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Serie Aula Nota 10

Serie Aula Nota 10

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PROFISSÃO MESTRE
®
abril 2011
Série
 
SÉRIE AULA NOTA 10 – TÉCNICAS DE DOUG LEMOV 
Fabio Venturini
D
oug Lemov diferencia o que significa me-lhoria da autoestima e aumento da ex-pectativa de aprendizagem. A primeira éacompanhada por um pseudorrespeito às condiçõesdo aluno. Se a criança vem de uma família socialmen-te desfavorecida e com cultura considerada pelo ambien-te escolar como mais pobre, para não afetar a autoes-tima abre-se uma porta para absorver as deficiênciasacadêmicas que essa criança tem e impede-se que osproblemas sejam trabalhados.” Com essa avaliação, aprofessora Guiomar Namo de Mello, consultora educa-cional e revisora técnica da edição brasileira do livro
 Aula Nota 10 – 49 Técnicas para Ser um Professor Campo de Audiência
, de Doug Lemov, ressalta a pertinência douso de procedimentos de manejo de sala de aula comoferramentas de melhoria do desempenho acadêmiconas escolas públicas brasileiras. A obra, laada no Brasil pela Fundão Lemanncom a Editora Da Boa Prosa, apresenta como o docen-
BOM DESEMPENHO DEPENDEDE ALTAS EXPECTATIVAS
Primeira reportagem da série baseada na obra de Doug Lemov testaprocedimentos de manejo de sala de aula que, segundo o especialistanorte-americano, podem transformar uma boa aula em uma aula excelente
A série Aula Nota 10
As reportagens especiais foram distribuídas em dez ediçõesda
Profissão Mestre 
(veja abaixo) e avaliarão as propostasdidáticas do livro, seguindo uma pauta de acordo com a or-dem em que aparecem na estruturação da obra:
•
Criar altas expectativas acadêmicas (abril)
•
Planejar para garantir um bom desempenho acadêmico (maio)
•
Estruturar e dar aulas (junho)
•
Motivar os alunos nas suas aulas (julho)
•
Criar uma forte cultura escolar (agosto)
•
Estabelecer e manter altas expectativas de comporta-mento (setembro)
•
Construir valores e autoconfiança (outubro)
•
Melhorar seu ritmo para criar um ritmo positivo em salade aula (novembro)
•
Estimular os alunos a pensarem criticamente (dezembro)
•
Ajudar o aluno a tirar o máximo da leitura (janeiro de 2012)
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te, segundo o autor, pode usar re-cursos didáticos independentes depreferências pedagógicas para au-mentar o desempenho de alunosde escolas normalmente frequen-tadas por crianças pobres, comações tomadas majoritariamenteem sala de aula.Nessa primeira de uma sériede dez reportagens especiais sobrea proposta do professor estadu-nidense, a
 Profiso Mestre
buscouopiniões e testou as técnicas paramelhoria de desempenho com au-mento das expectativas acadêmi-cas – assunto do primeiro capítulo(
veja os próximos temas nos quadros desta reportagem
).
Esmiuçando as técnicas
No primeiro capítulo, Lemov citapesquisas que comprovam a sus-ceptibilidade da docência ao “efei-to pigmaleão” (o que você espe-ra com relação a um determinadonúmero de pessoas pode induziro acontecimento de eventos, co-mo se fossem profecias autorreali-záveis). Num grupo de professoresque trabalhou com a mesma tur-ma, metade recebeu a informaçãode que eram bons alunos, enquan-to para a outra se informou queeram desinteressados. Ao cabo doano letivo, nas aulas dos primei-ros docentes, o desempenho foimelhor do que nas dos últimos.Contudo, para o autor, aumen-tar expectativas acadêmicas comrelação à capacidade dos alunosnão implica apenas elevar a car-ga de conteúdo. O manejo da salade aula é igualmente importantena criação das expectativas, temaatendido pelas cinco técnicas su-geridas no capítulo (
veja o quadro de resumo das cnicas
).Para a consultora educacionalGuiomar, a primeira tarefa parausar as técnicas de aumento dasexpectativas acadêmicas é con- vencer os alunos de que eles ocapazes de realizar mais, mas quedevem se esforçar para atingir ospadrões de crianças que vieram decondições sociais privilegiadas.Para tanto, o professor cobraráesse desempenho, em um traba-lho conjunto. “O ser humano tema tendência de ir para o caminhomais fácil e que exige o menor es-forço. Na técnica ‘Puxe Mais’, porexemplo, o docente deve mostrarque o aluno pode mais e deve ten-tar, sempre tendo a clareza de atéonde pode exigir. Essa tarimba sedesenvolve com a prática docen-te e com o uso de recursos didáti-cos”, explica.O primeiro capítulo é a base paraum dos fundamentos de todo o tra-balho, segundo Guiomar, que é o es-tabelecimento do vínculo produtivoentre professor e aluno. “Não é de ca-ráter paternal ou maternal, pois nin-guém suporta ver o filho errar. Não éde cliente, nem de iguais, mas tam-bém não pode ser totalmente hierár-quico. Na técnica ‘Sem Escapatória’,
Resumo das técnicas para criar altas expectativas acadêmicas
 
