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Arteterapia, doente mental e família: um cuidado integrado e possível em saúde mental na nossa atualidade?

Arteterapia, doente mental e família: um cuidado integrado e possível em saúde mental na nossa atualidade?

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Material enviado ao Portal Banco Cultural pela Profª Ana Cláudia Afonso Valladares (FEN-UFG) - Coordenadora do Conselho Editorial da Revista Científica de Arteterapia Cores da Vida e presidente da Associação Brasil Central de Arteterapia (ABCA)

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05/07/2013

 
VALLADARES, A. C. A.
 
“Arteterapia, doente mental e família: um cuidado integrado e possível emsaúde mental na nossa atualidade?”.
Rev. Arteterapia: Imagens da Transformação
. Rio de Janeiro:Clínica Pomar, v.12, n.12, p.09-32, 2006.
 
Arteterapia, doente mental e família. Um cuidado integrado e possível emsaúde mental na nossa atualidade?
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Art therapy, sick mental and family. An integrated care and possible in mental health in ourpresent time?Profª Dnda. Ana Cláudia Afonso Valadares
Resumo:
A autora deste artigo se propõe a realizar uma reflexão teórica e prática sobre a importância daarteterapia no novo paradigma de atenção em saúde mental, com enfoque à pessoa comtranstorno mental e seus familiares, como um processo que auxilia na reabilitação dessesusuários. A autora ainda ilustra o texto com algumas experiências de arteterapia aplicadas a estaclientela.
Abstract:
The author of this article intends to accomplish a theoretical and practical reflection on theimportance of the art therapy in the new paradigm of attention in mental health, with focus to theperson with mental upset and their relatives, as a process that aids in those users' rehabilitation.The author still illustrates the text with some experiences of applied art therapy the this clientele.
 As sessões de arteterapia vão ajudar na ampliação de habilidades eaumentar a autonomia do usuário, valorizando a singularidade edesenvolvimento do potencial criativo muitas vezes latente nestaclientela, que são aspectos importantes para o cuidado integral eholístico, minimizando as diferenças, fortalecendo as práticas inclusivase resgatando o prazer de estar atuando
” (Valladares, 2004, p. 124).
a) Reflexões sobre a história da loucura e a Reforma Psiquiátrica
:O Brasil vem passando por mudanças significativas nos cuidados à saúde mental,desencadeadas pelas transformações gerais no contexto de saúde brasileira, bem como pelaincorporação de elementos da Reforma Psiquiátrica. Este processo de Reforma Psiquiátrica,ocorrido no Brasil, foi encabeçado pelo Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental, no qualsua principal meta era a desinstitucionalização, isto é, a negação da instituição asilar comotratamento e a sua substituição por novas práticas que efetivaram a participação das famílias ecomunidades (do modelo hospitalocêntrico para o modelo preventivista-comunitário). A ReformaPsiquiátrica significa um processo contínuo de reflexões e transformações no trabalho com aloucura, com a diferença e sofrimento mental, eventos que ocorrem simultaneamente nas áreas
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Pesquisa inserida no Núcleo de Estudos e Pesquisa em Saúde Integral da FEN/UFG.
 
 
 
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assistenciais, culturais e conceituais. Buscam, sobretudo, transformar as relações que a sociedade,os sujeitos e as instituições estabelecem com a superação do estigma, da segregação edesqualificação, produzindo um novo “imaginário social”, diferentemente do que existiu ao longodos anos, como a periculosidade, irrecuperabilidade e incompreensão do doente mental.Nos últimos anos, no Brasil, novos serviços foram criados objetivando adequarem-se ànova política de saúde mental, como a concepção do trabalho inter e transdisciplinardesenvolvido por profissionais de saúde, com a promoção de projetos terapêuticosindividualizados e a reabilitação psicossocial, o que exigiu deles requalificação e expansão dospapéis profissionais, para prestação do cuidado em saúde mental.Conseqüentemente, houve o envolvimento da sociedade com o doente mental, seja na lida,na individualização da assistência ou na inserção social do doente mental. Esse envolvimento dasociedade com o doente lhe ofereceu maior autonomia e suporte social, bem como grupos deapoio, locais para moradia e meios de subsistência. Isso significou o resgate do indivíduo como-sujeito-no-mundo, por lhe oferecer condições para desenvolver capacidades para lidar com ocotidiano, conviver e aceitar suas limitações. Presume-se que, com a reabilitação psicossocial, odoente mental passe a ser visto como um sujeito que vive em um determinado território, queestabelece relações sociais e que tem uma família.Cabe salientar que desenvolver e aplicar um programa de reabilitação psicossocialsignifica: estabelecer a possibilidade de acolhimento, de cuidado, de construção de vínculos e desociabilidade ao sujeito em sofrimento psíquico; oferecer espaços para inclusão da diferença, parasuperação de medos e preconceitos; propor formas mais humanizadas e integradoras; e aindacriar espaços para a aprendizagem e valorização da fala, da escuta, do registro, do respeito, dadignidade, da responsabilidade, do acompanhamento, da inclusão da família e da reinserçãosocial.Na reabilitação psicossocial lida-se com o ser complexo, pois esse processo visa maiorsubjetividade e singularidade no atendimento às pessoas em sofrimento psíquico. A reabilitaçãosocial, sobretudo, busca ações que favorecem o aumento das possibilidades de recuperação dosdoentes mentais e a diminuição dos efeitos desabilitantes da cronificação dos indivíduos, açõesessas que envolvem o indivíduo, a família e a comunidade em cuidados complexos e delicados(Pitta, 2001).Assim, uma das questões mais relevantes em relação à reabilitação psicossocial do doentemental não envolve somente mudanças no seu tratamento, mas, sobretudo, no tipo de serviço queo atende, uma vez que uma das tarefas mais importantes desse serviço de saúde mental é a deajudar o indivíduo, permanentemente, a gerar “sentido” em sua vida, seja por meio da construçãoafetiva, relacional, material, habitacional ou produtiva. Esse novo sentido pode se dar em espaçosabertos e não protegidos (diferente dos manicômios), fazendo aflorar um cenário de vida, umsonho de liberdade e a sua inclusão social (Saraceno, 1999).
 
