Duarte Pacheco em
Esmeralda de Situ Orbis,
«a experiência é a madre das coisas, e por elasoubemos radicalmente a verdade», assim como as de Garcia da Orta, que se dedicou comgrande afinco ao estudo da flora oriental e sobre ela elaborou importantes estudos, tal comoo fizeram também Azurara, frei João dos Santos e Fernão Mendes Pinto, que deram igualimportância à fauna daquelas terras longínquas. Em
Peregrinação
surgem grandes quadrossinestéticos das paisagens naturais observadas pelo seu narrador, que não consegue escondero seu espanto. Estas descrições abarcam campos como a geografia, a topografia, a fauna, aflora e a etnografia e são dotadas de um grande realismo e tentativa de objectividade, de queo Capítulo XLI é bem exemplificativo. A viagem é uma aprendizagem contínua e um con-fronto permanente entre a realidade que pela primeira vez se observa despreconceituada-mente e de modo ingénuo e com objectividade e os conceitos dogmáticos que são a cada pas-so usurpados pelo mundo abarcado pela visão e pela experiência. Deste modo, a descobertade algo que era até então desconhecido é um facto inolvidável e fonte de contentamento,mesmo que a natureza do fenómeno observado possa constituir uma ameaça, como o croco-dilo:«Em todo este rio, que não era muito largo, havia muita quantidade de lagartos, aos quaiscom mais próprio nome poderia chamar serpentes, por serem alguns do tamanho de uma boa almadia, conchados por cima do lombo, com as bocas de mais de dous palmos, e tão sol-tos e atrevidos no cometer, segundo nos afirmaram os naturais da terra, que muitas vezesarremetiam a uma almadia quando não levava mais que três, quatro negros, e a soçobravamcom o rabo, e um e um os comiam a todos, e sem os espedaçarem os enguliam inteiros.»
Peregrinação,
cap. 14Esta relação directa e
in locu
com tais fenómenos e realidades só foi possível, contudo, devidoao progresso na aquisição e assimilação de conhecimentos geográficos e científicos, cuja con-cretização se ficou a dever, por seu lado, ao aperfeiçoamento dos instrumentos de orientaçãoe de navegação, nomeadamente o astrolábio e a bússola. De salientar que os processos expe-rimentais da época nada têm em comum com o método experimental da ciência moderna,porque no primeiro caso a experimentação consistia exclusivamente na recolha ocasional dedados, registados por pilotos e marinheiros nos seus diários de bordo. Segundo o polígrafo
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