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Anarquismo e Ontologia - Vaccaro

Anarquismo e Ontologia - Vaccaro

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Published by: Racquell Silva Narducci on Oct 22, 2012
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91
 
ISSN 0104-8015
POLÍTICA & TRABALHO
Revista de Ciências Sociais, n. 36 - abril de 2012 - pp.91-102
 ANARQUISMO E ONTOLOGIA 
1
 ANARCHISM AND ONTOLOGY 
Salvo Vaccaro
Università degli Studi di Palermo (Itália)
Resumo
O artigo aborda as relações entre anarquismo e ontologia. Apreende as múltiplas deniçõesde losoa dando particular ênfase à denição ontológica dedicada à busca da verdade do
ser. Propondo considerar o anarquismo em sentido plural, isto é, entendê-lo como forma-ção discursiva que integra elementos de teorização e de prática política, o autor argumenta
que as possibilidades de uma conjunção entre anarquismo e losoa
é possível quando
o operada em termos ontológicos, fora das losoas substantivistas.
Palavras-chave:
anarquismo, losoa, ontologia, devir
 Abstract
 The article discusses the relationship between anarchism and ontology. It captures many 
denitions of philosophy with particular emphasis on the ontological denition; dedicated
to seeking the truth of being. Proposing a consideration of anarchism in the plural sense,understanding it as a discursive formation which integrates elements of both theory andpolitical practice, the author argues that the possibility for joining anarchism and phi-losophy is only possible when not done in ontological terms and outside of substantivistphilosophies
Keywords:
anarchism, philosophy, ontology, becoming 1 Tradução do original em italiano por Nildo Avelino.
 
92
 Anarquismo e ontologia
 Anarquismo e losoa. Comecemos interrogando o estatuto da con-
Comecemos interrogando o estatuto da con-junção
. Ou tratar-se-ia de uma é copulativa? Todavia, para ambos os casosserá necessário compreender primeiramente os dois termos polares desteenunciado para em seguida coligá-los em uma relação cuja natureza nos dirá osentido desse
e/
é. Parece que compreender o
anarquismo
constitua uma tarefamais fácil que compreender o que é a
 losoa 
no nosso mundo conceitual eocidental desde Platão. Será mesmo? Iniciemos pela última.
Existem múltiplas denições de
 losoa 
, para uma aproximação inicialretomaremos três
. A primeira permite uma coincidência entre saber losóco
e saber
tout court 
, isto é, o conhecimento das coisas naquilo que são; não tantoa análise da atividade do pensamento no seu substrato material (o hardware,diríamos hoje), mas a análise das construções de pensamento que servem paraenquadrar o objeto e seu conteúdo (as categorias aristotélicas como softwa-údo (as categorias aristotélicas como softwa-(as categorias aristotélicas como softwa-élicas como softwa-licas como softwa-
re). Essa denição tem a vantagem de nos recordar uma continuidade desde
a antiguidade, passando pela cosmologia renascentista e chegando até Kantque a inova no que concerne a atitude
crítica 
da análise los
ó
ca. Quando essa
aná
lise los
ó
ca assume em ‘
leasing 
’ (para usar um termo contemporâneo)critérios
de verica
ção de natureza cientí
ca, transferidos das ci
ências exatas
no plano do pensamento, então, da modernidade em diante, a losoa torna
--se epistemologia.
 A segunda denição permite a superação dessa atividade de conheci-
ção permite a superação dessa atividade de conheci-permite a superação dessa atividade de conheci-ção dessa atividade de conheci-dessa atividade de conheci- mento que não aceita mais limitar-se em decifrar as razões da realidade expe-ão aceita mais limitar-se em decifrar as razões da realidade expe-aceita mais limitar-se em decifrar as razões da realidade expe-ões da realidade expe-da realidade expe- rimental (mediatizada ora pelo uso da lógica, ora pelo uso dos sentidos) paraprojetar-se para além dela, ou seja,
metà fusikà 
. A metafísica investiga medianteo uso exclusivo da lógica racional – ainda que construída em certo modo em
anidade com aquilo que será posteriormente chamado
teologia 
– tudo o queultrapassa a mera recepção de sentidos, para perceber além deles um espírito,uma ideia cuja visibilidade (para Platão é uma tautologia) oferece a verdadeirarazão da compreensão do real na medida em que evidencia o dispositivo ori-ão do real na medida em que evidencia o dispositivo ori-real na medida em que evidencia o dispositivo ori-ginário que o anima, que o faz existir e o autoriza reproduzir-se.
 A terceira denição, enm, dessa r
ápida e panorâmica [abordagem] é a
singular atividade losóca que busca a substância de toda coisa contida nos
objetos do pensar, uma substância necessariamente única que se oculta portrás do visível, daquilo que se apresenta: ou seja, a ontologia busca o ser nofundo do ente, um fundo profundo que o funda, sofre a inaceitabilidade dasua existência pensada, da sua mera existência enquanto ente.Como está claro, não pretendo afrontar a questão terminológica da
losoa, que frequentemente remete ao amor à sabedoria, do grego
filo$
e
sofo$
. Entretanto, Reiner Schürmann, em uma passagem que neste momen-
 
