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Sebenta Ciencia Politica e Direito Constitucional

Sebenta Ciencia Politica e Direito Constitucional

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06/15/2014

 
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CIÊNCIA POLITICA E DIREITO CONSTITUCIONAL
IntroduçãoO facto político
Aula: n.º 1É comum dizer-se que a vida em sociedade é o modo natural em que ocorre a existênciada espécie humana. Os indivíduos mantêm entre si, desde crescimento até à morte,mútuas relações de colaboração e de dependência.A divisão do trabalho conduziu a que cada um de nós possa beneficiar a cada momentodo esforço de muitos milhões dos nossos semelhantes. Cada um de nós é logo ao nascer herdeiro de uma civilização e de uma cultura, que nos foram legadas por geraçõesanteriores, proporcionando-nos a utilização de bens, instrumentos e noções de adopçãode um sistema de princípios, convenções e normas já antes experimentados e quenorteiam a nossa conduta.Há vários modos de convivência social, ou seja, os vínculos sociais a que estamossujeitos podem assumir várias formas. Pode-se, desde logo, referir a família, depois aaldeia ou cidade, a sociedade religiosa; a sociedade profissional; a sociedade política ouEstado; a sociedade internacional. Estas formas podem dividir-se em duas grandesclasses, segundo a classificação de Max Weber 
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: as associações e as comunidades.
Comunidades
– Quando os indivíduos se encontram integrados nessas formas desociedade por mero facto do nascimento, ou por acto que não tem por fim directo aderir a elas. Elas existem, independentemente da vontade dos seus membros. Exemplo: afamília, o meio profissional, a nação, o meio residencial, etc.
Associações
– Quando resultam da união dos indivíduos, que a elas resolvam aderir por serem criadas pela sua vontade e podendo delas sair, quando quiserem. Exemplo: Clubedesportivo; uma irmandade religiosa; uma sociedade comercial, etc.
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Este grande sociólogo alemão escreveu o livro Wirtschaft und Gesellschaft ( Economia e Sociedade)que é uma das obras fundamentais da Sociologia Moderna. Max Weber retomou a distinção do sociólogoTonnies (1877 no seu livro Gemeinschaft und Gesellschaft – Comunidade e Sociedade ), embora propondo outro método de distinção. Para Weber a comunidade seria resultante do sentimento subjectivo(origem emotiva, afectiva ou tradicional) que os indivíduos têm para constituir um todo; ao passo que aassociação resultaria da vontade orientada por motivos racionais que leva os indivíduos a juntarem-se para compensarem os seus interesses ou para alcançarem um determinado fim. In Manual de CiênciaPolítica e Direito Constitucional, Marcelo Caetano, Almedina, 6ª ed., Coimbra 2003, pg 3
 
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Ponto comum
a essas formas de sociedade é que elas têm uma razão de ser queimpõem aos respectivos membros, através de deveres e colaboração na obra comum edeveres de se absterem da prática de actos que prejudiquem os interesses do grupo. Defacto, para atingir certos objectivos o grupo tem de ser organizado. Isto significa que osindivíduos que o integram têm de se submeter a uma autoridade que representa ointeresse colectivo, tendo por objectivo a realização dos fins sociais do grupo. Aorganização implica a existência de normas ou regras de conduta (disciplina). Essadisciplina tem de ser mantida por normas jurídicas que formam o direito, que disciplinaos grupos.
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No sentido lato de "POLÍTICO" cabem todas as formas de organização socialhumana. Desde as mais primárias (família, sindicato, associação, etc...) às maisglobais:
 
sociedades primarias: (família, igreja, sindicato, etc...) em que os homens seagregam constituem grupos com fins próprios, mas fins específicos eparticularizados;
 
sociedade global: prossegue um fim superior, uma finalidade que engloba esupera os fins das sociedades particularizadas - chamado bem comum.
 
A sociedade global surge da própria necessidade de compatibilizar os finsmúltiplos e próprios e mesmo contraditórios das sociedades primitivas, afim de superar as divergências, evitar conflitos, e integrá-los num objectivocomum.
 Aula 2 29/09/0
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O poder
Chama-se poder à possibilidade de impor aos outros o respeito da própria conduta ou detraçar a conduta alheia de forma eficaz.
O PODER manifesta-se na potencialidade dealguém impor aos outros um determinado comportamento - o respeito pela"ordem".Existe poder sempre que alguém tem a possibilidade de fazer acatar a sua própriavontade aos outros, ou obrigando os outros a fazer o que ele queira.
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Todo o grupo social organizado tem a sua disciplina que é mantida por normas jurídicas que formam odireito social, institucional ou disciplinar desse grupo.
 
3
Aristóteles distinguia poder paterno, poder despótico e poder político em funçãodo interesse prosseguido por quem exerce o poder;Locke distinguia os mesmos poder paterno, poder despótico e poder político, masem função do fundamento do poder que é exercido;Finalmente, Bobbio distingue antes poder económico, poder ideológico e poderpolítico, em função dos meios que são utilizados para condicionar ocomportamento do outro.O poder, enquanto forma de imposição de uma ordem que permita a gestão dosrecursos necessariamente finitos ao dispor de uma sociedade, é essencial à suaprópria preservação.
A possibilidade de impor aos outros o respeito da própria conduta traduz a ideia deliberdade, num dos sentidos deste termo. A possibilidade de traçar e impor a condutaalheia constitui autoridade.
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Poder de facto (força)
 
Poder legítimo (reconhecimento)
 
Poder social (necessidade organização)
 
Poder político (sociedade política – res-publica)
 
Poder político (Marcelo Caetano “poder de domínio)Para o Professor Marcelo Rebelo de Sousa é um «poder de injunção dotado decoercibilidade material», ou seja, «um poder de natureza vinculativa marcado pelasusceptibilidade de imposição, quer pelo uso da força física, quer da supressão, nãoresistível, de recursos vitais».
Esse conceito de poder abrange, quer o poder de facto que assenta na força, quer opoder legítimo que resulta do reconhecimento por aqueles a quem se dirige de queele actua de acordo com uma lei ou norma de acatamento geral.
Importa para o
presente estudo o poder legítimo que pode ser reconhecido a uma colectividade oua um indivíduo
.
Na formação de uma colectividade, está implícita a necessidade de disciplina.
Emcada sociedade, há portanto uma norma fundamental que autoriza a definir as normas deconduta aos seus membros em todo o que diga respeito à conservação dessa sociedade eá realização dos seus fins.
Se um grupo social tem autoridade para estabelecer
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Manual de Ciência Política e Direito Constitucional, Marcelo Caetano, Almedina, 6ª ed., Coimbra 2003, pg 5

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Remane Cassamo Cassamo added this note
Bom dia, a sebenta e muito interessante, com alguem formado em Ciencia Politica gostava de te-la, sendo assim agradecia que caso seja possivel me enviasse as instrucoes para te-la ou me enviasse atraves do endereco electronico remanec@gmail.com para o aprofundamento desta materia como ja li em algum momento livros do Professor Adriano Moreira que versam sobre estes aspectos
Muito bom dia gostaria ter este trabalho pois faz parte do meu curso como posso obter-lo

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