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Apontamentos sobre a Documentação de Museus

Apontamentos sobre a Documentação de Museus

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1
Apontamentos sobre a Documentação de Museus.OBSERVATORIO DA MUSEOLOGIA BAIANA
 –
Departamento de Museologia/FFCH/UFBALinha de pesquisa: MUSEUTERMO
Suely Moraes CeravoloDpto. De Museologia
 –
FFCH/UFBA2012.2As idéias abaixo que resultaram nesse texto sintético visam suscitar a discussão sobreDocumentação em Museus. Serão bem vindos os comentários.A Documentação
de
Museus é considerada a espinha dorsal das atividades internas dosmuseus. De extrema importância faz parte junto com outras atividades como a pesquisa, aconservação, as exposições, os serviços de ação cultural e/ou educativos daquilo queconsideramos o
ciclo museológico
ou
 processo museológico
.
Processo
refere-se à
ação
ou
método
de modo a articular as diferentes funções realizadas através de procedimentos(atividades) com um fim comum: o de fazer funcionar a contento toda a instituição. O
 processo museológico
operando satisfatoriamente vai alimentar as atividades de comunicaçãomuseológica
 
cuja face mais conhecida são as exposições complementadas pelas as açõeseducativas e as de ação cultural
1
.A Documentação é parte do segmento da Museologia denominado
Museografia
A
 plicada
tida como atividade de
 preservação
e salvaguarda de bens patrimoniais vinculada àconservação e outras atividades laboratoriais. Há quem a denomine DocumentaçãoMuseológica.
 
Entendo essa expressão adequada ao se empregar (ou aceitar) o domínioMuseologia
 
com foco no
 fato museal 
e não somente aos museus. Ou seja, ao se advogar aidéia de que os museus são
 parte
 
de um universo muito mais amplo que ultrapassa a
instituição ‘museu’. Como disse Waldisa Rússio, museus não são o todo “(...) mas uma baseinstitucional necessária”
2
.
Fato Museal 
é um conceito e termo cunhado pela brasileira Waldisa Russio CamargoGuarnieri. Assenta-se na seguinte premissa:
Fato museológico
é uma relação profunda entre o homem, sujeito queconhece, e o objeto, testemunho da realidade. Uma realidade da qual ohomem também participa e sobre a qual ele tem o poder de agir, deexercer sua ação modificadora. (...) O que caracteriza, na realidade, essefato museológico, e é aí que entra o museu como um dado a considerar, éque essa relação profunda se faz num cenário institucionalizado, e esse
cenário institucionalizado é o museu”
3
.Como nosso objetivo é tratar da documentação que se elabora
dentro
dos museus,prefiro denominá-la
Documentação de Museu
, pois, delimitada à instituição.Para se entender o
 processo museológico
deve-se operar a noção de
sistema
:
“conjunto de elementos que mantém relação entre si”. Não é assim que fun
ciona nosso
1
VER texto emhttp://www.mestrado-museologia.net/Textos_cristina/MHN_COMUNICACAO.pdf  de autoria da profa. Dra. Cristina Bruno (MAE/USP)
2
 
VER: GUARNIERI, W.R. C. ‘Museu, Museologia, museólogos e formação’ In
Waldisa Rússio Camargo Guarnieri.
Textos e Contextos de uma trajetória profissional. (Bruno, M. C. O. coordenação editorial). Vol. 1. A Evidência dosContextos Museológicos. São Paulo : Pinacoteca do Estado SP :SECSP : Comitê Brasileiro do ICOM, 2010:243-252. 
3
RÚSSIO; 1984:60.
 
2
organismo? Pois bem, as instituições também deveriam funcionar de modo orgânico e
harmônico. Por isso, ‘pensar’ o Museu é conceber um conjunto de operações
conjugadas
 
 –
 
relacionadas
-
 
que darão sustentação às tarefas do dia a dia.Quando me refiro à documentação EM museus a caracterizo como algo próprio,particular e específico do
ambiente-museu
, pois a palavra ‘documentação’ é
 polissêmica
, ouseja, se aplica a vários ambientes e ou situações diferentes
4
. Não estamos nos referindo,portanto, à documentação em arquivos ou bibliotecas, mas a documentação
no ambiente-museu
.
O objetivo da disciplina FCHG 40 Documentação Museológica (Dpto. DeMuseologia/FFCH/UFBA) é introduzir o aluno no universo do
gerenciamento
dascoleções/acervo de Museu
.
Pode-se dizer que o
documentalista de museu
(
registrar 
em inglês)trabalha para implantar a ordem (em contraposição à
des
-ordem). Contudo, longe de se atersomente a registros (listas, inventário, fichas, fichários e arquivos) sua
 função
é capacitar ainstituição a gerenciar o acervo
 
daí resultando o
controle
(entenda-
se ‘conhecimento’). Deve
responder basicamente as seguintes perguntas:
o que, como, quando, onde.
Podemos colocaressa questão desse modo:
Se o museu não sabe o que há, como e em que período os objetos e ou coleçõesderam entrada no acervo, onde estão localizados e qual as condições físicas em que
se encontram qual a “importância” social e cultural de seu acervo? 
 
Todavia o
gerenciamento das coleções
 
resulta de uma série de operações conquistadaspela integração de um conjunto de procedimentos
 
a serem executados pelo
documentalista
e,idealmente, por sua equipe.
 