93
 VACCARO
to é impossível analisar e vericar adequadamente, sustenta que “o
filein
signica não
amar 
, mas
apropriar-se 
sofo$
, em latim
suus 
,
sien 
 ). O
 philosophos 
 é aquele que persegue um saber para torná-lo seu” (Schürmann, 1996, p. 67).Façamos uma pausa e passemos ao outro extremo da questão, isto é, oanarquismo
. O anarquismo é uma losoa? E o seria de uma maneira distintaou no interior de uma corrente especíca?
É difícil encerrar em um único corposingular, ‘o’ anarquismo, todos os protagonistas e propostas visivelmente pró-, ‘o’ anarquismo, todos os protagonistas e propostas visivelmente pró-ximos da ideia anárquica. Com efeito, a pluralidade dos anarquismos pensadose até mesmo pensáveis, torna difícil sua recondução a uma unidade de maneira
a identicá-lo em uma única disciplina de pensamento, tal como é a losoa
.Digamos, portanto, que os anarquismos não são reconduzíveis a uma forma de
pensar como a losoa,
ainda que muitas elaborações pareçam repercussões de
tipo los
ó
co. Se, por exemplo, tomarmos a ética como ponto de atração das
dinâmicas de pensamento, então seríamos mais encorajados a considerar queas variantes plurais do anarquismo integram frequentemente no seu interiorcerta concepção ética, associada a uma conduta individual e coletiva comopré-condição material a toda hipótese política de caráter anárquico.Mas, então, o que é o anarquismo plural? Se o observarmos na suagênese histórica-material, ele pertence à esfera da política. Nasce em umcontexto fortemente politizado, nasce em forte contraste à tendência seculare moderna da despolitização da sociedade e de seus componentes (o termo
ator 
trai a aceitação implícita e passiva da sua espetacularização, bem antesdo agudo diagnó
stico de Guy Debord). Certamente, a inuência das Luzes é
amplamente visível para tornar suspeita essa “colocação” do anarquismo no
álveo das ideias políticas e conferir-lhe uma áurea losóca; porém, resulta
quase impossível separar a ideia anárquica dos movimentos históricos que aencarnaram, todos eles destinados a subverter politicamente não um regimehistórico da política, mas sim uma forma herdada há séculos para inauguraruma forma de vida associativa dela emancipada.Mas trata-se de um pensamento da política, isto é, de uma teoria, de
uma losoa da pol
 ítica? Ou seria apenas uma prática discursiva, como diriaFoucault, que é, em igual medida, tanto teórica quanto prática? Propendendopara essa última leitura convergem numerosos fatores que uma eventual, utilís-sima e interessante investigação genealógica (muito longe de uma reconstruçãohistórico-arquivista tão valorizada pelos anarquistas) poderia ressaltar. Antes
de mais nada, a original condição pela qual a estraticação da ideia anárquicana sua generalidade nos restitui exclusivamente uma gura de pensador teóri
-
co que coincide, até mesmo biogracamente, com a gura do militante ativo.
Exceto Godwin e Stirner, no nosso “museu de cera” não existe um teórico do

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