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PROBLEMAS
Idosos e deficientes vivem num espaço a pedir obras
Gina Pereira, João Girão
Idosos e deficientes vivem num espaço a pedir obras
e viola ao ombro, Sara Ferreira, 22 anos, percorre, semanalmente, todas as camas das enfermarias daMansão de Marvila, em Lisboa, onde vivem 146 idosos e pessoas com deficiência, algumas há dezenasde anos. Durante três horas, Sara toca e canta músicas que fazem parte do imaginário dos doentes. Coma sua música, procura "humanizar" um espaço que não tem as mínimas condições tectos e paredespejadas de humidade, janelas podres por onde entra o frio no Inverno e (poucas) ventoinhas que tentamdisfarçar o calor no Verão. Uma só casa de banho para uma enfermaria com 30 pessoas e sem dimensãopara o acesso em cadeira de rodas.A funcionar num edifício construído no século XVII, a Mansão de Santa Maria de Marvila pertence àSegurança Social que, em Outubro de 2004, decidiu entregar a gestão do equipamento à Fundação D.Pedro IV, uma instituição particular de solidariedade social. Vasco do Canto Moniz, presidente dainstituição, diz que tinha consciência das carências do espaço mas, ainda assim, decidiu aceitar o"desafio". Passado mais de ano e meio do acordo, tece duras críticas ao Governo pela falta de apoio àsobras de recuperação do edifício.A necessidade de obras, calculadas em mais de 1,6 milhões de euros, é reconhecida em relatórios daInspecção Geral da Segurança Social. Numa auditoria realizada em Julho de 2004, os inspectoresconsideraram que "toda a mansão está carenciada de obras muito urgentes", reconhecendo o "estado dedegradação" do edifício e os riscos que isso implica para quem lá vive e trabalha.A reparação da rede de esgotos, do sistema eléctrico e a instalação de um sistema de segurança eprevenção contra incêndios foram apenas alguns dos problemas apontados. As deficientes condições defuncionamento, com problemas ao nível da prestação de cuidados básicos, foram consideradas"altamente prejudiciais para a saúde e bem estar dos utentes".Desde que assumiu a gestão da mansão, a Fundação D. Pedro IV tem vindo a fazer algumas obras noedifício e já recuperou duas enfermarias, uma das quais estava fechada por falta de condições.Contudo,Vasco Moniz diz que não pode avançar com todas as obras sem que o Governo se comprometacom uma calendarização do apoio financeiro."Já devíamos ter sido chamados há muito tempo para arranjar uma calendarização que permitisse tornar as coisas mais fáceis", diz, garantindo que vai avançar com as obras que considera "urgentes eindispensáveis ". O responsável admite que as condições de acolhimento dos doentes não são asmelhores, mas atira a responsabilidade para o Governo que, durante anos, permitiu que a degradaçãoalastrasse.Uma das enfermarias já recuperadas está a ser utilizada no âmbito de um acordo celebrado com oHospital de Santa Maria, que encaminha doentes em recuperação, mediante o pagamento de uma diária.A outra, com 25 camas, deverá ser transformada, até ao fim do ano, numa unidade de cuidadoscontinuados de média e longa duração, no âmbito de uma candidatura feita ao programa "Saúde XXI", doMinistério da Saúde.Enquanto as obras não chegam a todos os cantos da casa, Sara Ferreira, a jovem professora de música,vai tentando alegrar os doentes. "Trazer os sentimentos ao de cima" e dar-lhes "qualquer coisa que oschame" são os seus objectivos. Não quer que estejam só a "ver passar a vida".
Sara Ferreira visita, semanalmente, a mansão eprocurar "trazer ao de cima os sentimentos dosidosos"
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