Nesse processo, está incluída avalorização das práticas terapêuticas que busquem o exercício da cidadania.Entende-se que a reabilitação psicossocial abrange contratualidade em quatro grandescenários: habitação; rede social; família e trabalho, como valor social.
 
Frente ao exposto, épertinente afirmar que o co-envolvimento da família é um importante aspecto a ser consideradonos projetos de reabilitação, tornando-a protagonista e responsável pelo processo de tratamento eorganização da vida do doente mental. Por isso, atualmente, a preocupação com a saúde mentalnão se restringe apenas à pessoa doente, mas a toda estrutura da sociedade em que ela estáinserida, e da qual a família é parte integrante.Assim, transformar as relações que existem entre a família e o doente mental é um dosgrandes desafios a serem enfrentados pela Reforma Psiquiátrica. E cabe ao profissional de saúde
 
 
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mental a responsabilidade de contemplar no seu contexto de atendimento, o indivíduo em suatotalidade, e também sua família.
b) Reflexões sobre o co-envolvimento da família no tratamento da doença mental
Pode-se afirmar que alterações importantes ocorrem na família quando um dos seusmembros sofre de um transtorno psíquico. Estudos (Saraceno, 1999 e Melman, 2002) mostramque a doença mental, em geral, desencadeia graves danos no plano psicológico, no daorganização da própria vida do indivíduo e também no plano material, que passa a vivenciar, nodecorrer do tempo, distúrbios e desabilitações psicossociais. Pois, o convívio diário dosfamiliares com uma pessoa com transtorno mental dentro da casa, e fora do circuito hospitalar,traz sérias dificuldades para estas famílias, como encargos físicos, emocionais, econômicos esociais. Essa é uma tarefa difícil, trabalhosa, complexa, que exige grandes responsabilidades.A família, ademais, representa o primeiro núcleo social do indivíduo, onde se esboçam asrelações com o mundo, portanto, o núcleo familiar é a primeira interação de reabilitação econstitui um núcleo que acolhe o doente mental e que atende às suas necessidades materiais eafetivas. Fica evidente que ao partilhar um local comum, familiares e usuários enfrentarãoconflitos e antagonismos, entretanto para amenizar as dificuldades enfrentadas pela família naconvivência com o doente mental, o serviço deve estar apto a possibilitar que os familiares sejamcapazes de exprimir também suas necessidades e sentimentos (Melman, 2002).
 
Construir programas de intervenção e desenvolvimento que promovam a saúde e o bem-estar dos pacientes, assim como acolher o sofrimento mental do paciente são aspectos relevantes,mas também a presença dos familiares no acompanhamento desses elementos demonstra umaatitude saudável e benéfica em saúde mental, idéia esta ainda pouco explorada na atualidade,dentro da área da saúde mental ou da arteterapia.Por outro lado, é vital ampliar a capacidade de resistir e crescer numa situação tão adversacomo a da doença mental, permitindo a abertura de um novo território existencial, isto é,experimentar novos gestos, novas possibilidades, um novo campo de intervenções, no qual acomunicação verbal não é o que mais importa. Valoriza-se nesse contexto a multiplicidade deformas de linguagem não-verbais, como os gestos, maneirismos, as somatizações, os silêncios, oschoros etc.Repensar o cuidado dispensado aos pacientes psiquiátricos e familiares, sob a perspectivada construção-invenção de um outro modo de tratar os pacientes, é um caminho que indica acriatividade, a espontaneidade e o lúdico. Diferentes modos de abordar os problemas e deexplorar potenciais criativos, como veículo de mudança pessoal e de transformação da realidadeexterna, ocorrem por meio de processos coletivos. A esse respeito, Tavares (2004) tambémreforça que a experiência criativa proporciona uma ruptura no movimento de repetição da doençamental.
c) Reflexões sobre arteterapia no novo paradigma de atenção em saúde mental
 “A linguagem artística é um caminho de expressão, comunicação esíntese da experiência pessoal do sujeito, é fruto das atividadesconsciente e inconsciente, integra aspectos afetivos e cognitivos de saúdee doença, sendo portanto o seu entendimento muito útil para ampliar acompreensão do ser humano.”(Santana, 2004)

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