• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
Download
 
 
Ética e Moral
Habitualmente confundimos os termos
ética
e
moral
. É o caso quando de uma pessoa que agiuincorrectamente ou mesmo imoralmente dizemos que não tem ética, "não tem carácter".Na verdade, o termo moral procede do termo latino “
mores
”, que significa costume ou modo de serhabitual e o termo ética deriva do grego antigo “
ethos
”, que significa carácter e também lugar onde sehabita.Apesar da proximidade etimológica, os termos ética e moral têm sentidos diferentes. A moral tem uma
dimensãoprática
. A ética uma
dimensão teórica
.A
Moral
é o conjunto de normas e princípios que visam reger ou regular o comportamento de um indivíduo, de umgrupo ou de uma colectividade. Frequentemente essas normas estão ligadas a determinadas formas de religiosidade epor isso se fala de moral católica, protestante, budista, judaica, islâmica, etc. A tarefa da moral é, por exemplo, a dedefinir as normas que devem reger as relações entre os membros de uma família ou entre o médico e o paciente.
A Ética é "a vida moral pensada"
Existem normas que prescrevem fazer o bem e evitar o mal, que explícita ou implicitamente nos dizem que esta acção éimoral e aquela moralmente válida. Mas o que é o bem? O que queremos dizer quando aplicamos as noções de bem e demal? Como determinar a validade moral de um acto? Pelas suas consequências e resultados? Pela intenção e pelosmotivos que a determinaram? Uma acção moralmente válida é uma acção boa em si mesma ou boa para realizar umfim?Estas, entre muitas outras questões, são questões essencialmente éticas e das diferentes respostas que recebem de quemreflecte sobre o "facto moral" deriva a diversidade dos sistemas e teorias éticas.À
Ética
dá-se também o nome de Filosofia Moral. A Filosofia é uma actividade crítica e que investiga os fundamentosdas coisas. A Ética é Filosofia Moral porque reflecte criticamente sobre o que a Moral estabelece.Assim se a Moral me diz "Não deves mentir", a Ética discutirá racionalmente a validade dessa norma: "Porqueconsideramos moralmente correcto dizer a verdade?"Esta atitude é importante porque muitas pessoas aceitam e seguem certas normas morais sem perguntarem a si própriasse essas normas são válidas ou não.Além disso, a Ética coloca questões fundamentais: "Qual o fundamento da acção moral (boa ou má), isto é, em últimaanálise, o que torna possível falar de comportamentos morais (que podem ser avaliados como bons ou maus)?"Em suma, a Moral é o conjunto de normas concretas e de comportamentos sobre os quais a Ética ou Filosofia Moralreflecte criticamente.
Núcleo Gerador 5– Convicção e Firmeza Ética
Unidade de Competência 5:
 
Avaliar a realidade à luz de uma ordem de valores consistente e actuarem conformidade.
 DR1 – Adoptar normas deontológicas e profissionais como valores de referência nãotransaccionáveis em contextos profissionaisCritério de evidência:
- Identificar deontologia e normas profissionais;- Reconhecer valores de referência em organizações distintas;- Actuar criticamente sobre práticas e posturas sociais articulando responsabilidade pessoal e profissional.
Nome: ______________________________________________________
 
Data
___/____/_____ 
Ficha
Escola Secundária com 3º Ciclo de Vagos
 
Direcção Regional deEducação do Centro
 
Curso EFA / Secundário – 2008/09
 
CP
 
Formadores:
Ana Paula Guerreiro e Pedro Vitória
1/1
 
 
Moral
e
Ética
são portanto distintas, embora sejam inseparáveis. Note-se para terminar que a Moral não é o únicocampo da acção humana que "alimenta" a reflexão ética. O Direito e a Política, por exemplo, também constituemcampos de trabalho da Ética.Assim, é a reflexão ética que distingue normas morais de normas jurídicas, que pergunta se legalidade é igual alegitimidade, se devemos obedecer sempre às leis do Estado, se o que é aprovado pela maioria é sempre justo, etc.
Proposta de trabalho 1
1.
 
Pense numa situação em que as normas morais de uma dada cultura podem entrar em conflito com umaposição ética pessoal. Apresente-a.2.
 
