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As Estruturas Nao Descem as Ruas (Levi-strauss) - Antonio Motta

As Estruturas Nao Descem as Ruas (Levi-strauss) - Antonio Motta

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Published by: Racquell Silva Narducci on Oct 22, 2012
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257
 AS ESTRUTURAS NÃO DESCEM ÀS RUAS:Lévi-Strauss,
mai soixante-huit 
e o fm do estruturalismo
STRUCTURES DON’T GO TO THE STREETS: Lévi-Strauss,
mai soixante-huit
and the end of structuralism
 Antonio Motta
Universidade Federal de Pernambuco
Resumo
O ensaio se propõe a discutir a noção de estrutura e de modelo estrutural em Claude Lévi-Strauss e, na medida do possível, analisar o declínio das concepções estruturais de sociedade em favor da recuperação do sujeito, tomando com referência Maio de 1968, na França.
Palavras-chave:
estruturalismo, estrutura, sujeito, Maio’68
 Abstract
 The article discusses the notion of structure and structural model in Claude Lévi-Strauss.It also analyses the default of structural conceptions of society and the arise of the subjecttheories, taking the events of May 1968, in France, as a reference.
Keywords:
structuralism, structure, subject, May’68
 
ISSN 0104-8015
POLÍTICA & TRABALHO
Revista de Ciências Sociais, n. 36 - abril de 2012 - pp.257-266
 
258
 As estruturas não descem às ruas
Ou le terme de structure sociale n’a pas desens, ou ce sens même a déjà une structure.
Lévi-Strauss 
*
Introdução
Paris, 6 de maio de 1966. Atmosfera
blasé 
nos cafés. De olhares graves eroupas escuras, alguns existencialistas contrastam com a euforia dos adeptosdo estruturalismo que grassava, então, triunfante. O jovem Foucault acabava depublicar
Les mots et les choses 
. E ao ser indagado sobre Sartre e o existencialismo,sentenciava que ambos estavam em vias de desaparição ou, na melhor dashipóteses, de se tornarem objetos de museu. A seu modo, complementava:
O ponto de ruptura situa-se no dia em que Lévi-Strauss e Lacan ─ o
primeiro no que se refere às sociedades e o segundo no que diz respeito ao
inconsciente ─ mostraram que o “sentido” não era, provavelmente, mais do
que um efeito de superfície, uma reverberação, uma espuma, e que o quenos atravessa profundamente, o que estava antes de nós, o que nos sustentano tempo e no espaço era o sistema (Foucault, 1966).
* * *13 de Maio de 1968. Primavera. Paris fervilha. Barricadas, trincheiras,jovens estudantes nas ruas a bravejar: “que as ideias voltem a ser perigosas”;“abaixo a universidade”; “a imaginação ao poder” e, claro, o ícone, “é proibidoproibir”, que depois se disseminou mundo afora como protesto contra todotipo de
establishment 
. A Sorbonne é ocupada pelos estudantes. Lévi-Straussmantém-se arredio e silencioso diante dos acontecimentos.* * *Paris, Inverno. 02 de fevereiro de 1969. Michel Foucault profereconferência
na Sociedade Francesa de Filosoa, intitulada
 Qu’est-ce qu’un auteur? 
 Havia se mantido distante dos acontecimentos de maio de 68, mas logo depoisque se tornou professor na recém-criada Vincennes, em dezembro de 1968,Foucault volta-se para o ativismo político, que marcaria sua trajetória intelectual
até o nal da vida. Na conferência retoma
algumas questões desenvolvidasem
Les mots et les choses,
insistindo na tônica da desaparição do sujeito em
 
259
MOTTA
favor da presença de sistemas mutantes. Entre os presentes, estão na plateia opsicanalista Jacques Lacan e o sociólogo Lucien Goldmann, que nunca disseser estruturalista. Na saída, ambos se encontram e, com certa dose de ironia,Goldmann dirige-se a Lacan: “Viu o Senhor, em 68, suas estruturas [...]. Eramos sujeitos que estavam na rua!”. A provocação a Lacan lhe fora motivadapor
 graftti 
estudantil que, em pleno efervescente Maio de 68, foi deixado comdestaque sobre lousa na velha Sorbonne: “As estruturas não descem à rua”. Ouseja: não são as estruturas que fazem a história, mas os sujeitos. Com a argúciahabitual dos trocadilhos, Lacan retruca imediatamente: “Meu caro, Goldmann,se há alguma coisa que revela a importância dos acontecimentos de Maio éprecisamente a invasão da rua pelas estruturas...” (Dosse, 1993, p.147).* * *Que o referido episódio tenha se prestado a inúmeras interpretações,
não há dúvida. Mas uma delas é incontestável: o nal da década de 1960 seria
também o divisor d’água que marca o declínio do estruturalismo enquantomovimento de ideias e método de pesquisa aplicado aos mais diferentes camposdisciplinares. Hoje, passados mais de 40 anos, o estruturalismo não exerce omesmo fascínio que outrora, sequer consegue provocar uma situação inusitadae deslocada, no melhor estilo dos surrealistas, como aquela vivenciada porLacan e Goldmann. Muito menos ainda desperta polêmicas como a de ClaudeLévi-Strauss e Jean-Paul Sartre, na década de sessenta, em torno da discussãoentre estrutura e dialética (Lévi-Strauss, 1962, pp. 324-357; Satre, 1960), depois,retomada por Paul Ricoeur, nos termos de “estrutura e hermenêutica” (Ricoeur,1992, pp. 351-384).Os temas que o estruturalismo se propôs a examinar já foram debatidos
até a exaustão, além do fato de não se possuir recuo suciente para entabular um
balanço conclusivo de seu legado teórico-metodológico, uma vez que este vemainda se prestando – de forma direta ou indireta – a múltiplas reinterpretações, notadamente no campo da antropologia social. O que este ensaio se propõenão é fazer um balanço crítico sobre o estruturalismo, sobre o qual já se possuiuma literatura abundante. É algo bem mais modesto e esquemático: tecer algunsbreves comentários – que padecerão de maior aprofundamento das questões – a respeito da noção de estrutura e de modelo estrutural em Claude Lévi-Strausse, na medida do possível, analisar o declínio das concepções estruturais desociedade em favor da recuperação do sujeito, tomando com referência Maiode 1968, na França.Claude Lévi-Straus, como se sabe, foi um autor que representa umaespécie de figura totêmica tanto do estruturalismo
lato sensu 
quanto daantropologia estrutural.
Nos anos cinquenta e meados dos sessenta, a inuência

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