coisas a serem conquistadas, aumentando as frestas das competições insanas, em que a astúcia e adeslealdade assumem preponderância em forma de comportamento do ser. Certo, há pessoas que militamnas hostes do materialismo e mantêm uma filosofia existencial digna e uma estrutura ética respeitável.Mas a doutrina, em si mesma, anulando as esperanças de sobrevivência, abrevia as metas da vida e retiraas resistências morais diante do sofrimento e das incertezas, dos acontecimentos desastrosos e dasinsatisfações de variada gênese. Desarmado de recursos otimistas e sem esperança, o homem não vêoutra alternativa, senão o suicídio, quando chamado a testemunhos morais para os quais estádespreparado. Incluem-se também aqui os que, desestruturados por fatores sociais, culturais, econômicose emocionais, embora catalogados como membros de qualquer igreja, se deixam conduzir por atitudesnegadoras, em franco processo de entrega materialista. Emocionalmente frágeis, em presença dequalquer desafio tombam e diante de qualquer infortúnio desfalecem, porquanto não se dão ao trabalhode reflexionar sobre as finalidades da existência física, vivendo, não raro, em expressões primarismoautomatista das necessidades primeiras, sem mais altos vôos do pensamento ou da emoção... (Painéis daobsessão, pp. 9 a 11))4.
O suicídio é perfeitamente evitável
- Uma outra larga faixa dos homens se encontra emvinculação com o processo
revolucionário
do momento, em que filosofias apressadas e doutrinas ligeirasempolgam os aturdidos novos fiéis, para logo os abandonarem sem as bases sólidas de sustentaçãoemocional, com que enfrentariam as inevitáveis vicissitudes que fazem parte do mecanismo da evoluçãona escola terrena. Sem os exercícios da reflexão mais profunda, sem os hábitos salutares da edificação do bem em si mesmos, sem a constante da prece como intercâmbio de forças parafísicas, derrapam nasatitudes-surpresa, avançando para o suicídio. E o fazem de um salto, quando excitados ou em profundadepressão, ou logram alcançá-lo mediante o largo roteiro da alienação em quadros psicóticos, neuróticos,esquizofrênicos... A princípio, o processo, porque instalado nas matrizes da personalidade emdecorrência de vidas passadas malogradas, apresenta predisposições que se concretizam em patologiasobsidentes que se vulgarizam e se alastram, dando lugar a uma sociedade ansiosa, angustiada, assinalada por distonias graves... Não desconsiderando os fenômenos de compulsão suicida e de psicoses profundas, pululam os intercursos obsessivos em verdadeiras epidemias. No início, é uma idéia que se insinua;doutras vezes, são um relâmpago fulgurante na noite escura dos sofrimentos, como solução libertadora.Fixa-se, depois, o pensamento infeliz que se adentra, domina os painéis da mente e comanda ocomportamento, assinalando o autocídio como a melhor atitude ante problemas e desafios. Com o tempo,advém o monoideísmo, em torno do qual giram as demais aspirações que cedem lugar ao dominador psíquico, agora senhor da área do raciocínio que se apaga, para dar campo ao gesto tresvariado, sem re-torno... A obsessão é clamorosa enfermidade social que domina o moderno pensamento -- que desbordado império de fatores dissolventes, elaborados pela mecânica do materialismo disfarçado de idealismosvoluptuosos que incendeiam mentes e anestesiam sentimentos. A reflexão e o exame da sobrevivência doEspírito, o posicionamento numa ética cristã, o estudo da ciência e da filosofia espírita constituemseguras diretrizes para conduzir a mente com equilíbrio, preservando as emoções com as quais o homemse equipa com segurança para prosseguir na escala evolutiva. Conflitos, que trazemos do passado ou dasexperiências de hoje, fazem parte da área de crescimento pessoal de cada Espírito, devendo ser liberadosatravés da ação positiva, diluídos no bem, sublimados pelas atividades do idealismo superior, antes queconstituam impedimentos ao avanço, freio no processo de crescimento, amarra constritora ou campo para a fixação de idéias obsessivas. Cada suicida em potencial necessita de apoio fraternal, terapiaespiritual, compreensão moral de quantos o cercam e assistência médica especializada; contudo, é ao paciente que compete a parte mais importante e decisiva, que é, de início, a mudança de atitude mental perante a vida e, logo, o esforço por melhorar-se moralmente. (Painéis da obsessão, pp. 11 e 12)5.
Objeto deste livro
- Feito de painéis que retratam obsessões, este livro procura demonstrar como ao lado do desequilíbrio emocional, causado pelos perturbadores do além-túmulo, a tuberculosemais facilmente se manifesta em razão do bombardeio sofrido pelos macrófagos -- degenerados pelacontínua ação mental leviana do próprio paciente e pela intoxicação por sucessivas ondas mentaisdesagregadoras do seu perseguidor --, o que favorece a instalação e virulência do bacilo de Koch.
(N.R.: Descoberto em 1888, o bacilo deve seu nome a Robert Koch, médico alemão {1843--1910}, ganhador do Prêmio Nobel de 1905.)
Nesta obra, Manoel P. de Miranda examina ainda ocorrências diversas emque a obsessão se encontra presente, bem como as técnicas e terapias espirituais aplicadas, nem sempreaceitas ou assimiladas pelos enfermos de ambos os lados da vida. As personagens centrais da narrativaeram conhecedoras da Doutrina Espírita, o que não impediu tombassem nas ciladas que lhes foramarmadas por seus inimigos ou criadas por elas mesmas. A crença racional e o conhecimento ajudammuito, quando o indivíduo se resolve honestamente a vivê-los. Mas não representam recurso deimunização, se aquele que conhece não aplica, na vivência, as informações que possui. Dr. Bezerra deMenezes, em mensagem psicografada por Chico Xavier, assevera que os painéis da obsessão pintados por Manoel P. de Miranda assemelham-se a chapas radiográficas revelando largos traços da doençaespiritual de todos os séculos -- a obsessão, enfermidade quase sempre oculta nos escaninhos do ser.Divulgar esses painéis, pela feição de aviso e socorro que expressam -- afirma Dr. Bezerra -- "é para nós2
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