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Kaká não quis saber dos petrodólaresTexto Bruno PrataA megamana e fracassada ideia de contratar o brasileiro Kafez orelativamente apagado Manchester City ganhar um inusitado destaque nos jornais de todo o mundo. Numa altura de recessão generalizada da economiamundial e num momento em que também no futebol inglês se discute anecessidade de a Premier League apertar o cinto, um jovem árabe chegou adeixar tentados o AC Milan e o seu craque brasileiro com uma mala cheia depetrodólares, que dariam (houve quem se desse ao trabalho de fazer ascontas) para comprar 500 Ferraris 599 GTB ou 300 novas lojas da redeMcDonald's. Mas, à custa disso e durante uma semana, Mansour Bin Zayed AlNahyan foi bem mais do que um mero xeque de uma família real que ficoubilionária à custa do petróleo de Abu Dhabi, o maior dos sete estados quecompõem os Emirados Árabes Unidos.O mediatismo do xeque Mansour surgiu cinco anos depois de RomanAbramovich ter tomado conta do Chelsea e ter começado a injectar os milhõesque permitiriam a José Mourinho saborear dois títulos ingleses. Mas o russo,que já sofreu um rombo de 14 mil milhões de euros na sua fortuna com a crisemundial, impôs recentemente um plano de redução de custos no clube. Aimprensa inglesa especulou sobre a possibilidade de ele estar interessado emvender o clube londrino, o que já foi desmentido, mas a verdade é que o russoparece interessado em fechar a torneira a um Chelsea onde já gastou 650milhões de euros.Há outros sinais de crise no melhor e mais rentável futebol do mundo, onde ovolume de negócios de 228 milhões de euros começa a ser escasso parasuportar os cada vez mais comuns ordenados semanais de 109 mil euros. OEverton, o Portsmouth e o West Ham parecem sedentos de propostas decompra, principalmente o terceiro, em resultado da crise bancária islandesaque deixou em dificuldade o seu dono, Bjorgolfur Gudmondssen. Numcampeonato em que mais de metade dos 20 emblemas estão nas mãos deestrangeiros, há ainda dúvidas de como os proprietários norte-americanos dospoderosos Manchester United e Liverpool vão conseguir pagar os empréstimosque contraíram para comprar os seus novos "brinquedos". Segundo o DailyTelegraph, George Gillet e Tom Hicks, co-proprietários do Liverpool, contraíramum empréstimo de 381 milhões de euros para comprar o clube, e têm ocompromisso de pagarem, pelo menos, 17,4 milhões por ano. Para continuar ater as chaves de Old Trafford, a família Glazer mantinha, em Junho de 2007,uma dívida de 667 milhões de euros, num United que acaba de perder opatrocínio de 20,6 milhões de euros da depauperada seguradora americanaAIG.
 
Recessão retrai publicidadeA grande esperança para os investidores em dificuldades continua a ser arenovação do contrato das transmissões televisivas, que devem ficaconcluídas no próximo mês. O último acordo, que termina no final da época,resultou num "bolo" total de 2,9 mil milhões de euros (incluídos os direitosinternacionais). Mas os canais Sky e a Setanta debatem-se com a recessãopublicitária (que fez com que o West Ham jogasse durante semanas sempatrocínio nas camisolas, depois de a empresa de viagens XL ter abertofalência) e, mesmo que muito interessadas em manter o produto, tentam queos valores não sejam inflacionados."Actualmente está a tornar-se cada vez mais difícil atrair novos patrocinadorese todos têm de perceber que esta é uma nova realidade. Os clubes terão deser mais criativos naquilo que oferecem aos seus sponsors e os jogadorestambém terão de dar um pouco mais em troca dos seus acordos", disse aoTelegraph Steve Martin, chefe executivo da M&C Saatchi Sport andEntertainment, que tem na lista de clientes, para além da Premier League, aCarlsberg e a Coca-Cola. Aumentar o preço dos bilhetes não parece solução,porque muitos dos adeptos já têm dificuldade em pagar os lugares anuais,mesmo que a média de assistências só tenha baixado um por cento. SegundoSteve Powell, responsável da Federação de Adeptos de Futebol, "muitaspessoas usam crédito para pagar os seus lugares anuais, e com este cenárioeconómico vão pensar duas vezes".No meio destas dificuldades, acabou por emergir esta semana um Manchester City que normalmente vive na sombra do vizinho United e que falhou (ouadiou?) por pouco a contratação