Distingo dois grandes conjuntos de operações sobre as coleções/acervo de Museus,advogando o princípio de que os objetos (portanto, as coleções e ou acervo) são em si mesmos
matrizes de informação
; o ponto de partida para qualquer procedimento da Documentação deMuseu. São eles: as operações
diretas
e as
indiretas
. As operações indiretas são àquelas quecatalisam a produção de Informação, i.é, que decorrem da
organização do conhecimento
E
da
organização da Informação.
 
1 Operações diretas
 –
atuam sobre o suporte
(objeto, artefato) - medir;numerar/marcar; etiquetar; observar e acompanhar o estado de conservação,armazenar, embalar; controlar a entrada/saída (providenciar e acompanharempréstimos; doações; compras; criar formulários, etc..); registro fotográfico.
Lembrando
: o suporte/objeto será colocado em Reserva Técnica (RT) ou Exposição.
2 Operações indiretas - produção de Informações documentárias/objeto =
matriz deinformação
que se caracterizam por serem operações de
 
representação efetuadasatravés da linguagem escrita
.
Lembrando
que o suporte não estará presente uma vezque armazenado em RT ou exposto.
2.1 Registrar:
listar; inventariar; fichar (ficha de registro geral; outras) 
 –
 Observando-se que as operações de registro DEPENDEM das operações decontrole terminológico a exemplo da denominação do objeto; descrever.Observando-se também que são operações
que devem ser continuamentealimentadas
. JAMAIS estacam numa ‘ficha’.
 
4
VER SMIT, Johanna.
O que é Documentação
. (Col. Primeiros Passos, no.174). São Paulo : Ed. Brasiliense, 1987.Obs.: já foi reeditado.
 
3
2.2 Catalogar:
classificar (gerar grades de classificação para
indexação
da tipologiado objeto); descrever o suporte.Do que se conclui que a Documentação de Museus é de natureza
normativa e prescritiva
.Trabalha-se com a noção de
sistema
 
para a Documentação de Museus em doisplanos complementares:a)
 
Como
ordenamento
de atividades interligadas (gerenciamento das atividades aserem cumpridas no tratamento das coleções). Nesse ponto, os
 fluxogramas
ajudam em muito a organizá-las.
 
b)
 
Como
estrutura
para organizar, tratar e recuperar informações
= sistema deinformações documentárias
 
aplicadas ao Museu. Por essa razão o
documentalistade Museu
é também um
 profissional da informação
. Nesse ponto, aDocumentação de Museu vai buscar subsídios teóricos e práticos na área daCiência da Informação (C.I.).
Lembrando:
o fim de um sistema de informação é abusca e recuperação de informações. Caso, contrário, se está no CAOS!
Sobre os sistemas de documentação informatizados
. Como se sabe o uso a
informatização nada resolve por si, muito menos os ‘micros’. É preciso
conceber e planejar oSistema de Documentação
 
para que possa ser informatizado. Ajuda? Sim, muito. Contudo, sem
antes
se ter uma idéia claríssima sobre o que vem a ser a Documentação de Museu é
praticamente impossível ‘pensar’ a informatização.
A implantação de um Sistema de Documentação de Museu se dá em razão direta datipologia do acervo. Se há princípios básicos e gerais para a documentação de museu elesdevem ser adaptados a situações particulares exigindo reflexão sobre um ambiente-museuespecífico e a respectiva adaptação.
 
Geralmente ao pensamos em acervos lembramos rapidamente das coleções constituídasde objetos da cultura material
. Mas, há na prática uma variedade enorme de “acervos”:
espécimes vivos (zôos; aquários; animais peçonhentos; outros. Um exemplo: Museu Biológico
 –
Butantã, S.P)
5
; os dos Centros de Ciências que lidam com efeitos e o suporte pode sertrocado
6
; museus virtuais
7
e muito mais. O desafio a enfrentar diz respeito, portanto, a umamplo universo museológico incluindo suportes de informação materiais (ou virtuais) da maisdiversa natureza.Hoje, o contexto em que operam os museus mudou e está em transformação rápida. Fala-
se em “economia da cultura”
8
sendo os museus
 parte
da recente compreensão do que vem a
ser ‘cultura’ para as instituições de fomento,
financiadoras e promotoras dos editais quepodem subsidiar os museus. Museus se tornaram
“ferramentas de transformações deterritórios” (GONZÁLES, 2010)
9
, devem ser sustentáveis, gerar empregos. Fazem
de fato
parte
da economia. São em certos aspectos “empresariais” e, tal como outras instituições culturais
necessitam cada vez mais disputar verbas através de projetos consistentes. Os profissionais de
5
6
Estação Ciência/USP - http://www.eciencia.usp.br/;Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS - http://www.pucrs.br/mct/;COSMOCAIXA, Barcelona -http://obrasocial.lacaixa.es/nuestroscentros/cosmocaixabarcelona/cosmocaixabarcelona_es.html.Acesso em25.11.2012.
7
Consultar o site http://www.virtualfreesites.com/museums.museums.html.
8
NASCIMENTO JUNIOR, José.
Economia de Museus
. Brasilia : MinC/IBRAM, 2010.
9
 
GONZÁLES, Lúcia. ‘Los museos como herramientas de transformación social Del território: El c
aso del museo deAntiquia (Medellín
 –
 
Colombia)’. In
Economia de Museus
. Brasilia : MinC/IBRAM, 2010: 53-72.

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