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Novas formas de aproximaçãoda Ásia-Pacífico (II)
Paulo Antônio Pereira Pinto*
Na coluna anterior, procurou-se identificar temas que compõem, entreoutros, agenda de preocupações comum à Ásia-Pacífico. oi ressaltado,também, que dinâmica regional própria e o fortalecimento da cidadaniapoderiam indicar que propostas brasileiras originais facilitariam novas formasde interlocução com a área.Pensava-se, então, por um lado, no diálogo sobre questões de caráterestratégico, que envolvam a exploração de oportunidades para a transformaçãoestrutural da sociedade, da economia e de maneiras de inserção internacionaldo Brasil e países desta parte do mundo.Por outro, tinham-se em mente sugestões práticas quanto à exploraçãode vias complementares de aproximação entre o Brasil e a região. Isto é, amesma dinâmica que está proporcionando a integração e cooperação entrepaíses e culturas permite identificar transformações em curso, que implicamna reestruturação produtiva, reorganização político-institucional, reformulaçãovivencial e reconfiguração cultural e societária
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, que passarão a exigir novasiniciativas de aproximação.Em textos já publicados, sobre desafios e oportunidades para oadensamento das relações bilaterais e promoção da imagem do Brasil, ressaltou-se que países asiáticos desenvolvem exercício de reflexão, em busca de projetoregional que reflita uma agenda própria de preocupações, em resposta aquestões no campo de segurança, transformações econômicas, sociais, culturaise políticas. Nesses setores, é sabido, existem propostas brasileiras originais quepoderiam tornar-se novos temas para a interlocução com a área.Entre estas, encontram-se os referentes:À sociedade global de informação, onde o Brasil já detém razoávelbase tecnológica-industrial em telecomunicações e informática, alémde experiência significativa de sua aplicação em alguns setores de
ISSN 1518-1219Boletim de Análise deConjuntura em RelaçõesInternacionais
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Maio  Junho  2003
S U M Á R I O
* Diplomata de carreira e já serviu por mais de treze anos na região da Ásia-Pacífico,sucessivamente, em Pequim, Kuala Lumpur, Cingapura e Manila, em missões permanen-tes, e Xangai e Jacarta, provisoriamente. Em setembro de 1994 foi o coordenador daprimeira missão acadêmica brasileira que visitou Cingapura, Pequim e Hong Kong.Atualmente é o Diretor do Escritório Comercial do Brasil em Taipé, Taiwan. As opiniõesexpressas no presente texto são exclusivamente as de seu autor.
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“A Época das perplexidades”. Por René Armand Dreifuss. Vozes.
NOVAS .ORMAS DE APROXIMAÇÃODA ÁSIA-PACÍ.ICO (II)II GUERRA DO GOL.O: A INCON.ORMAÇÃO DA NOVA ORDEM MUNDIALCONGO E SUDÃO: EIXOS DE DISPUTA GEOPOLÍTICA CLÁSSICA OU NOVOPARADIGMA DA GUERRA MODERNA? A IMPRENSA PERDE A GUERRA O BRASIL E OS ACORDOSECONÔMICOS INTERNACIONAISUNIÃO EUROPÉIA: PÓLO ALTERNATIVODE PODER, CIVILIAN POWER OU ALIADO INCONDICIONAL DOSESTADOS UNIDOS? AS VITÓRIAS DE BUSHOS EMIGRANTES E A POLÍTICA EXTERNA DO BRASIL, DO MERCOSULE DA UNIÃO EUROPÉIA UMA AGENDA DE PESQUISA  A OTAN DO SÉCULO XXI: A CÚPULA DE PRAGA EUA: (NOVA) GUERRA DO GOL.O?
PAULO ANTÔNIO PEREIRA PINTOVIRGÍLIO CAIXETA ARRAES JOÃO .ÁBIO BERTONHA ANA MARIA RODRIGUES DE OLIVEIRAVALERIO DE OLIVEIRA MAZZUOLIMIRIAM GOMES SARAIVACRISTINA SOREANU PECEQUILO JOÃO .ÁBIO BERTONHACRISTINA SOREANU PECEQUILOVIRGÍLIO CAIXETA ARRAES
 
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atividades. Tendo em vista a dimensãoestratégica do assunto, poderia ser oportunopropô-lo para o debate com capitaisasiáticas. Isto porque, estas defrontam-secom questões idênticas referentes ao desafioda formulação de novas estratégias nacionais,que levam em conta o desenvolvimento detecnologias de ponta;Ao ordenamento territorial, entendido, hoje,como a expressão espacial das políticaseconômica, social, cultural e ecológica.Trata-se, portanto, de estratégia dedesenvolvimento cuja finalidade última é aplena apropriação pelo país de seu próprioterritório, em condições sustentáveis doponto de vista ecológico e econômico etambém de temas correlatos de fundamentalimportância como os da correção dasdisparidades regionais e da integraçãonacional. Poucos países encontram-se tãocapacitados, como o Brasil, para aimplementação de seu ordenamentoterritorial e do correto uso da ferramentaprincipal para sua consecução, que é ozoneamento ecológico-econômico. Assim,poderia ser cabível a inclusão da experiênciaadquirida no ordenamento territorial doBrasil, e sua possibilidade de transferência apaíses asiáticos, como contribuição para aformulação de agenda de preocupaçõescomuns; eÀ política de defesa nacional que, no Brasil,representa importante avanço conceitual,por refletir uma concepção integrada deautodefesa frente a ameaças externas,envolvendo tanto considerações militares,quanto civis. A principal inovação destapolítica, como se sabe, está anunciada noparágrafo que afirma ser necessária aformulação de uma política de defesasustentável, na qual se correlacionem, deforma inequívoca, a segurança do estado eo bem-estar da sociedade. Tais