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 Revista de Ideias e Estudos
Julho de 2007número 27
TABELAS DE VENCIMENTOS E DESCONTOSESTATUTO REMUNERATÓRIO
E OUTRAS QUESTÕES PECUNIÁRIAS 
TABELAS DE IRSESCALAS INDICIÁRIASREMUNERAÇÕES DOS ELEITOS LOCAIS
ACTUALIZAÇÕES
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EDITORIAL
Umbalanço33 anosdepoisde Abril
N
o início de mais um ano em que oGoverno impôs novamente aosfuncionários públicos um aumento salarialde 1,5% importa relembrar a todos, obalanço de perdas e ganhos salariais dosfuncionários públicos nos últimos 33 anos.A análise que iremos fazer, no seguimentoda efectuada no ano passado, inicia-secom o 25 de Abril de 1974, porquenaturalmente a revolução de Abril significouuma ruptura profunda com o períodoanterior, e a evolução dos salários e dopoder de compra dos trabalhadores daadministração pública a partir daí espelha,pelo menos nos primeiros anos, essamesma realidade.Nos vários gráficos com que ilustraremosesta análise usaremos o escudo comounidade monetária porque ele constituiainda para muitos a unidade monetária dereferência, no entanto nos quadros A e B osvalores que apresentamos surgem quer emescudos, quer em euros.Para o balanço que queremos fazer oGráfico 1 é elucidativo. Da sua leituraressaltam os seguintes dados:•Em 1974 o salário mínimo mensalpraticado na administração pública era de3 800 escudos, enquanto o salário mínimonacional, instituído com a revolução deAbril para vigorar na indústria e nosserviços, era de 3 300 escudos. Umtrabalhador da administração pública queauferisse o salário mínimo em vigor nafunção pública, ganhava, em 1974, mais15,2% do que um trabalhador na mesmasituação a trabalhar na indústria ou nosserviços;•Dez anos depois, em 1984, a diferençaentre o salário mínimo praticado naadministração pública e o salário mínimonacional reduziu-se para 6,4%. Estávamosentão em pleno governo do Bloco Centrale vivia-se a primeira grande criseeconómica pós 25 de Abril e com ela, deforma deliberada e sistemática, osprimeiros ataques às conquistas de Abril,
Saláriosna administração
 
Em dois anos e meio, José Sócrates e oseu Governo prepararam e têm vindo alevar a cabo um processo de desmantela-mento da Administração Pública que ficaráseguramente inscrito na história recente danossa democracia como o mais violento e omais destruidor, sobretudo no que concerneà retirada de direitos laborais e sociais aostrabalhadores e às populações.Estamos perante um inqualificável proces-so de subversão do modelo social do Estadoconstruído após a Revolução de Abril de1974 e de desregulamentação das leis labo-rais, que viola sem pudor a própria Consti-tuição da República, fere profundamente aDemocracia e serve claramente os interessesdos poderosos e do grande capital na sua avi-dez lucrativa sobre os serviços públicosessenciais que ao Estado estão acometidos. Neste processo, a arrogância, a prepotênciae a intolerância são cada vez mais visíveis,agora ainda mais patentes na tentativa de alte-ração da lei sindical, projecto que claramentevisa limitar a liberdade sindical dos trabalha-dores e dos seus sindicatos, afinal aqueles quecom a sua luta têm contestado firmemente osintentos destruidores do Governo. No momento em que se publica mais esteBoletim, integralmente dedicado às carrei-ras, vínculos e remunerações, corre o pro-cesso de revisão do actual sistema, atravésdo qual o Governo pretende destruir por completo o vínculo público, generalizar oContrato Individual de Trabalho, introduzir os despedimentos na Administração Públi-ca, limitar os direitos de progressão e pro-moção, congelar salários, reduzir carreiras profissionais e generalizar a polivalênciafuncional.Um rol de malfeitorias contra os trabal-hadores, mas também contra as populaçõese o país, porquanto estamos perante legis-lação fulcral no processo de desmantela-mento da Administração Pública e des-truição dos direitos sociais.Os trabalhadores e as populações nãoesquecerão seguramente este Governo amaioria parlamentar que lhe dá cobertura. Nos próximos tempos, na luta que vamosseguramente continuar a travar, e na horado voto, quando a ele formos chamados!
 José Alberto Lourenço, economista
 
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Gráfico 1
- Salário Mínimo Nacional e Salário Mínimo Administração Pública(preços correntes)
0100002000030000400005000060000700008000090000
   (  e  m   e  s  c  u   d  o  s   )
SMN
3300 7500 15600 31500 49300 61300 75120 77360
SMAP
3800 8000 16600 35390 46950 56959 63585 645391974 1979 1984 1989 1994 1999 2005 200680764655102007
e poder de comprapública
 Fonte: quadro n.º1
que nos levariam em final de 1985 ao primeiro governode Cavaco Silva.•Dezassete anos depois do 25 de Abril de 1974, nomomento em que se inicia o segundo período de criseeconómica nacional, já em pleno consulado de CavacoSilva, o salário mínimo nacional iguala praticamente osalário mínimo da função pública – 40100 escudos é,em 1991, o salário mínimo nacional, enquanto o índice100 do regime geral da administração públicacorresponde a 40200 escudos. (Ver Quadro A).•Desde este ano (1991), a perda de poder de comprarelativo do salário mínimo praticado na administraçãopública, comparativamente com o salário mínimonacional, tem sido contínua, de tal forma que hoje, em2007, essa diferença é já de 18,9% - o salário mínimonacional eleva-se a 403 euros, enquanto o saláriomínimo da administração pública se fica pelos 326,75euros.•Para termos a noção da dimensão da perda de poderde compra do salário mínimo da administração públicaao longo de todo este tempo, vejam-se as colunas doQuadro A e o Gráfico 2, referentes ao valor dessesalário a preços constantes de 1990, para os anos de1974 e 2007. A perda do poder de compra nesteperíodo foi de 32,5%, enquanto o salário mínimonacional, registou uma quebra em idêntico período de4,1%.•Uma outra nota para referir que o actual Governo doPartido Socialista, desde que entrou em funções eminícios de 2005, tem conseguido a proeza de aprovaraumentos para a Administração Pública sempre inferioresà inflação, o que tem conduzido naturalmente acontínuas quebras do poder de compra dos funcionáriospúblicos. Só em 2006, essa quebra foi de 1,6%,
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