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nº 91
 
 
Jaeiro de 2009
Distribuição gratuita aos sócios
STALSTAL
Direitos Salários  Serviçospúblicos
para resistir
Lutar
Os trabalhadores da Administração Pública estão em luta para resistir à maisviolenta oensiva empreendida após o 25 de Abril que visa a desregulamentaçãoda legislação laboral, a retirada de direitos, a degradação dos salários, o aumentoda precariedade laboral e a limitação dos direitos sindicais.
Págs. 2 e 3
I Conferênciasindical
Organizaçãomais forte
O reorço da organizaçãosindical e a elevação dacapacidade de resposta dasua estrutura oi uma dasprincipais conclusões daI Conerência Sindical queaprovou o Caderno Reivin-dicativo.
Pág. 7 a 9
Regimede vínculos
Impugnarilegalidades
O chamado novo regi-me de vínculos, carreirase remunerações da Admi-nistração Pública deve sercombatido por todos ostrabalhadores.
Pág. 5
 Água, direito humano
 A campanha «Água é de todos, não o negócio de alguns» prossegue em todoo país com várias iniciativas em deesa da gestão pública e do reconhecimentodeste direito humano.
Pág. 6
Crise económica
Falência doneoliberalismo
 A crise económica interna-cional, que ameaça condu-zir o mundo para uma gran-de depressão, demonstraa alência do pensamentoneoliberal e a necessidadede romper com os dogmasdo capitalismo.
Pág. 10
 
JAnEIRO 2009
  jornal do 
 
STAL
Os trabalhadores do sector da limpeza urbanado Porto, que há vários anos vêm lutando contraa privatização de parte daqueles serviços, estive-ram de novo em luta nos períodos no Natal e AnoNovo, opondo-se à entrega de uma parte dosserviços a uma empresa concessionária. As duas greves destinaram-se igualmente adenunciar a transferência forçada de trabalha-dores para a concessionária, mudança que pa-ra muitos implica a perda do subsídio de traba-lho nocturno no valor de 150 euros. Apesar da forte adesão, a luta dos trabalhadoresfoi prejudicada pela fixação de um número despro-positado de trabalhadores para a prestação de ser-viços mínimos, através de um despacho conjuntodo Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social.O STAL contestou a intervenção governa-mental e pondera a possibilidade de recorrer judicialmente contra este ataque ao inalienáveldireito à greve consagrado na Constituição daRepública Portuguesa.
 Tempode resistência
Direitos, salários e serviços
O último trimestre de 2008 icoumarcado por intensas lutas queespelharam o descontentamentocrescente com as politicas dedireita do Governo PS, queaproveita a «crise» para penalizarainda mais os trabalhadores,ao mesmo tempo que destinamilhões de euros para salvar osbancos da alência e garantir oslucros dos banqueiros.
 A
pós a orte participação dos trabalha-dores das autarquias na Greve Nacio-nal da Administração Pública, realizadano dia 1 de Outubro no âmbito do Dia Nacio-nal de Luta da CGTP-IN, milhares de traba-lhadores da Administração Pública encheramas ruas de Lisboa em 21 de Novembro, numapoderosa maniestação nacional por aumen-tos reais dos salários, pelo emprego públicoe pelos direitos. As palavras de ordem repetem-se porquea política neoliberal do governo se intensi-ica. Não podem ser sempre os mesmos apagar a actura das políticas erradas, quereduzem os salários dos trabalhadores pa-ra enriquecer cada vez mais os ricos e po-derosos.
Travar a degradaçãodos salários