conceitos,segundo tem sido possível observar de Taipé,coincidem com discussões em curso emcentros de estudos na Ásia-Pacífico.Coloca-se, assim, a necessidade de criação deuma moldura que proporcione encontros regularesentre intelectuais asiáticos e brasileiros, a fim de quese conheçam melhor os interesses comuns a cadauma destas partes do mundo. Tal intercâmbiopermitiria, por um lado, um conhecimento da agendade preocupações identificadas no âmbito docrescente processo de cooperação entre a China e oSudeste Asiático, e, por outro, proporcionaria àquelespaíses um visão de propostas brasileiras originais.Constituir-se-ía, em suma, uma via complementar deaproximação e interlocução.Nesse sentido, foi realizada, por exemplo, aprimeira Missão Acadêmica Brasileira à Ásia-Pacífico,que, em setembro de 1.994, visitou, em Cingapura,Pequim e Hong Kong, instituições de estudosestratégicos dedicadas ao estudo de políticainternacional, segurança, integração e cooperaçãoeconômica.Em muitos casos, centros deste tipo,principalmente nos países membros da ASEAN,assessoram política e economicamente seu governo.O relacionamento com instituições do gênero,portanto, pode ter efeito multiplicados que não deveser substimado. Por seu intermédio: é possívelestabelecer valioso canal complementar de diálogocom dirigentes locais; é facilitada a identificação deinteresses comuns no cenário internacional; e sãofavorecidas novas formas de cooperação científico-tecnológicas e, possivelmente, empreendimentoseconômicos conjuntos.
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A I Guerra do Golfo, há pouco mais de umadécada, foi celebrada como a marca da nova ordemmundial do pós Guerra ria: o modelo democráticoliberal do Ocidente consubstanciar-se-ia, no planointernacional, na adoção da segurança coletiva,chancelada pela Organização das Nações Unidas.Desta forma, encerrar-se-ia definitivamente a antigadivisão espacial do mundo para o espraiamento e aconsolidação de uma sociedade internacional,fundamentada em princípios político-econômicosemanados da principal potência do século XX: osEstados Unidos, vencedores dos três grandes conflitos I e II Guerras Mundiais e Guerra ria.Todavia, o fim do império soviético punhaem cena uma questão nova no cenário mundial: aextinção de um Estado opositor  desconsiderando apermanência da China, nominalmente comunista,mas gradativamente absorvendo o modelo capitalistade produção  ensejou obrigatoriamente a progressivaaceitação de um adversário imaterial, ou seja, umprincípio ou uma visão de mundo que poderia,transitoriamente, localizar-se em um ou mais países,sem fixar-se, necessariamente, nele(s).Isto decorreu do malogro de possíveis novosconfrontantes dos Estados Unidos como o Japão,promessa da década de 80, que estacionou nosanos 90; a Alemanha, imersa em seu processo derefundação, que não pôde contemplar a emergênciade um novo império; a rança que, apesar de suapostura de independência, aceitou parceiros, tanto noâmbito europeu, com a Alemanha, como nomultilateral, com os Estados Unidos na I Guerra doGolfo; e, por fim, a Rússia, simulacro da antiga UniãoSoviética, que ostentou glórias passadas projetadasde forma trêmula no presente.Com tal conjuntura, os Estados Unidos conver-teriam seus desígnios em objetivos internacionais,
 II Guerra do Golfo: a inconformação da nova ordem mundial 
Virgílio Caixeta Arraes*
almejando a obtenção de uma duradoura harmoniade interesses, apenas com o compartilhamento departe do exercício do poder, reproduzindo em escalamais ampliada a forma utilizada, há décadas, com aGrã-Bretanha. Esta postura seria incorporada peladupla gestão democrata nos anos 90, com Clinton.Seu relativo sucesso permitiria propagar oneoliberalismo, por exemplo, como o melhor modode desenvolvimento tanto para a América Latina comopara a Europa Oriental. Haveria, no 1º Mundo, aformação de um
modus vivendi 
comum codificadona 3ª Via, talhada especialmente para ter umaflexibilidade que pudesse agregar trabalhistasbritânicos, socialistas franceses, socialdemocratasalemães, socialistas espanhóis, esquerdistas italianos,socialdemocratas brasileiros e democratas norte-americanos.Destarte, com tal consenso, os Estados Unidospartiriam, de modo persuasivo, para a construção deuma nova legitimidade internacional, em que posturaspolíticas e econômicas seriam atingidas por adesãocrescente e não por obediência, advinda de ameaçasou de temores diretos.Entretanto, talvez, na ausência de um país àsua altura, a busca pela liderança internacional seriasubstituída pela aspiração à hegemonia, ao efetuar-se a troca, por margem mínima na eleição presidencialde 2000, de democratas por republicanos, os quaisaplicariam padrões de comportamento do período daGuerra ria, de cunho dicotômico, à nova ordem pósbipolar. A princípio, a mudança de procedimento aindaamealharia apoio, como no caso do confronto com oAfeganistão, a cuja culpa se atribuiu o atentadoterrorista de 2001. Posteriormente, na ausência deum Estado que personificasse robustamentedeterminado conceito ou ideologia consideradonegativo, a coesão ocidental lentamente se desfaria,
* Professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).
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