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Vinicius de Moraes Livro de Sonetos

Vinicius de Moraes Livro de Sonetos

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Vinicius de MoraesLivro de Sonetos
Rio de Janeiro. (2ª ed. aumentada, Rio de Janeiro: Sabiá, 1967);Livros de Portugal.1957
1
 
Ária para assovio
Inelutavelmente tuRosa sobre o passeioBranca! e a melancoliaNa tarde do seioAs cássias escorremSeu ouro a teus pésConheço o sonetoPorém tu quem és?O madrigal se escreve:Se é do teu costumeDeixa que eu te leve(Sê... mínima e breveA música do perfumeNão guarda ciúme)
Rio de Janeiro, 1936  
Soneto a Katherine Mansfield
O teu perfume, amada – em tuas cartasRenasce, azul... – são tuas mãos sentidas!Relembro-as brancas, leves, fenecidasPendendo ao longo de corolas fartas.Relembro-as, vou... nas terras percorridas Torno a aspirá-lo, aqui e ali despertoParo; e tão perto sinto-te, tão pertoComo se numa foram duas vidas.Pranto, tão pouca dor! tanto quisera Tanto rever-te, tanto! ... e a primaveraVem já tão próxima! ... (Nunca te apartasPrimavera, dos sonhos e das preces!)E no perfume preso em tuas cartasÀ primavera surges e esvaneces.
Rio de Janeiro, 1937  
2
 
Soneto de devoção
Essa mulher que se arremessa, friaE lúbrica aos meus braços, e nos seiosMe arrebata e me beija e balbuciaVersos, votos de amor e nomes feios.Essa mulher, flor de melancoliaQue se ri dos meus pálidos receiosA única entre todas a quem deiOs carinhos que nunca a outra daria.Essa mulher que a cada amor proclamaA miséria e a grandeza de quem amaE guarda a marca dos meus dentes nela.Essa mulher é um mundo! – uma cadela Talvez... – mas na moldura de uma camaNunca mulher nenhuma foi tão bela!
Rio de Janeiro, 1938  
Soneto de intimidade
Nas tardes de fazenda há muito azul demais.Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agoraMastigando um capim, o peito nu de foraNo pijama irreal de há três anos atrás.Desço o rio no vau dos pequenos canaisPara ir beber na fonte a água fria e sonoraE se encontro no mato o rubro de uma amoraVou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.Fico ali respirando o cheiro bom do estrumeEntre as vacas e os bois que me olham sem ciúmeE quando por acaso uma mijada ferveSeguida de um olhar não sem malícia e verveNós todos, animais, sem comoção nenhumaMijamos em comum numa festa de espuma.
Campo Belo, 1937  
3

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