Para
Guiomar Namo Mello
, técnicas aju-dam a mostrar ao aluno modos mais efi-cazes de interagir com o conhecimento ecom o processo de aprendizagem
o professor induz o aluno a enfren-tar, obrigatoriamente, uma situação.Em conjunto com a ‘Certo é Certo’, oaluno pode até levar a atitude paraoutras aulas”, acredita.
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“Sem Escapatória” –
Quando um aluno se mostra incapaz de responder a umapergunta, o professor deve começar com uma sequência de questionamentosà turma, que termina apenas quando esse primeiro aluno responder correta-mente, mostrando que ele não poderá fugir da busca às soluções ao proble-ma proposto.
“Certo é Certo” –
A segunda técnica sugerida consiste em estabelecer um pa-drão de exatidão a ser atingido em todas as respostas dadas durante as partici-pações na aula, induzindo o aluno a atingir a exatidão quando o que diz é “qua-se certo”. E mesmo quando a resposta é correta, pode-se solicitar que discorramais sobre o tema, incentivando a cognição e o raciocínio.
“Puxe Mais” –
O professor deve criar a sensação de que novas perguntas sãorecompensas a perguntas certas, o que evita aos alunos a falsa sensação, apósuma única resposta correta, de que eles dominam o conteúdo e também estimu-la a busca por mais conhecimento.
“Boa Expressão” –
Lemov explica que, quando respondem, os alunos costu-mam empregar a sua linguagem corriqueira. Ao professor cabe criar condiçõesacadêmicas e solicitar as respostas com os termos “corretos” e típicos da discipli-na, comunicando o seu conhecimento com a “linguagem de oportunidade”.
“Sem Desculpas” –
Recomenda-se ao professor jamais usar escusas por usode conteúdos considerados, por senso comum, como difíceis demais para a tur-ma ou chatos. Para demonstrar que acredita no potencial dos alunos, o profes-sor não pode atribuir determinados temas a elementos externos, como à direçãoescolar. Antes, deve buscar o desempenho dos alunos.
 
