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CRIMES E ILÍC
TOS ELETRÔNI
OS NO BRASIL
n
Caio
Domeneghetti
Advogado criminaliAtamsponAável pela área jurídica
da E-Conmilting e coordenador do Comitê deCrime. na Internet da Câmara BraAileira
de Comércio Eletrônico.
caio@ec-corp.conz.br
1. Justiça aos hackers
Antes de qualquer coisa, comecemos fazendo justiça. Justiça
aos
hackers.
Há muito se criou uma errada noção a respeito dos
hacker
Ao longo dos anos, equivocadamente, e ao que tudo indica, frutoda ignorância geral das pessoas sobre as coisas da tecnologia, foiassociado aos
hackerA
o estigma de criminoso.Desde já é bom que se frise que
hacker,
de criminoso, não
tem absolutamente nada.
Hacker,
e somente a estes assim se pode chamar, porque
merecedores de tal título, são de fato pessoas que reúnem pro-fundos conhecimentos de tecnologia; de sistemas operacionais,
de redes de computadores, de telefonia, de
hardwareA, .AoftwareA.
São compulsivos estudiosos e pesquisadores que agem movidos
pelo afã do saber e com o honrado objetivo de elevar ao mais alto
nível a segurança das redes de computadores.
HackerA
são aqueles que labutam para evitar a possibili-
dade do cometimento de crimes pelas redes; são aqueles que não
invadem as privacidades alheias, que não interceptam dados,que não enganam sistemas de outros, que não disseminam vi-
159
 
CRIMES E
ilícitos
ELETRÔNICOS NO BRASIL
16o
rus. Em curtas e objetivas palavras, não são como aqueles que
agem imbuídos pelo sentimento negro da destruição e da obten-
ção de ganhos ilícitos.A estes últimos, que em tudo se contrapõem àqueles, que
se fixem o estigma de bandidos, de criminosos, porque usam de
seus conhecimentos em tecnologia para praticarem o mau. A
esses, a honra de ser
hacker
não se concebe, porque ser
hackeré
algo a mais do que simplesmente dominar a tecnologia. Ser um
hacker
é possuir espírito elevado, porque tendo a plena consci-
ência de que pode ganhar com o prejuízo alheio, não se deixatomar pelas tentações bandidas, e ao contrário, as combatem.
CrackerA, carder,s, phreakerA,
todas essas, denominações
em cujo conceito se deve atrelar o de bandidismo.
Spyman, conhecido hacker brasileiro em cujo MANIFES-TO em seu livro' proclama sua incomensurável loucura pela rede
mundial de computadores, a Internet, assim os definem:
Crackere:
"Oe crackere são como
OA
hackere, mas gostam de ver a
destruição; elejo invadem e deAtroem
.86
para 'ver o caos, depois, na TV:São a3 ladrõe,e da Internet. Elee roubam dinheiro, roubam informações.
Ele
g
apagam todo o Ai.eterna deixando sempre a
Alla
marca registrada."
Cardere: "Aquelee que fazem compra com cartão de crédito alheio ou
gerado, ou
seja,
os
carderA têm uma grande facilidade de fazer compras
na Internet."
Phreacking: "São
os
piratas da telefonia, elejo fazem de tudo o que é
relativo aos telefones, convencionais ou celulare.e."
Que se tenha essa distinção de caráter e de personalidadesfincada na mente, pois os parágrafos que se seguirão não se apli-cam aos
hackerA,
mas aos
crakerA,
aos
carderA
e aos
phreaker.e.
'
PYMAN.
Manual completo do hacker. Como ser e evitá-los.
4
a
edição.
Edição ampliada. São Paulo: Book Express, 2001, p. 2-3.
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aker.A.
edição.
Hackers
não são bandidos e merecem receber a justiça de
ter desassociado de suas costas o
karma
de serem tidos como
delinqüentes. Os
hackerds
constroem e os
crakerds
destroem.
Não existe vergonha em ser
hacker.
Não é crime ser
hacker.
2. Ataques digitais no Brasil e a impunidade
cracker
Os altos índices de ataques digitais praticados por
cracker.s
brasileiros não deixam dúvidas de que o Brasil vem se transmando no centro mundial destas condutas. Basta relembrarmos
que na lista dos so maiores
cracker
do mundo, os ocupantes
das to primeiras posições, até o presente momento, são os
cracker
brasileiros.O crescente número de crimes perpetrados com o uso da
tecnologia da informação vem formando e, aos poucos, cristali-zando, a percepção de um país tomado pela impunidade e pela
inaptidão de suas leis no combate e repressão a tais práticas. Ao
contrário do que se imagina, entretanto, não é esta a realidade
jurídico-criminal que se prefigura nos dias de hoje.A inexistência de leis, a que muitos atribuem como sendo
a principal causa geradora da impunidade dos
crackers,
no en-
tanto, está longe de ser o principal agente ocasionador dos
altíssimos índices desta triste realidade. A causa deste fenôme-no sem dúvida nenhuma é outra.
O
phiAhingmam,
a exemplo, tipo de fraude que mais cresce no
Brasil e no mundo, e por isso considerado um dos pilares da crimi-
nalidade digital e da impunidade, cuja prática envolve diversas ar-timanhas tecnológicas, ao contrário do que insinuam, encontra-seamplamente prevista em nossa legislação penal, em todas as suas
formas de execução, não se justificando, pois, por este motivo, o seu
crescimento exagerado dentro do território brasileiro.
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