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2012.2.LFG.ParteGeral01

2012.2.LFG.ParteGeral01

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Direito Civil, parte 1
Direito Civil, parte 1

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MATERIAL DE APOIODIREITO CIVILPARTE GERALApostila 01Prof. Pablo Stolze GaglianoTemas: Personalidade Jurídica. Nascituro. Pessoa Física ou Natural
1. A Personalidade Jurídica
1.1. Conceito.
Personalidade Jurídica
, para a Teoria Geral do Direito Civil, é a
aptidão genérica para setitularizar direitos e contrair obrigações
na órbita jurídica.
 
Neste ponto, vale transcrever a sábia preleção de RIPERT e BOULANGER, na monumental obra
“Tratado de Derecho Civil” segun el Tratado de Planiol (Tomo I –
Parte General, Buenos Aires: LaRey, 1988, pág. 310):
“La personalidad jurídica está vinculada a la existencia del individuo, y no a su conciencia o a su
voluntad. Um niño muy pequeno, o um loco, es una persona. Entre las personas físicas no sehace diferencia alguna para la atribuición de derechos civiles; por muy débil o incapacitado que
esté, todo ser humano es, y sigue siendo, una persona del derecho”.
 A pessoa física (ou natural) e a pessoa jurídica são dotadas de
personalidade jurídica
.
1.2. Aquisição da personalidade jurídica (Pessoa Física ou Natural)
O seu surgimento ocorre a partir do
nascimento com vida
(art. 2°, CC-02 e art. 4º, CC-16)
.
 No instante em que principia o funcionamento do aparelho cárdio-respiratório, clinicamenteaferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno, o recém-nascido adquire
 personalidade jurídica
, tornando-se
sujeito de direito
, mesmo que venha a falecer minutos depois.
 
 
Na mesma linha, a Res. nº 1/88 do Conselho Nacional de Saúde
1
dispõe que o nascimento comvida é a:
“expulsão ou extração completa do produto da concepção quando, após a separação, respire e
tenha batimentos cardíacos, tendo sido ou não cortado o cordão, esteja ou não desprendida a
placenta”.
 Em uma perspectiva constitucional de respeito à dignidade da pessoa, não importa que o fetotenha forma humana ou tempo mínimo de sobrevida (como se dava na redação anterior do art.30 do CC da Espanha).Assim, se o recém-nascido
 –
cujo pai já tenha morrido - falece minutos após o parto, teráadquirido, por exemplo, todos os direitos sucessórios do seu genitor, transferindo-os para a suamãe, uma vez que se tornou, ainda que por breves instantes, sujeito de direito.
1.3. O Nascituro.
LIMONGI FRANÇA, citado por FRANCISCO AMARAL, define o nascituro como
sendo “o que estápor nascer, mas já concebido no ventre materno”.
2
 Cuida-se do
ente concebido, embora ainda não nascido
, dotado de vida intrauterina, daí porquea doutrina diferencia-o (o nascituro) do embrião mantido em laboratório
3
.A Lei Civil trata do nascituro quando, posto não o considere pessoa, coloca a salvo os seusdireitos
desde a concepção
(art. 2º, CC-02, art. 4º, CC-16).Ora, se for admitida a
teoria natalista,
segundo a qual a aquisição da personalidade opera-se apartir do nascimento com vida, é razoável o entendimento no sentido de que, não sendo pessoa,o nascituro possui mera
expectativa de direito
(VICENTE RÁO, SILVIO RODRIGUES, EDUARDOESPÍNOLA, SILVIO VENOSA).Mas a questão não é pacífica na doutrina.
1
Cit. por DINIZ, Maria Helena, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 25ª ed. São Paulo:Saraiva, 2008, pág. 198.
2
AMARAL, Francisco, Introdução ao Direito Civil, Renovar, pág. 217.
3
A título de curiosidade, v
er a dicção do art. 9° § 1°, PL 90/99: “Não se aplicam aos
embriões originados in vitro, antes de sua introdução no aparelho reprodutor da mulherreceptora, os direitos assegurados ao nascituro na forma da lei. Já o Projeto de Reforma do
CC, em sua redação original, aponta em sentido contrário: “Art. 2°. A personalidade civil da
pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, osdireitos do
embrião
e do nascituro” (grifos nossos).
 
 
 
Os adeptos da
teoria da personalidade condicional 
sufragam entendimento no sentido de que onascituro possui direitos sob condição suspensiva
.
Vale dizer, ao ser concebido, já podetitularizar alguns direitos (extrapatrimoniais), como o direito à vida, mas só adquire completapersonalidade, quando implementada a condição do seu nascimento com vida.A
teoria concepcionista
, por sua vez, influenciada pelo Direito Francês, é mais direta e ousada:entende que o nascituro é pessoa desde a concepção (TEIXEIRA DE FREITAS, CLÓVIS BEVILÁQUA,SILMARA CHINELATO).
CLÓVIS BEVILÁQUA, em seus “Comentários ao Código Civil dos Estados Unidos do Brasil”, Rio de
Janeiro: Ed. Rio, 1975, pág. 178, após elogiar abertamente a teoria concepcionista, ressaltandoos seus excelentes argumentos, conclui ter adotado
a natalista, “por parecer mais prática” (sic).
No entanto, o próprio autor, nesta mesma obra, não resiste ao
apelo concepcionista,
ao destacar
situações em que o nascituro “se apresenta como pessôa” (sic).
 A despeito de toda essa profunda controvérsia doutrinária, o fato é que, nos termos da legislaçãoem vigor, inclusive do Novo Código Civil, o nascituro tem a proteção legal dos seus direitos desdea concepção
4
.Nesse sentido, pode-se apresentar o seguinte quadro esquemático, não exaustivo:a)
 
o nascituro é titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida, o direito àproteção pré-natal etc.)
5
;b)
 
pode receber doação, sem prejuízo do recolhimento do imposto de transmissão
inter vivos
;
4
 
A leitura da ementa referente a ADI 3510-0 (em que se questionaram dispositivos da Lei deBiossegurança) aparentemente, em nosso sentir, reforça a teoria natalista(http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=3510&processo=3510
), pois o Ministro afirma: “O Magn
o Texto Federal não dispõe sobre o início davida humana ou o preciso instante em que ela começa. Não faz de todo e qualquer estádioda vida humana um autonomizado bem jurídico, mas da vida que já é própria de umaconcreta pessoa,
porque nativiva (teoria ‘natalista’, em contraposição às teorias ‘concepcionista’ ou da ‘personalidade condicional’)” 
(grifamos).
Mas, em nosso sentir, oembate entre as teorias, na interpretação que se faz do art. 2º do CC, aindapersistirá por muito tempo. A temática é muito polêmica. Uma pesquisa nadoutrina demonstrá tal assertiva.
5
O art. 7. do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe que:
“a criança e o adolescente
têm direito à proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam
o nascimento
e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de
existência”.

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