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1. Introdução
Neste artigo realizamos um ensaio sobre as representações referentes à cura num“ex-ponto” ou “ex-filial”
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de um grupo da Barquinha, uma das principais religiõesayahuasqueiras brasileiras, isto é, instituições que utilizam a bebida psicoativaayahuasca
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em seus rituais. Os termos “ex-ponto” ou “ex-filial” são utilizados, pois setrata de um ensaio sobre um grupo da Barquinha que não existe mais. Logo, tentamosresgatar as representações simbólicas sobre a cura neste grupo através de algumasvisitas ao local onde eram realizados os rituais da Barquinha e também através deentrevistas abertas com pessoas que freqüentavam o local na época em que estefuncionava como centro ayahuasqueiro, mas principalmente com o Senhor Edmir Limade Oliveira –massagista, pintor e artesão que trouxe a Barquinha para Brasília–DF,cidade onde se deu nossa pesquisa de campo– e com sua esposa, Senhora Ivonete Limade Oliveira. Suas falas, bem como a de outros entrevistados, encontram-se destacadasem
itálico
no corpo do texto.O trabalho de campo ocorreu de forma não-contínua entre abril de 2004 enovembro de 2005, e foi realizado utilizando-se métodos da antropologia, daetnobotânica e da psicofarmacologia, semelhante a outros trabalhos que abrangemtemas semelhantes (Furst 1994; Rodrigues & Carlini 2003). Este artigo baseou-se,sobretudo, em observações participantes em rituais de outras religiões ayahuasqueiras
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edurante encontros com Edmir, daí a especificidade deste ensaio.Hoje em dia Edmir continua realizando massagens, pinturas e outros trabalhosartesanais, não mais coordenando nenhum ritualoficial com a ayahuasca.Digo “oficial” pois,em alguns episódios especiais, alguns centros ayahuasqueiros familiarizados como trabalho de Edmir o convidam para cantar seu hinário, que é uma coleção de seushinos, que não são músicas simplesmente compostas, mas sim
recebidas
,consideradascomo instruções provenientes de outros planos,do
invisível
, ou do
astral
. Nestascerimônias, que não têm uma periodicidade constante, Edmir consome a ayahuasca em poucas quantidades:
se eu quiser tomar pouco eu tomo, se quiser tomar muito, tambémtomo, mas a bebida não é essencial,
afirma. Parte de nossos trabalhos de campo se deunestas ocasiões.Algumas das poucas pessoas que continuaram com Edmir realizam em sua casa,aos domingos, um ensaio de seu hinário.Nestas ocasiões – onde também ocorrem rezas
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