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pode mostrar outro modo de inte-ragir com o conhecimento e com oprocesso de aprendizagem. Isso faza diferença”, defende.E como técnicas didáticas po-dem ser usadas para aumentar asexpectativas tanto de alunos quan-to de professores? Para Guiomar,o momento atual é propício, poiscom o desenvolvimento econômi-co dos últimos anos, “a ascensãodas classes C e D, com acesso a no- vos bens materiais e culturais, des-pertou uma ambição que pode seruma matéria-prima interessantepara começar a construir essas ex-pectativas”.Para a educadora, o grande en-trave, contudo, é a formação do pro-fessor. Na sua avaliação, a educaçãobásica no Brasil nasceu atendendoa uma minoria, e quando começoua se expandir, especialmente apósa década de 1960, o governo per-cebeu que deveria aumentar mui-
“Apliquei as técnicas para se criar al-tas expectativas acadêmicas em tur-mas do 7º ano do ensino funda-mental, em um colégio particular dacidade de Guarulhos (SP). Emboraainda sejam necessárias observa-ções mais cuidadosas, a propostatem bastante potencial para funcio-nar devido à realidade educacional eà organização escolar brasileira. Se ti-véssemos condições mais favoráveisà reflexão no ensino-aprendizagem,com possibilidades de pesquisas decampo, ou se pudéssemos nos darao luxo de usar três aulas por mêspara fazer pesquisas orientadas, porexemplo, as técnicas provavelmentenão seriam o melhor recurso. Com arealidade de lecionar das nossas es-colas, as práticas didáticas se mos-tram adequadas.
Uso na realidade brasileira
De acordo com a professora, emalgumas áreas o foco do ensino--aprendizagem no Brasil sempre es-teve nas condições sociais do alu-no, do docente ou na forma comoelas influenciam nesse processo. “Oprofessor não muda as origens e a vida dos alunos de imediato, mas
 a b i   o  V  ent   ui  ni  
Eu testei
Tiago José de Biagio
, professor deHistória das redes pública e priva-da da capital paulista e especialistaem História, Sociedade e Cultura pe-la Pontifícia Universidade Católica deSão Paulo (PUC-SP).
 
Na próxima edição, as técnicas de planejamento
to rapidamente o quadro de profes-sores, disponibilidade e materiaisdidáticos. Como não possuía umabase sólida e as universidades pú-blicas (mais aptas à época para aformação de professores) não assu-miram tal responsabilidade, as fa-culdades particulares ocuparam alacuna por uma questão de oportu-nidade de mercado, com muita ên-fase teórica e quase nenhuma emtécnicas de ensino. “Nada contraser na iniciativa privada, mas issoocorreu sem um acompanhamen-to ou uma política de formação dosprofessores. O futuro docente nãoaprende a ensinar e a culpa não énecessariamente dele, pois é trata-do como mais um aluno que pre-tende ser docente. Se ele chega àfaculdade sem saber ler e escrever,ninguém, assim como acontece naeducação básica, ninguém vai en-siná-lo ou procurar corrigir o atra-so”, conclui.
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Algumas técnicas de planejamento não são percebidas dentro da sala de aula.Contudo, são fundamentais para que as demais funcionem. A “Comece Pelo Fim”,por exemplo, viabiliza e facilita o uso de “Sem Desculpas” e “Sem Escapatória”,por exemplo. Na próxima edição, a reportagem da
Profissão Mestre 
abordaráas seis sugestões de planejamento, que prometem atingir um bom desempe-nho acadêmico:
“Comece pelo Fim” –
Antes de planejar uma atividade para a aula, deve-se es-tabelecer os objetivos e, a partir de então, elaborar as práticas didáticas.
“Quatro Critérios” –
Determinação de objetivos úteis e eficazes com base emviabilidade, mensurabilidade, possibilidade de guiar as atividades e na prioriza-ção do que é mais importante para a aprendizagem.
“Deixe Claro” –
Esclarecer a todos os objetivos da aula, com a recomendação deescrevê-los no quadro para que todos identifiquem o propósito do dia.
“O Caminho Mais Curto” –
Se duas ou mais atividades forem elaboradas pa-ra atingir os objetivos de uma determinada aula, convém usar a mais simples.
“Planeje em Dobro” –
Elaborar o plano de aula com uma sequência planejadade objetivos, como avaliar re sultados entre esses objetivos, acrescentando pro- jeções de dúvidas comuns aos alunos em cada um desses temas para prever co-mo respondê-las.
“Faça o Mapa” –
Tomar para o professor o controle do espaço físico da aula, in-cluindo no plano de aula a organização das carteiras, independentemente da pre-ferência pedagógica.
SÉRIE AULA NOTA 10 – TÉCNICAS DE DOUG LEMOV 

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