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GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESAPROF. DANIEL DA SILVA MARTINS
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LETRAMENTO, GÊNEROS TEXTUAISE SUASDIMENSÕES SOCIAIS.
Eliege Dela Justina
Os estudos sobre letramento num contexto mais amplo, superando as noções deum saber escolarizado, e remetendo às práticas sociais de leitura e de escrita, é quemotivaram a elaboração trabalho, que procura relacionar letramento e gêneros dodiscurso, na medida em que o segundo também remete às esferas sociais de uso dalíngua. Neste sentido parece possível abordar estes dois temas a partir da idéia de que onível de letramento pode ser avaliado sob a ótica das diferentes estratégias deleitura/escrita dos gêneros textuais.Di Nucci (2001) chama atenção para o fato de que, se começam a existir novasdemandas de uso da escrita em uma sociedade que se torna cada vez mais grafocêntrica,não basta mais somente aprender a ler e a escrever, é preciso usar a escrita no cotidiano.São as necessidades sociais que determinam o aprimoramento dos usos sociais da leiturae da escrita nos diferentes gêneros. O que a autora destaca interessa aqui por remeter exatamente à questão de letramento e gênero: ter competências para usar a leitura e aescrita nas práticas sociais implica falar diretamente dos gêneros discursivos, pois a prática social de uso da língua pressupõe o uso de um gênero.Documentos oficiais de ensino já contemplam propostas de práticas de ensinoem língua materna a partir dos gêneros discursivos, numa visão de ensino mais voltadaàs práticas sociais de uso da língua e, portanto, já pretendendo desenvolver o nível deleitura/ letramento. O que parece insipiente, porém, é a transposição didática (ROJO,2000). A ausência do gênero na sala de aula é também um problema de letramento. O professor, sem formação adequada e informação suficiente, não apresenta um nível deleitura que lhe possibilite ampla compreensão do documento oficial de ensino. Por conseguinte, acontece uma repetição no trabalho com o ensino de língua na sala de aula:ainda é somente o gênero escolarizado de escrita e leitura que se ensina e se aprende. Háuma distância entre o que dizem estes documentos e a prática efetiva do professor.
 
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6Então, pode-se levantar a hipótese de que há um problema de nível de letramento, poisestas propostas curriculares ou parâmetros ainda se mostram ilegíveis aos professores. Não se trata mais da discussão reduzida a questionar se o professor é ou nãoleitor. Há muitos trabalhos na área que já comprovaram que o professor é um leitor.Brito (1998, p. 68) afirma que ser leitor, para o professor, não é simplesmente reduzir oconceito a alguém que desenvolve uma habilidade individual e que, segundo o autor, ésó uma questão de postura e de hábito, bastando então, vontade e determinação.
1. Letramento
A escrita, numa perspectiva histórica, surgiu há mais de 5.000 anos antes da eracristã e, durante muito tempo, significou o poder dos burocratas e religiosos, já que ocidadão comum não tinha acesso à leitura e à escrita. Com o desenvolvimento dassociedades, no entanto, o domínio da leitura e da escrita passou a ser uma necessidadeemergente, o que provocou o surgimento de práticas de alfabetização. O histórico dodesenvolvimento das sociedades marcou significativamente o percurso da alfabetizaçãonas sociedades grafocêntricas.De maneira geral, durante o período da industrialização, a alfabetização ocorreuseparando os indivíduos dos usos sociais da escrita, numa prática descontextualizadadas práticas sociais cotidianas. À medida em que novas condições sociais passam aexigir o uso da leitura e da escrita, novas necessidades se configuram: ler e escrever não podem ser apenas habilidades de codificação e decodificação, é preciso usá-lasefetivamente na vida diária. Ora, práticas sociais diárias exigem o uso da leitura e daescrita nos diferentes gêneros e não somente como tecnologias (KLEIMAN, 1995).Segundo a autora, a alfabetização é a área que trata da aquisição da leitura e da escrita,mas com os estudos sobre o seu impacto social é que surgiu o termo letramento.
 
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7É importante esclarecer que alfabetização, escolarização e letramento sãoconceitos distintos e têm características próprias, mas devem se interligar, quando setem em vista as práticas sociais de leitura e de escrita. Para Di Nucci (2001),
a alfabetização ocorre na instituição escolar e envolve o domínio sistemático dashabilidades de ler e escrever. A escolarização, por sua vez, é uma prática formal einstitucional de ensino que visa à formação integral do indivíduo, sendo a alfabetizaçãoapenas uma de suas atividades. A escola tem projetos amplos, ao passo que aalfabetização é uma habilidade restrita. Ampliando a concepção de escrita para fora docontexto escolar, o letramento envolve a aprendizagem social e histórica da leitura e daescrita em contextos informais e os usos contextualizados no cotidiano do indivíduo.(p. 54)
Hoje, não há como pensar em escolarização, alfabetização e letramento comofatores desvinculados um do outro, pois é importante tomar a alfabetização a serviço doletramento. E o letramento como prática deve tomar como objeto de ensino a línguacomo viva, dinâmica, os usos que dela se fazem, o seu caráter dialógico. Dessa forma,acaba-se por chegar aos gêneros do discurso, tomando-os numa relação com as práticasde letramento.Kleiman (1995) define letramento como o conjunto de práticas sociais que usama escrita enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos e para objetivos específicos.Já Soares (apud LEITE, 2001, p. 27), em estudo mais recente, definiuletramento como resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e a escrever, ou seja, oestado ou a condição que adquire um grupo social ou indivíduo como conseqüência deter se apropriado da escrita. Para Soares, essas práticas têm efeito sobre os indivíduos eos diferenciam daqueles que não têm acesso às referidas práticas. Segundo a autora “oque muda no indivíduo que apresenta um bom nível de letramento é o seu lugar social,ou seja, muda a sua forma de inserção cultural na medida em que passa a usufruir deuma outra condição social e cultural”.Ainda seguindo Soares (1998, p. 15), há que se identificar no conceito deletramento as dimensões social e individual. A dimensão individual relaciona-se com as
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