Na sua perspectiva, qual deve prevalecer em caso de incompatibilidade, a Ética ou a Moral? Justifique.
Baseado e adaptado de: Luís Rodrigues,
Filosofia – 10º 
, Plátano Editora, Lx, 2003
Os dilemas éticos
Quem ajuíza moralmente julga a partir da
sua consciência
, isto é, a partir de uma certa
escala
ou
tábua devalores éticos
, concernentes às
finalidades
do agir humano, subjectivamente assumidos e que funcionamcomo uma espécie fundamento das nossas concepções sobre o modo de estar no mundo e na vida.Essa
tábua
, mesmo que dela não se tenha uma consciência bem explícita fornece os critérios para julgaracerca do bem e do mal dos nossos comportamentos.É a partir dela que estabelecemos
como devemos agir ou não agir
, seja, é ela que fornece os
critérios
do queconsideramos ser o nosso
dever
é ela, ainda, que serve de
fundamento
aos raciocínios que justificam a
escolha moral
numa dada situação.
A propósito, como decidiria no seguinte caso?
"Uma mulher estava a morrer, com um tipo especial de cancro. Havia ummedicamento que, segundo pensavam os médicos, podia salvá-la. Era uma formade rádio que um farmacêutico, na mesma cidade, descobrira recentemente. Amanipulação do medicamento era cara, mas o farmacêutico cobrava dez vezesmais que o preço do custo. Pagava 400 euros pelo rádio e cobrava 4.000 euros poruma pequena dose do medicamento. O marido da senhora doente, Henrique,recorreu a toda a gente que conhecia para pedir emprestado o dinheiro, mas sóreuniu 2.000 euros, o que era apenas metade do custo. Disse ao farmacêutico que asua mulher estava a morrer e pediu-lhe para o vender mais barato ou se podia pagá-lo mais tarde. Mas ofarmacêutico disse: "Não, descobri o medicamento e vou fazer dinheiro com ele". Então, Henrique ficadesesperado e pensa em assaltar a loja do homem e roubar o medicamento para a sua mulher".
Baseado e adaptado de: Maria O. Valente (1989) “A Educação para os Valores”. Porto, Asa, pp. 156-l58.
Henrique devia roubar o medicamento?Porquê? Ou porque não?" Já decidiu?
Afinal, se estivesse no lugar do Henrique, roubava ou não o medicamento? Pois é, uns dizem que sim,outros que não e cada um apresenta os seus argumentos, em função da hierarquia de valores que perfilha.
Proposta de trabalho 2
3.
 
Propomos um momento de reflexão e debate sobre este dilema ético apresentado no texto anterior.
Apontamos algumas orientações básicas sobre os procedimentos a desenvolver 
A. Preparação do debate
 
Dar aos factos uma ordem lógica;
CP
 
Formadores:
Ana Paula Guerreiro e Pedro Vitória
2/2
 
 
 
Ter a certeza de que o conteúdo é exacto;
 
Parafrasear os assuntos em causa;
 
Ter a certeza de que se está a perceber o conteúdo.
B. Início do debate
 
Para dar inicio aos debates reais, utilizar questões abertas:
o
 
"O que deveria fazer a pessoa X?”
o
 
“Porquê, ou quais são as razões principais?”
 
Todos se devem questionar.
 
Se algumas das razões apresentadas não for suficientemente clara, colocar de seguida questões paraclarificação. Por exemplo:
o
 
"Poderias explicar um pouco melhor...?";
o
 
"Queres dizer com isso que...?";
o
 
"Deixa-me ver se consigo parafrasear...?"
 
Pode-se também perguntar aos outros elementos do grupo se eles entenderam as razões da pessoa X.
Objectivo:
Ter a certeza de que todos os elementos têm a oportunidade de fazer afirmações de abertura.Utilizar, se necessário, durante o questionamento.
C. Continuação do debate
Para continuar a discussão e ajudar a desenvolver ideias mais elaboradas, são úteis as seguintes técnicas:
1. Consequências alternativas:
 "O que aconteceria se a pessoa tivesse feito A B ou C?"
2. Assumpção de papéis:
 "Quais seriam as tuas razões se fosses a pessoa X, Y ou Z? Põe-te no lugar de outra pessoa."
3. Sentimentos e emoções:
 "Como é que pensas que a pessoa X se sente? Como te sentirias numa situação do género? Quais poderão seralgumas das consequências desses sentimentos?"
4. Experiência pessoal:
 "Já alguma vez te aconteceu algo parecido com isto? Quais foram os teus pensamentos, sentimentos e atitudes?Fazendo uma retrospectiva, consideras que gostarias de mudar alguma coisa?"
5. Mudança de um elemento-chave:
 "Consideremos que a pessoa envolvida nesta situação è alguém que nem sequer conheces, em vez de ser alguémmuito teu amigo. Em que é que esse facto mudaria as coisas?"
6. "Algumas pessoas dizem":
 "Algumas pessoas dizem que uma razão nunca é suficientemente boa para transgredir uma lei. Qual a tua resposta aeste ponto de vista?"
7. Levar os participantes da discussão a falar uns com os outros:
 "Manuel, qual a tua opinião acerca do que Ana acabou de afirmar?" "O João e o António parecem defenderposições opostas..."
D. Atingir um compromisso:1. Questões relacionadas com o tema
:"Agora, que já analisámos o tema sob diferentes pontos de vista, quais sãos elementos-chave, ou os pontos maisconvincentes?" Há algum aspecto particular que te levaria a alterar o teu ponto de vista?"
2. Questões relacionadas com a justiça:
 "Em termos de
 justiça
e
equidade
de todas as perspectivas, qual seria a melhor solução?"
CP
 
Formadores:
Ana Paula Guerreiro e Pedro Vitória
3/3
 
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...