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HUME DL

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HUME
DL
 [1972]
S
IGNIFICAÇÃO DO EMPIRISMO
 
A história da filosofia mais ou menos absorveu, digeriu o empirismo.Ela o definiu numa relação de inversão com o racionalismo:haverá ou não nas idéias alguma coisa que não esteja nos sentidos ou no sensível?Ela fez do empirismo uma crítica do inatismo, do
a priori
.Mas o empirismo sempre teve outros segredos.E são esses que Hume eleva ao mais elevado ponto,que exibe em plena luz, em sua obra extremamente difícil e sutil.Por isso, Hume tem uma posição muito particular.Seu empirismo é, antecipadamente, uma espécie de universo de ficção científica.Como na ficção científica,tem-se a impressão de um mundo fictício, estranho, estrangeiro,visto por outras criaturas;mas também o pressentimento de que esse mundo já é o nossoe que somos nós próprios essas outras criaturas.Paralelamente, opera-se uma conversão da ciência ou da teoria:a teoria torna-se
inquérito
(a origem dessa concepção está em Bacon;Kant dela se lembrará, muito embora a transforme e a racionalize,quando conceber a teoria como tribunal).A ciência ou a teoria são um inquérito, isto é,umaprática:prática do mundo aparentemente fictícioque o empirismo descreve,estudo das condições de legitimidade das práticasnesse mundo empíricoque é, de fato, o nosso.Grande conversão da teoria à prática.Os manuais de história da filosofia
desconhecem o que chamam de ―
associacionismo
quando nele vêem uma teoria, no sentido ordinário da palavra,e como que um racionalismo às avessas.
DL
 
 In
François Châtelet (Org.),
 Histoire de la philosophie t. Iv. Les Lumières XVIII° siècle
, Paris, Hachette,
―col. Pluriel‖, 1972, pp. 65
-78.
 
Hume propõe questões insólitas,que nos são, porém, familiares:bastará, para se tornar proprietário de uma cidade abandonada,lançar o seu dardo contra a porta da cidade,ou será preciso tocar essa porta com o dedo?Até que ponto será possível ser proprietário dos mares?Por que o solo é mais importante do que a superfície num sistema jurídico,mas também a pintura, mais importante do que a tela?É somente aí que o problema da associação das idéias encontra seu sentido.O que se denomina teoria da associaçãoencontra sua destinação e sua verdade numacasuística das relações,numa prática do direito, da política, da economia,que muda inteiramente a natureza da reflexão filosófica.
 A NATUREZA DA RELAÇÃO
 
A originalidade de Hume, uma das originalidades de Hume,provém da força com que afirma:
as relações são exteriores aos seus termos
.Uma semelhante tese só pode ser compreendidaem oposição a todo o esforço da filosofia enquanto racionalismo,que tentara reduzir o paradoxo das relações:seja pela descobertade um meio de tornar a relação interior aos seus próprios termos,seja pela descoberta de um meio termo mais compreensivo e mais profundoao qual a própria relação fosse interior.Pedro é menor do que Paulo:como fazer dessa relação algo de interior a Pedro ou a Paulo,ou ao seu conceito,ou ao todo que formamou à Idéia da qual participam?Como vencer a irredutível exterioridade da relação?E, sem dúvida,o empirismo havia sempre militado em favor da exterioridade das relações.Mas, de certa forma,sua posição a esse respeito permanecia encobertapelo problema da origem dos conhecimentos ou das ideias:tudo encontrava sua origem no sensívele nas operações do espírito sobre o sensível.
 
Hume opera uma inversão que vai levar o empirismo a uma potência superior:se as idéias não contêm nenhuma outra coisa e nada maisdo que o que se encontra nas impressões sensíveis,é precisamente porque as relações são exteriores e heterogêneasa seus termos, impressões ou idéias.A diferença não se encontra, pois,entre idéias
e
impressões,mas entre duas espécies de impressões ou idéias,as impressões ou idéias determos 
e
as impressões ou idéias derelações.Assim, o verdadeiro mundo empiristadesdobra-se pela primeira vez em toda a sua extensão:mundo de exterioridade,mundo em que o próprio pensamentoestá numa relação fundamental com o Fora,mundo ondetermosque são verdadeiros átomos,erelaçõesque são verdadeiras passagens externas
 – 
mundo onde a conjunção
―e‖
 
destrona interioridade do verbo ―é‖,
mundo de Arlequim, mundo disparatado e defragmentos não totalizáveisonde nos comunicamos por meio derelações exteriores.O pensamento de Hume se estabelece num duplo registro:o
 atomismo
,
 que mostra como as idéias ou impressões sensíveisremetem a
mínima
punctuaisque produzem o espaço e o tempo;o
 
 associacionismo
,
 que mostra como se estabelecemrelações entre esses termos,sempre exteriores a esses termos e dependendo de outros princípios.De uma parte, umafísica do espírito;de outra parte, umalógica das relações. É a Hume que pertence o méritode ter rompido a forma coercitiva do juízo de atribuição, tornando possível uma autônomalógica das relações,descobrindo um mundoconjuntivo deátomose derelações, cujo desenvolvimento se encontrará em Russell e na lógica moderna.Pois asrelações são as próprias conjunções 

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