Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
4Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Webjur - Direito administrativo

Webjur - Direito administrativo

Ratings: (0)|Views: 193 |Likes:

More info:

Published by: Raíssa De Oliveira Fabiano on Sep 17, 2012
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/01/2013

pdf

text

original

 
Introdução
-
Direito Administrativo
 
1. Separação dos poderes:
 A separação dos poderes foi esboçada pela primeira vez por Aristóteles em sua obra “Política”. O pensador já descrevia a
existência de três funções distintas, entretanto exercidas por uma única pessoa.
John Locke detalhou a tripartição dos poderes no “Segundo tratado do Governo Civil”, mas a teoria só foi mesmo consagrada naobra de Montesquieu “O espírito das leis”. Montesquieu inovou afirmando que as funções estatais seriam repartidas a poderes
 autônomos e independentes, mas harmônicos entre si. A cada órgão caberia uma função típica, inerente a sua natureza, assim aoLegislativo fazer leis, ao Judiciário punir e ao Executivo executar leis. Desta forma, o poder seria limitado e se evitaria o abuso.Mais tarde reconheceu-se que existiam outras funções além daquelas funções para os quais os poderes foram criados e que sócom estas os poderes realmente ganhariam independência.
PODER LEGISLATIVO PODER JUDICIÁRIO PODER EXECUTIVOFunções típicas, primárias,próprias ou ordinárias.
Legislar e Fiscalização contábil,financeira, orçamentária e patrimonialdo Executivo.
Julgar AdministrarFunções atípicas,secundárias, impróprias ouextraordinárias.
 Administrar.
Ex.:
Conceder férias aosseus servidores.Julgar.
Ex.:
Cabe ao Senado julgar oPresidente nos crimes deresponsabilidade. Administrar.
Ex.:
Conceder férias aos magistrados eserventuários.Legislar.
Ex.:
Elaborar oregimento interno.Julgar.
Ex.:
Tribunalde Impostos e Taxas.Legislar.
Ex.:
MedidaProvisória.
2. Conceito de direito administrativo:
Primeiramente, o direito administrativo foi definido como o ramo do direito que tratava dos atos do Poder Executivo (atos deadministrar). Posteriormente, tendo em vista a existência de outras funções, surge uma nova definição de direito administrativobaseada em todos os atos dos poderes e não somente nos atos do Poder Executivo.Direito administrativo é o ramo do direito que cuida da função administrativa do Estado, isto é, de toda atividade desenvolvida peloEstado, seja de forma típica ou de forma atípica, visando os interesses da coletividade. Tal função pode ser delegada ao particular,que irá executá-la em nome do Estado.
Ex.:
Concessionário ou Permissionário. A função administrativa encontra f 
undamento no artigo 1º, parágrafo único da Constituição Federal, que dispõe que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Sendo o povo é o titular da coisa pública, o Estado ao atuar, seja de forma típica ou atípica, deve representar os interesses dacoletividade. Se representar seus próprios interesses incorrerá em abuso de poder e desvio de finalidade, que são espécies dogênero ilegalidade, podendo até mesmo sofrer controle pelo Poder Judiciário.
3. Funções do Estado:
 
Função legislativa:
 
É aquela capaz de produzir normas jurídicas abstratas.
 
É a única capaz de produzir inovações primárias na ordem jurídica: É capaz de criar direitos e deveres pela primeira vez nosistema. Presente o princípio da legalidade.
 
Função administrativa:
 
É aquela capaz de produzir normas (situações) jurídicas concretas, no sentido de executar (concretizar) a lei.Há quem afirme que a função administrativa é capaz de produzir normas jurídicas concretas e abstratas, tanto que existem atosadministrativos concretos e abstratos.
Ex.:
Decreto regulamentar é um ato abstrato que regulamenta a lei.
 
É aquela capaz de produzir inovações secundárias na ordem jurídica: O administrador aplica ao caso concreto o que estáprevisto no sistema jurídico.
 