 A resolução da Frente Comum aprovada namaniestação reclama o im da «sistemáticaperda de poder de compra veriicada nos úl-timos oito anos» e lembra que em2008 a actualização salarial oi in-erior ao valor da inlação veriicadaem 0,9 por cento.O aumento dos preços de bensessenciais, particularmente dostransportes, dos juros do crédito àhabitação e dos combustíveis agra-vou as condições de vida dos tra-balhadores da Administração Públi-ca, cujo poder de compra de 2000a 2008 oi reduzido entre os 7,2 e os10,4 por cento. Por isso, a luta pe-la actualização salarial de cinco porcento em 2009 é inteiramente justae realista.Tanto mais que o sector oi pena-lizado com o aumento progressivodos descontos para a ADSE, o quecolocou os trabalhadores da Ad-ministração Pública numa situaçãodesavorável em relação ao regimeda segurança social.Também as alterações impostasnos regimes de carreiras e de re-munerações têm consequênciasneastas em termos remunerató-rios já que liquidam o normal di-reito à progressão e à promoção,condicionando-o ao uncionamen-to de um sistema de avaliação dedesempenho injusto e à discricio-nária vontade dos dirigentes dosserviços.
 Actualizações 2009
O Governo publicou em 31 de Dezembro a tabela remuneratória única dos traba-lhadores que exercem unções públicas e a actualização os índices 100 de todas asescalas salariais (portaria n.º 1553-C/2008) e a revisão anual das tabelas de ajudasde custo, subsídios de reeição e de viagem, bem como dos suplementos remune-ratórios e a actualização das pensões de aposentação e sobrevivência, reorma einvalidez (portaria n.º 1553-D/2008), de que resultam os seguintes valores:• Actualização dos índices 100 – 2,9%• Subsídio de reeição – 4,27 euros• Pensões de aposentação:– Até 1,5 IAS (Indexante dos apoios sociais) – 2,9%– Entre 1,5 e 6 IAS – 2,4%– Entre 6 e 12 IAS – 1,5%– Mais de 12 IAS – 0%O Salário Mínimo Nacional oi actualizado para 450 euros (Decreto-Lei nº246/2008, de 18.12).
Moveaveiro
Defender o AEe a gestãopública
O atraso na conclusão do acordo de empresana
Moveaveiro
e a intenção de privatizar a empre-sa motivaram o protesto da Direcção Regional doSTAL que avisou estar disposta a encetar todas asformas de luta para defender os direitos dos traba-lhadores e salvaguardar o serviço público.Reagindo às declarações Pedro Ferreira,presidente da
Moveaveiro
e vereador na Câma-ra, o STAL lembrou o compromisso assumidopela autarquia de não proceder a qualquer alte-ração ao estatuto daquela empresa municipalsem consulta prévia ao sindicato. Neste senti-do, considerou inaceitáveis as afirmações da-quele eleito que tentou justificar a privatizaçãoinvocando o estafado argumento das dificul-dades orçamentais e a alegada «falta de voca-ção» da autarquia para gerir transportes.O STAL sublinha que tal «falta de vocação»significa, no mínimo, o reconhecimento por par-te deste responsável da sua própria «incapaci-dade para o desempenho de uma das principaisfunções para que os autarcas são eleitos».Por outro lado, o Sindicato jamais pactuará coma tentativa de associar e fazer depender a conclu-são do processo de negociação do acordo de em-presa da
Moveaveiro
da sua privatização.O STAL acusa a administração de atrasar aconclusão do acordo de empresa, lembrandoque, após a reunião negocial realizada e emJunho, só em 15 Dezembro recebeu uma pre-tensa «contraproposta», através da qual a em-presa pretendia alterar «matérias já acordadas,claramente expressas na acta de consolidaçãoassinada em 18 de Junho de 2008».
Higiene urbanado Porto
Privatizaçãoameaça direitos
 
