as Sagradas Escrituras:
"Porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas..."
(Rom 11:36).
"Toda a dádiva excelente e todo o dom perfeito vêm do alto e descende do Pai das Luzes..."
(Tg 1: 17).É por isso que invocando Jesus, Luz do Pai, através do Qual temos acesso ao Pai, princípiode toda a Luz, elevemos nossos olhos tanto quanto pudermos até as iluminaçõesprovenientes das Sagradas Escrituras e iniciemos na medida das nossas forças, noconhecimento da hierarquia das inteligências celestes tal como nos revelam as própriasEscrituras:
"(O Verbo) era a Luz verdadeira, que ilumina
todo o homem que vem a estemundo"
(Jo 1:9).Os santos que primitivamente regularam os nossos ritos religiosos, organizaram a nossahierarquia sagrada segundo o modelo das hierarquias celestes. Essas hierarquias encontram-se revestidas na sua descrição de uma variedade de figuras e formas materiais para queelevemos a nossa compreensão de forma analógica desses símbolos, às realidadesespirituais, das quais esses símbolos são apenas imagens.De fato, é para nós impossível a contemplação das hierarquias celestes sem utilizarmosmeios materiais adequados a nossa natureza para nos guiarmos nessa contemplação. Abeleza manifesta-se na harmonia das figuras, os aromas agradáveis representam ailuminação intelectual, a luz material representa a efusão de luz imaterial e a recepção daSanta Eucaristia manifesta a participação em Jesus.A nossa própria hierarquia imita a hierarquia celeste o tanto quanto possível enquantoinstituição humana, a fim de que ela entre em colegialidade com o sacerdócio angélico.
Capítulo II.
É
necessário que elevemos a nossa compreensão a partir das alegorias com as quais asinteligências celestes nos são representadas nas Sagradas Escrituras, a fim de nãodeduzirmos como pensaria qualquer pessoa desprevenida, que as inteligências celestes têmvários pés e vários rostos, que elas se assemelham ao gado como os bois, que apresentam oaspecto selvagem do leão, o bico curvo da águia, ou ainda, que possuem asas e penas comoas aves. Não devemos imaginá-las como rodas inflamadas girando no céu, como guerreirosa cavalos armados de lanças, nem sob outras formas que as Sagradas Escrituras nostransmitem através de uma variedade de símbolos reveladores.Se os teólogos aplicaram essa imaginação poética às inteligências celestes foi porquetiveram em conta o caráter humano da nossa inteligência, a fim de nos proporcionarem ummeio de elevação espiritual adaptado a nossa natureza.
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