia e da necessidade de ele dedicar-se àmediunidade benfazeja, resgatando, assim, os erros do passado, pelo amor e ajuda aos que deixara emaflição. A pouco e pouco, o moço se permitiu conscientizar da grave responsabilidade, e, orientado comcarinho, entregou-se à prática do mediunismo”. Antenor, marceneiro de profissão, vivia do serviçohonesto com o qual sustentava esposa e dois filhos, dedicando quatro noites por semana aos trabalhos3

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