É direta
: A Administração não precisa ser provocada, tem o poder-dever de perseguir diretamente a satisfação dointeresse público, mas nada impede que seja provocada.
 
Não tem poder de produzir imutabilidade aos seus atos, pois estes sempre serão revisíveis pelo Poder Judiciário, quanto àlegalidade (art. 5º, XXXV da CF). Assim, a doutrina critica a expressão
“coisa julgada administrativa”, utilizada à impossibilidade de revisão pela própria
 Administração de seus determinados atos.
 
Função judicial:
 
É aquela capaz de produzir normas (situações) jurídicas concretas.
 
É aquela capaz de produzir inovações secundárias na ordem jurídica: O juiz aplica ao caso concreto o que estava previstona lei. Desta forma, quando o pedido é juridicamente impossível, o Juiz deve extinguir o processo sem julgamento do mérito, poisnão cabe a ele fazer inovações primárias.
 
É indireta:
O juiz precisa ser provocado para agir.
 
Tem o poder de produzir uma situação de intangibilidade jurídica (imutabilidade) para os seus atos: Poder Judiciário é oúnico que pode conferir a coisa julgada. Nem a lei pode alterá-la.
Regime Jurídico da Administração Pública
 
1. Princípios que regem o regime jurídico da Administração Pública:
 
- Princípio da supremacia do interesse público.- Princípio da indisponibilidade do interesse público.
Princípio da supremacia do interesse público + Princípio da indisponibilidade dointeresse público = binômio prerrogativas + limites na lei
 
1.1. Princípio da supremacia do interesse público:
Este princípio confere ao administrador um conjunto de privilégios jurídicos que o particular não tem, em razão dos interesses queele representa, ou seja, interesses da coletividade. A Administração está numa posição de superioridade (supremacia jurídica), numa relação vertical (desigual) para com o particular,pois enquanto busca a satisfação dos interesses públicos, o particular busca a satisfação dos próprios interesses. Já no mundoprivado, parte-se da ideia que, formalmente, as pessoas estão no mesmo plano, isto é, que as relações são horizontais.Há um dogma em direito administrativo que diz que o interesse público prevalece sobre o particular.
Ex.:
No mundo privado, umapessoa não pode criar obrigações ao outro sem a concordância dele. Já o administrador, por uma manifestação de vontade, podecriar uma obrigação unilateral, independentemente da concordância; Administração pode rescindir o contrato administrativo e oparticular não pode fazer nada contra isso; Poderá existir intervenção na propriedade para preservar o interesse público.
1.2 Princípio da indisponibilidade do interesse público:
Este princípio afirma que o administrador não pode dispor livremente do interesse público, pois não representa seus própriosinteresses quando atua, devendo assim agir segundo os estritos limites impostos pela lei. O princípio da indisponibilidade dointeresse público aparece como um freio ao princípio da supremacia do interesse público.O princípio da legalidade surge como um desdobramento do princípio da indisponibilidade do interesse público. Segundo talprincípio, o administrador não pode fazer o que bem entender na busca do interesse público, isto é, deve agir segundo a lei, sópodendo fazer aquilo que a lei expressamente autoriza e no silêncio da lei, está proibido de agir. Há uma relação de subordinaçãoà lei. Já o particular pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe e o que silencia a respeito. Portanto, tem uma maior liberdade doque o administrador. Há uma relação de não contrariedade à lei.
2. Regime jurídico da Administração Pública:
É o conjunto de direitos (prerrogativas) e deveres (limitação) que o ordenamento jurídico confere ao Poder Público e que não seestende aos particulares, por força dos interesses que ela representa quando atua.O particular só será submetido a este regime quando lhe for delegado o exercício da função administrativa, isto é, quando executar um serviço público.
Ex.:
Concessionário ou Permissionário; Cartórios extrajudiciais.
 
