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Imprensa, Medo e Insegurança Cecilia Olliveira

Imprensa, Medo e Insegurança Cecilia Olliveira

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Published by Cecília Olliveira
A (ir)responsabilidade da imprensa na construção da culpa, da sensação de segurança e do medo
A (ir)responsabilidade da imprensa na construção da culpa, da sensação de segurança e do medo

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Published by: Cecília Olliveira on Sep 15, 2012
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A (ir)responsabilidade da imprensa na constrão da culpa, dasensação de segurança e do medo
Cecília Olliveira
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Calúnia. Injúria. Difamação. Para muitos jornalistas, este é o primeiro contatocom a área do direito, ainda na faculdade. A confusão entre os termos écomum, mas ainda mais comum é o fato de todos saberem que não podem“inventar” fatos e notícias e que checar informações e denúncias recebidas é amelhor forma de evitar cometer um destes crimes.Quando o jornalista atua na área da segurança pública, os cuidados têm de ser redobrados, uma vez que seu trabalho pode construir ou arruinar uma vida. Ouvárias. Quem não se lembra do emblemático caso da Escola Base
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, umaescola particular de o Paulo que foi fechada em 1994 as seusproprietários serem injustamente acusados de abuso sexual contra uma aluna?Na oportunidade, foram condenados a pagar indenizações os jornais O Estadode S. Paulo, Folha de S. Paulo, a revista IstoÉ e a Rede Globo. Era tarde. Aescola havia sido depredada, os donos estavam falidos e eramconstantemente ameaçados de morte em telefonemas anônimos. Osrepórteres não foram punidos e continuam suas vidas sem maiores problemas.Exatamente por ter tal poder, a imprensa é chamada de quarto poder, numareferência a sua força. Os outros três seriam o legislativo, executivo e judiciário.O tempo passou, mas isso não é sinônimo e que as coisas evoluíram.Em maio de 2012, ganhou repercussão nacional uma reportagem feita pelarepórter Mirella Cunha, para o programa Brasil Urgente, da Band Bahia. Naentrevista, a repórter não se limita a fazer perguntas ao suspeito, mas o acusaenfaticamente: “Não estuprou, mas queria estuprar”. Isto, mesmo diante dasincisivas negativas do jovem, que era semianalfabeto e o conseguiapronunciar corretamente algumas palavras. Situação diante da qual, a repórter 
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ri, rias vezes. Além de atribuir o crime ao rapaz, o que pode secaracterizado como calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal, a repórter passa bem longe da ética. Diante do clamor popular, a Band prometeu demitir a repórter, que está sendo investigada pelo Ministério Público por Abuso deautoridade, de ofensa a direitos da personalidade e violão de direitosconstitucionais de um preso.
Medo e sensação de insegurança
 A repórter da Bahia pulou muitas etapas ao chamar um acusado, sob tutela doEstado, de estuprador. Ela ignorou que entre a ocorrência do fato criminoso háa prisão em flagrante ou portaria de instauração de inquérito; remessa aoMinistério blico, após o termino do inquérito; oferecimento de denúncia;citação das partes; oitiva de testemunhas; requisição de pericias; interrogatóriodo réu; alegações finais da acusação, alegações finais da defesa; julgamento.Se não houver recurso, depois de tudo isso, teremos uma decisão final etalvez, um culpado. Ao rotular suspeitos como infratores de fato, a imprensa produz criminosos. Aonoticiar fatos com menor potencial ofensivo de forma emotiva e conclamando“justiça”, a mídia produz medo e sensação de insegurança de um lado epaladinos da justiça de outro.
Panorama Brasileiro
Pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estimou ocusto financeiro da violência para alguns países latino-americanos e concluiuque o problema é uma das principais barreiras ao desenvolvimento da AméricaLatina (Londoño e Guerrero, 1999). De acordo com o levantamento, os custosestimados da violência em 1997 correspondiam a 14,2% do Produto InternoBruto (PIB) dos países da América Latina e 10,5% do PIB nacional do Brasil, oque equivale, no país, a cerca de 84 bilhões de dólares anuais. Estes custos sereferem a perdas com saúde (anos de vida perdidos e custos médicos), perdasmateriais (justiça e segurança pública e privada) e deterioração do consumo edo trabalho.
 
No que se refere aos custos humanos, à violência tem sido um importante fator no aumento dos sentimentos de medo e insegurança.
No caso brasileiro, a generalização e ampliação dessessentimentos eso ligadas, entre outros fatores, aoaumento real nas taxas de criminalidade, em especial docrime violento, a partir da década de 1980 (Coelho, 1988; Adorno, 1998; Caldeira, 2003), à falta de confiança nasinstituições de seguraa blica, à abordagem daviolência pela mídia muitas vezes exagerada esensacionalista e à desordem sica e social dosambientes públicos. O sentimento de insegurança e omedo do crime m assumido, atualmente, umarelevância cada vez maior na sociedade brasileira, umavez que aspectos como o aumento do crime, suautilização política, o discurso social e a percepção deperda de controle têm atingido proporções significativas. Além disso, o sentimento de insegurança e o medo docrime afetam mais indivíduos que o problema específicoda criminalidade, considerando que abrange um universomuito maior de pessoas. (Borges, 2012)
Levantamento feito pelo Ministério Público em 2011 revelou que a Polícia doEstado do Rio de Janeiro deixou de esclarecer 60 mil homicídios nos últimosdez anos. Entre as vítimas, 24 mil sequer foram identificadas. O Rio está pertoda dia nacional de 8% de elucidão dos crimes. Levando-se emconsideração os flagrantes delitos, este índice, no tangente a potencialidade deinvestigação, fica ainda menor.Nove em cada dez brasileiros m medo de ser assassinado, segundo oSistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Segurança Pública,divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2010. Dos2.770 entrevistados em todos os Estados, 78,6% disseram ter muito medo deser vítima de homicídio e 11,8% disseram ter pouco medo. Apenas 9,6%afirmaram não ter medo do crime.

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