JAnEIRO 2009
  jornal do 
 
STAL
Editorial
 Anode Luta
e combate
públicos
Inlexibilidadee imposição
Lamentavelmente, no simulacro denegociações com os sindicatos, o go-verno revelou mais uma vez uma ati-tude inlexível, abrindo e encerrando oprocesso sem evoluir na sua propos-ta inicial de 2,9 por cento, que acaboupor impor unilateralmente apesar dosprotestos da Frente Comum e da ge-neralidade dos trabalhadores.Não obstante, mesmo esta actuali-zação insuiciente constitui o resulta-do da intensa luta travada no sector. Agarrado a uma previsão da inla-ção de 2,5 por cento, o Governo ezcrer que os trabalhadores terão algumganho salarial, omitindo que as su-as previsões nos últimos anos oramsempre ultrapassadas pela realidadedos preços sem que essa dierençatenha sido compensada.Maniestando o seu repúdio e con-denação pela atitude anti-negocial dogoverno, a Frente Comum entregou,27 de Novembro, na residência oicialdo primeiro-ministro um abaixo-assi-nado subscrito por mais de 45 mil tra-balhadores da Administração Pública.
Intensificara acção, fortalecera luta
O Conselho Geral do STAL,reunido em 28 de Novembro,considerou que «o ano de2008 ica marcado pela maisbrutal oensiva levada a caboapós o 25 de Abril contra di-reitos undamentais dos tra-balhadores da AdministraçãoPública».Particular preocupação sus-cita a previsível entrada em vi-gor no início do ano dos diplo-mas de revisão do regime devínculos, carreiras e remunera-ções e do contrato de trabalhoem unções públicas.O STAL considera que estesdois diplomas promovem «adesregulamentação da legis-lação laboral no sector, a reti-rada de direitos, a degradaçãodos salários, o aumento daprecariedade laboral e a limita-ção dos direitos sindicais», su-blinhando que esta estratégiado governo é secundada pormuitos «autarcas que na mes-ma senda desrespeitam direi-tos laborais, violam a liberda-de sindical e intensiicam ca-minhos privatizadores».O Conselho Geral do STALconsiderou undamental in-tensiicar os caminhos de lutados trabalhadores, de ormaa que, para além das acçõesque se impõem no plano cen-tral, sejam criadas condiçõesnos locais de trabalho paraimpedir a aplicação da no-va legislação sempre que nãoestejam garantidas condiçõesmínimas.Designadamente, o Sindica-to risa que deve ser previa-mente «assegurada a vincula-ção de todos os trabalhadoresque vêm desempenhando un-ções permanentes» a «reclas-siicação dos que desempe-nham unções de responsabi-lidade superior» e concretiza-das «as promoções e progres-sões dos trabalhadores quepara elas tenham módulos detempo necessário.»No plano jurídico, o STALapoiará e desenvolverá as ac-ções necessárias com vista àdeclaração da inconstitucio-nalidade maniesta de váriasnormas da presente legisla-ção.
CGTP-IN reclamaruptura compolíticas neoliberais
 A CGTP-IN maniestou preocupação em relação a algumas me-didas do pacote «anti-crise» do Governo e avançou um conjuntode propostas para estimular a economia e avorecer a resolução deconlitos nos locais de trabalho.Em conerência de imprensa realizada dia 26 de Dezembro, acentral sindical considera que «a resposta aos problemas que opaís enrenta não pode passar pelo enraquecimento da seguran-ça social».Pelo contrário, a superação dos entraves ao desenvolvimento eco-nómico e social do país exigem, segundo a CGTP-IN, uma rupturacom «o pensamento e práticas políticas neoliberais até agora domi-nantes, a protecção do emprego e dos salários, a deesa da nego-ciação colectiva, das pensões de reorma e da protecção social». A prevenção dos despedimentos e a aposta no investimento pú-blico são aspectos prioritários para a CGTP-IN, que exigiu a deini-ção de «princípios, orientações genéricas e medidas precisas sobrea concessão de avais a instituições inanceiras, uma vez que estáenvolvido o dinheiro dos contribuintes».
O
ano de 2009 será marcado por três actoseleitorais. Depois das europeias, virão as eleiçõeslegislativas e as autárquicas. O tempo é pois debalanço, em primeiro lugar, do que representaram paraos trabalhadores os anos de governação «socialista»,que contou com uma maioria absoluta na Assembleiada República.E só pode ser negativo o balanço de um governo quede imediato abandonou promessas eleitorais, traindoas expectativas de milhares de trabalhadores, e levoua cabo uma das maiores ofensivas, senão mesmo amaior, contra os direitos laborais e sociais.
A
 
chamada «reforma» da Administração Pública, a
pretexto da «ecácia» e do combate ao déce, traduziu-se anal numa imensa obra de desmantelamento de
serviços públicos essenciais, de retirada de direitoslaborais, de desregulamentação das leis do trabalho edegradação do poder de compra dos trabalhadores.Uma imensa obra da qual resultou o empobrecimentodas camadas mais desfavorecidas da população, emprofundo e gritante contraste com o enriquecimentocrescente de uma pequena casta de privilegiados e depoderosos, de quem José Sócrates e seus acólitos se
assumiram como éis servidores.
M
as se os ataques aos direitos laborais foram dosmais violentos de que há memória, também a respostados trabalhadores e das populações proporcionou
mobilizações nunca antes vistas em Portugal pela
frequência e dimensão.Só a acção intensa e determinada dos trabalhadorestem podido travar a marcha acelerada das políticas
neoliberais de José Sócrates, obrigando-o a recuos
em diversas matérias cruciais, de que são exemploso aumento da jornada semanal de trabalho naAdministração Pública para as 40 horas ou asrestrições à liberdade sindical.
N
um ano em que em que a conjuntura económicaé marcada por uma das mais graves crises docapitalismo, engendrada pelo carácter insanável dascontradições próprias do sistema explorador, novas
diculdades se abaterão sobre os trabalhadores.
Ao mesmo tempo será de esperar que o governoe o partido que o sustenta lancem campanhasdemagógicas e anunciem medidas eleitoralistas com
o propósito de branquear e fazer esquecer anos de
governação injusta, imoral e desastrosa para o País.Não podemos ter a memória curta. A luta nas ruas enos locais de trabalho pelos direitos, pelos salários
e pelos serviços públicos continuará a intensicar-se e deverá expressar-se nas urnas por uma política
diferente, socialmente mais justa, que respeite quemtrabalha, efective os direitos e garanta serviçospúblicos de qualidade para todos!
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