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internacional, que promoveria os fluxos decrescimento, que solucionariam, sem prazo previsto,as questões ligadas à desigualdade e pobreza.Ante tamanha abertura, as tradicionaiseconomias nacionais dariam lugar a um mercadorealmente global, porque o processo de produção,por meio de corporações transnacionais, seria de fatointernacional, graças aos avanços tecnológicos dasáreas de comunicação e transportes. Assim, osEstados que, até o passado recente, em função daresponsabilidade de suas circunscrições territoriais,deveriam comportar-se de forma incluível, mesmodeficitária e autoritariamente conformar-se-iam emaceitar partes de seus territórios como zonas sociaisexcludentes, com desemprego, criminalidade,violência, empobrecimento etc.Tais características seriam vistas pelas instituiçõesneoliberais globais como espaços disfuncionais ousupérfluos, em face de sua baixa adaptação à novadinâmica de desenvolvimento (intern)nacional. OsEstados periféricos implicitamente aceitariam essavisão, ao migrarem de políticas sócio-econômicas decunho universal para programas focalizados, de vernizpaliativo, notadamente insuficientes.Essa incapacidade resultaria na perda damanutenção do monopólio da coerção, ocasionandoa dificuldade ou mesmo impossibilidade de enquadraras áreas socialmente excluídas, que, de quando emquando, tumultuariam o funcionamento regular dasáreas produtoras e consumidoras. Deste modo, a açãoestatal tornar-se-ia rotineiramente reativa, irascível e,no máximo, compensatória, com o estabelecimentode tréguas apenas, visto que, sem ter mais a sualegitimidade moral aceita ou reconhecida, o Estadopassaria a proceder mais e mais violentamente, sob a justificativa do combate incessante ao narcotráfico,a máscara que poderia abarcar ou justificar toda formade repressão tanto a criminosos como ao restante dapopulação excluída.Na face externa da moeda, haveria espaçosgeográficos que, ainda agregados formalmente comounidades soberanas, já seriam apenas reminiscênciasda composição estatal, tornando-se zonas supérfluasdo sistema internacional no processo de globalização.Não seria de surpreender, pois, que neles sedesenvolvessem movimentos que se aproveitariamda fluidez e dissolução de fronteiras e sentimentosnacionais para desaguar em instituições que nãovisariam mais à modificação pacífica de elementosdo sistema internacional, mas à sua contestaçãoviolenta. Ganhariam espaço, à medida que a principalpotência elimina os vestígios estatais da velha ordem.A princípio, a visão americana estaria correta,porque os Estados periféricos não poderiam, em facedo seu desmonte ou da desmobilização, oferecerresistência alguma do ponto de vista militar tradicional.Decorreria, então, o otimismo inicial de um semnúmero de possíveis ocupações: primeiramente,Afeganistão; mais tarde, Iraque; por fim, Síria, Líbia,Irã e outros. Não surpreenderiam, pois, as vitóriasiniciais, dada a debilidade estrutural desses Estados.Todavia, tal como o lado interno, a resistênciatenaz adviria do adversário onipresente, ambíguo esem face: o terrorismo transnacional, que seria frutoda fluidez dos limites fronteiriços e da perda dossentimentos nacionais. Assim, diferentemente dasantigas guerrilhas, que aspirariam à formação deEstados ou à tomada de poder institucional, este,caracterizado até o momento na
Al-Qaeda
, seriaresultado da desestatização, e, portanto, daglobalização.Deste modo, os Estados Unidos enfrentariamum inimigo ao menos tonificado, dentro de sua novaordem global, contra o qual o uso da força, desprovidode legitimidade moral ou intelectual, seria apenaspaliativo, de modo que a instabilidade ganhariacontornos definitivos dentro do novel sistemainternacional.
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