JAnEIRO 2009
jornal do
STAL
Editorial
Anode Luta
e combate
públicos
Inlexibilidadee imposição
Lamentavelmente, no simulacro denegociações com os sindicatos, o go-verno revelou mais uma vez uma ati-tude inlexível, abrindo e encerrando oprocesso sem evoluir na sua propos-ta inicial de 2,9 por cento, que acaboupor impor unilateralmente apesar dosprotestos da Frente Comum e da ge-neralidade dos trabalhadores.Não obstante, mesmo esta actuali-zação insuiciente constitui o resulta-do da intensa luta travada no sector. Agarrado a uma previsão da inla-ção de 2,5 por cento, o Governo ezcrer que os trabalhadores terão algumganho salarial, omitindo que as su-as previsões nos últimos anos oramsempre ultrapassadas pela realidadedos preços sem que essa dierençatenha sido compensada.Maniestando o seu repúdio e con-denação pela atitude anti-negocial dogoverno, a Frente Comum entregou,27 de Novembro, na residência oicialdo primeiro-ministro um abaixo-assi-nado subscrito por mais de 45 mil tra-balhadores da Administração Pública.
Intensificara acção, fortalecera luta
O Conselho Geral do STAL,reunido em 28 de Novembro,considerou que «o ano de2008 ica marcado pela maisbrutal oensiva levada a caboapós o 25 de Abril contra di-reitos undamentais dos tra-balhadores da AdministraçãoPública».Particular preocupação sus-cita a previsível entrada em vi-gor no início do ano dos diplo-mas de revisão do regime devínculos, carreiras e remunera-ções e do contrato de trabalhoem unções públicas.O STAL considera que estesdois diplomas promovem «adesregulamentação da legis-lação laboral no sector, a reti-rada de direitos, a degradaçãodos salários, o aumento daprecariedade laboral e a limita-ção dos direitos sindicais», su-blinhando que esta estratégiado governo é secundada pormuitos «autarcas que na mes-ma senda desrespeitam direi-tos laborais, violam a liberda-de sindical e intensiicam ca-minhos privatizadores».O Conselho Geral do STALconsiderou undamental in-tensiicar os caminhos de lutados trabalhadores, de ormaa que, para além das acçõesque se impõem no plano cen-tral, sejam criadas condiçõesnos locais de trabalho paraimpedir a aplicação da no-va legislação sempre que nãoestejam garantidas condiçõesmínimas.Designadamente, o Sindica-to risa que deve ser previa-mente «assegurada a vincula-ção de todos os trabalhadoresque vêm desempenhando un-ções permanentes» a «reclas-siicação dos que desempe-nham unções de responsabi-lidade superior» e concretiza-das «as promoções e progres-sões dos trabalhadores quepara elas tenham módulos detempo necessário.»No plano jurídico, o STALapoiará e desenvolverá as ac-ções necessárias com vista àdeclaração da inconstitucio-nalidade maniesta de váriasnormas da presente legisla-ção.
CGTP-IN reclamaruptura compolíticas neoliberais
A CGTP-IN maniestou preocupação em relação a algumas me-didas do pacote «anti-crise» do Governo e avançou um conjuntode propostas para estimular a economia e avorecer a resolução deconlitos nos locais de trabalho.Em conerência de imprensa realizada dia 26 de Dezembro, acentral sindical considera que «a resposta aos problemas que opaís enrenta não pode passar pelo enraquecimento da seguran-ça social».Pelo contrário, a superação dos entraves ao desenvolvimento eco-nómico e social do país exigem, segundo a CGTP-IN, uma rupturacom «o pensamento e práticas políticas neoliberais até agora domi-nantes, a protecção do emprego e dos salários, a deesa da nego-ciação colectiva, das pensões de reorma e da protecção social». A prevenção dos despedimentos e a aposta no investimento pú-blico são aspectos prioritários para a CGTP-IN, que exigiu a deini-ção de «princípios, orientações genéricas e medidas precisas sobrea concessão de avais a instituições inanceiras, uma vez que estáenvolvido o dinheiro dos contribuintes».
O
ano de 2009 será marcado por três actoseleitorais. Depois das europeias, virão as eleiçõeslegislativas e as autárquicas. O tempo é pois debalanço, em primeiro lugar, do que representaram paraos trabalhadores os anos de governação «socialista»,que contou com uma maioria absoluta na Assembleiada República.E só pode ser negativo o balanço de um governo quede imediato abandonou promessas eleitorais, traindoas expectativas de milhares de trabalhadores, e levoua cabo uma das maiores ofensivas, senão mesmo amaior, contra os direitos laborais e sociais.
A
chamada «reforma» da Administração Pública, a
pretexto da «ecácia» e do combate ao déce, traduziu-se anal numa imensa obra de desmantelamento de
serviços públicos essenciais, de retirada de direitoslaborais, de desregulamentação das leis do trabalho edegradação do poder de compra dos trabalhadores.Uma imensa obra da qual resultou o empobrecimentodas camadas mais desfavorecidas da população, emprofundo e gritante contraste com o enriquecimentocrescente de uma pequena casta de privilegiados e depoderosos, de quem José Sócrates e seus acólitos se
assumiram como éis servidores.
M
as se os ataques aos direitos laborais foram dosmais violentos de que há memória, também a respostados trabalhadores e das populações proporcionou
mobilizações nunca antes vistas em Portugal pela
frequência e dimensão.Só a acção intensa e determinada dos trabalhadorestem podido travar a marcha acelerada das políticas
neoliberais de José Sócrates, obrigando-o a recuos
em diversas matérias cruciais, de que são exemploso aumento da jornada semanal de trabalho naAdministração Pública para as 40 horas ou asrestrições à liberdade sindical.
N
um ano em que em que a conjuntura económicaé marcada por uma das mais graves crises docapitalismo, engendrada pelo carácter insanável dascontradições próprias do sistema explorador, novas
diculdades se abaterão sobre os trabalhadores.
Ao mesmo tempo será de esperar que o governoe o partido que o sustenta lancem campanhasdemagógicas e anunciem medidas eleitoralistas com
o propósito de branquear e fazer esquecer anos de
governação injusta, imoral e desastrosa para o País.Não podemos ter a memória curta. A luta nas ruas enos locais de trabalho pelos direitos, pelos salários
e pelos serviços públicos continuará a intensicar-se e deverá expressar-se nas urnas por uma política
diferente, socialmente mais justa, que respeite quemtrabalha, efective os direitos e garanta serviçospúblicos de qualidade para todos!
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