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MEDO, AMOK E XADREZ
STEFAN ZWEIG©1920,1922,1941 Título original:Angst; Der Amokläufer; Schachnovelle Tradução de Lya Luft e Pedro Süssekind
 
"[Stefan Zweig tem] esse demônio, detudo ver e saber e de viver todas as vidas,que fez dele um peregrino apaixonado e empermanente viagem."Romain RoflandEste volume reúne três obras-primasde Stefan Zweig, um dos mais profícuos efestejados autores europeus do século XX.“Medo” de 1920, é um dos seus primeirostextos ficcionais e mostraa angústia de uma jovem mulher quese debate entre uma vida de aparências euma exisncia secreta. Em "Amok", de1922, um médico conta como o pedido deuma grávida para que realizasse um abortoo precipitou em uma espiral de perdição. Eem "Xadrez", de 1941, o autor, às vésperasde fugir para o exibo, parodia onazifascismo: em um navio rumo a BuenosAires, Mirko Czentovic, campeão mundialde xadrez, enfrenta Dr. B., austríaco emfuga do regime nazista. Por meio doembate enxadrístico discutem-se aresistência humana às adversidades, aloucura e a derrocada do mundo frente aototalitarismo.Nos três textos, está presente omelhor de Zweig: a descriçãopsicologicamente profunda do ser humanoem conflito com o mundo e consigomesmo, bem como a reflexão sobre amorte.Stefan Zweig (1881-1942) nasceu emViena. Na década de 1920, tornou-se umescritor de grande sucesso. Em 1941, emfunção do recrudescimento do nazismo naEuropa, mudou-separa Petrópolis (RJ),onde cometeu suicídio junto com a mulher.
 
MEDO
 Tradução de Lya LuftQUANDO DESCIA As escadas doapartamento de seu amante, Irene foioutra vez dominada por um medoinsensato. De bito um rculo negrozunia diante de seus olhos, os joelhoscongelaram-se numa paralisia horrenda,ela teve de agarrar-se rapidamente nocorrimão para não cair para a frente. Nãoera a primeira vez que ousava aquela visitaperigosa, esse calafrio repentino não lheera estranho; apesar de tentar resistirinteriormente, a cada volta para casa elaera vítima desses inexplicáveis ataques deum medo insensato e riculo. Vir paraaqueles encontros era muito mais cil.Mandava o carro parar na esquina, corriadepressa, e sem erguer os olhos, aquelespoucos passos até o portão da casa, esubia rapidamente os degraus sabendoque ele esperava dentro, ats daporta que se abria depressa, e esseprimeiro medo, no qual também ardia a
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