Direitos ou Prerrogativas:
Os direitos surgem em decorrência dos interesses que a Administração representa quando atua.Exemplo de direitos que a Administração Pública tem e o particular não têm:
 
Os atos administrativos são dotados de auto-executoriedade, isto é, a Administração pode executar sozinha seus próprioatos, sem autorização prévia do Poder Judiciário.
Ex.:
O oficial da prefeitura, quando constata um barulho numa danceteria alémdos limites legais, pode lavrar um auto de infração unilateralmente, por força dos interesses que ele representa. Diferentemente,um particular, na mesma situação, teria que procurar o Poder Judiciário.
 
 A Administração elabora sozinha os contratos administrativos, tendo o particular que aderir ao mesmo. Se o particular nãocumpre as suas obrigações, a Administração pode sozinha invocar a exceção do contrato não cumprido. Nos contratosparticulares, as partes participam da sua elaboração e podem invocar a exceção do contrato não cumprido através do Poder Judiciário.O Poder Público tem uma série de vantagens que o coloca num grau de superioridade em relação aos particulares. O nome quese dá a esse conjunto de vantagens é "cláusulas exorbitantes", pois exorbitam o padrão dos contratos particulares, conferindovantagens à Administração.
 
Deveres:
Os deveres também surgem em razão dos interesses que a Administração representa quando atua. Exemplo dedeveres que a Administração tem e o particular não tem:
 
O particular tem autonomia de vontade, pode contratar quem quiser para a sua empresa. Já a Administração deve contratar através de concurso público.
 
O empresário pode contratar os serviços que quiser e pelo valor que quiser. A Administração não tem essa liberdade,precisa fazer licitação.
Princípios da Administração Pública
 
1. Conceito de princípios:
São regras que servem de interpretação das demais normas jurídicas, apontando os caminhos que devem ser seguidos pelosaplicadores da lei. Os princípios procuram eliminar lacunas, oferecendo coerência e harmonia para o ordenamento jurídico.
2. Localização dos princípios da Administração Pública:
 Alguns princípios encontram-se no artigo 37 da Constituição, mas não esgotam a matéria. Exemplo de princípios que não estão norol do artigo 37 da Constituição: O Princípio da isonomia, o Princípio da supremacia do interesse público, o Princípio daproporcionalidade, o Princípio da finalidade, o Princípio da motivação.Tendo em vista que o rol do artigo 37 da Constituição Federal é exemplificativo, os Estados podem criar outros quando daelaboração da sua Constituição (poder constituinte derivado), mas observando aqueles previstos na Constituição Federal (art. 25da CF). O artigo 111 da Constituição do Estado de São Paulo determina que a Administração Pública direta, indireta e fundacionalde qualquer dos poderes do Estado obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,razoabilidade, finalidade, motivação e interesse público.Os Municípios e o Distrito Federal também têm essa possibilidade quando da elaboração de suas leis orgânicas, desde queobservados os previstos na Constituição Federal (art. 29 e 32 da CF).
 
O legislador infraconstitucional também pode estabelecer outros princípios, desde que não exclua aqueles previstos no artigo 37da Constituição Federal.
Princípios da Administração Pública Previstos no Artigo 37 da Constituição Federal 
1. Quem deve se submeter aos Princípios do art. 37 da Constituição Federal:
Como regra geral, a Administração direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal, Municípios. Assim, as Autarquias, Fundações Públicas, Agências reguladoras e executivas, Empresas Públicas e Sociedades de EconomiaMista também estão submetidas a esses princípios.
2. Princípios previstos no artigo 37 da Constituição Federal:-Legalidade-Impessoalidade-Moralidade-Publicidade-Eficiência
Princípio da Legalidade 
1.Importância:
O Princípio da legalidade é fundamento do Estado democrático de direito, tendo por fim combater o poder arbitrário do Estado. Osconflitos devem ser resolvidos pela lei e não mais através da força.
 2.Conceito:
 
“Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, II da CF).
 