do brasileiro Kaká, que há uma semanapassou o tulo de melhor jogador do mundo a Cristiano Ronaldo.Ascensão e quedade SulaimaO virar de página começou em Setembro, quando o ex-primeiro-ministrotailandês Thaksin Shinawatra, dono do City desde 2007, caiu definitivamenteem desgraça, acabando por ser punido com dois anos de prisão, apósacusações de corrupção e de abuso de poder no seu país. Nessa altura, játinha aceitado vender o Manchester a um grupo de jovens árabesendinheirados, fãs incondicionais do futebol inglês, que se habituaram aapreciar tanto pela televio em Abu Dhabi como nos esdios. "Elescompraram o Manchester City porque gostam de ver os jogos da Premier League. Num mês compram um avião, noutro o Manchester City. É o mundoem que esta gente vive", confirmou um ex-funcionário de Al-Nahyan ao Times.A verdade é que os jovens árabes chegaram a pensar primeiro na compra doArsenal, Newcastle e Liverpool.Para concretizar o negócio, foi formado o Abu Dhabi United Group (ADUG),que pagou 258 milhões de euros por 90 por cento do capital do Manchester 
 
City. Entre os novos donos, de imediato começou a destacar-se o nome deSulaiman Al Fahim, de apenas 31 anos. Apelidado de novo Abramovich,Sulaiman é ainda tido como "um buldozzer que devasta tudo à sua passagem".Nasceu já no seio de uma família rica e aumentou incomensuravelmente afortuna com negócios na construção civil e ligações a diversos complexoshoteleiros de luxo, tudo através da sua empresa Hydra Properties. É dono doseu próprio programa televisivo, o Hydra Executives, e, por isso, ganhou oapelido de "Donald Trump de Abu Dhabi", em resultado da semelhança do seureality show com o The Apprentice do multimilionáro norte-americano.Considerado o 16homem mais poderoso do mundo árabe, Sulaimancomeçou a fazer fortuna aos 14 anos, quando investia na bolsa com o nome damãe. Em 2005, fundou a Hydra Complex, após concluir os estudos no EUA,onde se doutorou em Gestão Imobiliária e fez um MBA em Finanças. Nofutebol, já tinha investido na liga alemã, sendo ainda dono de um clube naCosta do Marfim, estando a construir uma academia de futebol, em parceriacom o Inter de Milão. Hoje, é presença frequente nas festas de Hollywood.À frente do City, Sulaiman não tardou em fazer gala da sua incontinênciaverbal. Garantiu que o City iria tornar-se no "maior clube do mundo",intrometer-se no "Big Four" (Manchester United, Arsenal, Chelsea e Liverpool)e ultrapassar a fama não só do rival United, mas também do Real Madrid.Anunciou o interesse nos "cinco grandes craques mundiais", incluindo oportuguês Cristiano Ronaldo, que, de imediato, afirmou não estar interessado,apesar dos 166 milhões de euros acenados ao United. O treinador MarkHughes estava nas nuvens ("Não há limites para contratações"), e Sulaimanfalou em 272 milhões de euros disponíveis para reforços. Foi ele o protagonistadas ordens de compra (Berbatov, David Villa e Van Nistelrooy, entre outros) deúltima hora, que acabaram por não se concretizar, ao contrário do que tinhaacontecido, no Verão, com o brasileiro Robinho.No último dia das inscrições, e quando o avançado brasileiro era dado comocerto no Chelsea por Luiz Felipe Scolari, foi anunciado por Sulaiman, com oCity a pagar 40 milhões de euros, recorde em Inglaterra. Sulaiman exultou,mas acabou traído pela sua sede de protagonismo. O jornal El-Emarat Al-Youmcontou que algumas fotografias tiradas em Las Vegas publicadas na imprensa,em que surgia ao lado de "modelos, actrizes e bailarinas", provocaram muitapomica e constrangimentos no mundo muçulmano do Golfo rsico elevaram o ADUG a afastar o árabe da lideraa do Manchester City.Xeque Mansouassume a liderançaNão consta que Sulaiman tenha deixado de se relacionar com a actriz DemiMoore ou com a modelo Kim Kardashian, que já foi capa da Playboy. Mas oseu lugar de destaque no City não tardou a ser ocupado pelo xeque MansouBin Zayed al Zayed, que, de facto, tinha sido o líder na sombra e o principalinvestidor no clube através da ADUG. Isso já tinha ficado evidente aquando dacontratação de Robinho, altura em que endereçou uma carta aos adeptos doCity. "Como vocês, estamos excitados em relação ao clube e esperamos que acontratação de Robinho seja vista como prova das nossas ambições",
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