acontece a muitos pais, guardo no fundo do coração um filho preferido:chama-se David Copperfield.1869.
Este é o final do 2.o prefácio. As linhas que o antecedem são iguais ao 1.o prefácio.
O AUTOR E A SUA OBRA
Em 1812, ano em que nasceu Charles Huffam Dickens, a Inglaterraatravessava uma época decisiva na Sua história. A Inglaterra rural,indolente e alegremente resignada, transformava-se na Inglaterra industrialde meados do séc. XIX, envolta em fumo e névoa, mas dinâmica e sedentade progresso material. Nas recordações de infância, de Dickens, o ruídosaltitante das últimas diligências rolando pelo empedrado das estradas de província já se confundia com o roncar das máquinas a vapor das fábricas ecom o longo silvo das primeiras locomotivas. Dickens nasce com ummundo novo. Tudo o que é velho começa a vacilar. Há um quarto de séculoque uma onda de revolução salpica de vermelho todas as velhas nações. Nailha, pelo contrário, a classe governante, mais consciente dos problemaseconómicos, conseguiu avaliar melhor a situação social e, cedendo privilégios políticos, evitou a guerra civil. No entanto, em nenhum outro país os operários foram pior tratados: tugúrios, quinze horas diárias detrabalho, crianças de cinco anos nas fábricas... A Inglaterra não estavaainda despida das escandalosas diferenças sociais que provocaram arevolução no continente! Apesar disso, as mudanças efectuaram-se progressivamente num sentido que ninguém no continente pôde sequer prever: A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL.Torna-se necessário, destacar a situação do mundo em que Dickensnasceu e viveu, porque poucos homens foram fruto do seu tempo com aintensidade com que Dickens o foi, nem tão solidários para com oambiente em que nasceram. Houve quem dissesse que Dickens constituiuuma causa importante para que a Inglaterra não sofresse uma revoluçãocomo as que assolaram o resto da Europa,. Eu chego ao ponto de afirmar que ele e a sua obra representam uma mentalidade que torna impossíveis asrevoluções.
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