O Princípio da legalidade aparece simultaneamente como um limite e como uma garantia, pois ao mesmo tempo que é um limite aatuação do Poder Público, visto que este só poderá atuar com base na lei, também é uma garantia a nós administrados, visto quesó deveremos cumprir as exigências do Estado se estiverem previstas na lei. Se as exigências não estiverem de acordo com a leiserão inválidas e, portanto, estarão sujeitas a um controle do Poder Judiciário.Segundo o princípio da legalidade, o administrador não pode fazer o que bem entender na busca do interesse público, ou seja, temque agir segundo a lei, só podendo fazer aquilo que a lei expressamente autoriza e no silêncio da lei esta proibido de agir. Já oadministrado pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe e o que silencia a respeito. Portanto, tem uma maior liberdade do que oadministrador. Assim, se diz que no campo do direito público a atividade administrativa deve estar baseada numa relação de subordinação com a
lei (“Administrar é a aplicar a lei de ofício”, “É aplicar a lei sempre”) e no campo do direito privado a atividade desenvolv
ida pelosparticulares deve estar baseada na não contradição com a lei.
3. Conceito de Lei:
Quando o princípio da legalidade menciona “lei” quer referir 
-se a todos os atos normativos primários que tenham o mesmo nível deeficácia da lei ordinária.
Ex.:
Medidas provisórias, resoluções, decretos legislativos. Não se refere aos atos infralegais, pois estesnão podem limitar os atos das pessoas, isto é, não podem restringir a liberdade das pessoas. A Administração, ao impor unilateralmente obrigações aos administrados por meio de atos infralegais, deverá fazê-lo dentro dos
limites estabelecidos por aquela lei à qual pretendem dar execução. “Compete privativamente ao Presidente da República
sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decre
tos e regulamentos para sua fiel execução” (art. 84, IV daCF). “Cabe ao Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem o poder regulamentar ou doslimites da delegação legislativa” (art. 49, V da CF).
 
4. Princípio da legalidade em outros ramos do direito:
 
No direito penal (Princípio da estrita legalidade): Também aparece como limite à atuação do Estado e como garantia dosadministrados contra os abusos do direito de punir, visto que uma conduta só poderá ser considerada como crime e punida, seestiver prevista previamente em lei.
“Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”
(art. 5º, XXIX da Constituição Federal).
 
No direito tributário: Também se apresenta como limite à atuação do Estado, visto que a União, os Estado, o Distrito Federal eos Municípios não poderão exigir, nem majorar tributos, senão em virtude de lei (art. 150 da CF). Há exceções que serãoestudadas em direito tributário.
Princípio da Impessoalidade 
1. Conceito:
 A Administração deve manter-se numa posição de neutralidade em relação aos administrados, ficando proibida de estabelecer discriminações gratuitas. Só pode fazer discriminações que se justifiquem em razão do interesse coletivo, pois as gratuitascaracterizam abuso de poder e desvio de finalidade, que são espécies do gênero ilegalidade.
 
Impessoalidade para ingressar na Administração Pública:
O administrador não pode contratar quem quiser, massomente quem passar no concurso público, respeitando a ordem de classificação. O concurso pode trazer discriminações, masnão gratuitas, devendo assim estar relacionada à natureza do cargo.
 
Impessoalidade na contratação de serviços ou aquisição de bens:
O administrador só poderá contratar através delicitação. O edital de licitação pode trazer discriminações, mas não gratuitas.
 
Impessoalidade na liquidação de seus débitos:
A Administração tem que respeitar a ordem cronológica de apresentaçãodos precatórios para evitar privilégios. Se for quebrada a ordem pode gerar sequestro de verbas públicas, crime deresponsabilidade e intervenção federal.
“À exceção dos créditos de natureza alimentar, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude
de sentença judiciária far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->