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saúde mental no trabalho

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126
SAÚDE MENTAL NO TRABALHO:DESAFIOS E SOLUÇÕES
Lys Esther Rocha* 
1 INTRODUÇÃO
O tema Saúde Mental no Trabalho: desafios e soluções correspondea um livro organizado por Débora Miriam Raab Glina e Lys EstherRocha (GLINA & ROCHA, 2000). Deste livro participaram pesquisado-res e profissionais de saúde de diferentes regiões do Brasil que atuame estudam diferentes atividades com o objetivo de dar visibilidade eampliar as discussões sobre as situações de saúde potencialmentegeradoras de repercussões na saúde mental dos trabalhadores e asações que vêm sendo realizadas para reconhecer e prevenir estesagravos. Neste sentido seria impossível reunir em uma palestra tematão abrangente.Considerando a minha formação como médica do trabalho e dou-torado em Medicina Preventiva, optei por restringir o tema para Pre-venção em Saúde Mental e Trabalho: desafios e soluções. Mesmoassim, não pretendemos abranger as diferentes possibilidades, ire-mos apresentar a nossa experiência na construção de um modelo deprevenção em saúde mental no trabalho e um caso em que ocorreu aaplicação deste modelo.Ao revolucionar as formas de utilização e de transmissão de infor-mações, a introdução da microeletrônica conduziu à incorporação denovos equipamentos e procedimentos aos processos de trabalho pos-sibilitando a integração entre sistemas produtivos em níveis cada vezmais complexos. Vivemos um período de intensas modificações dosprocessos de trabalho. Ao longo das últimas décadas, uma “nova” for-ma de trabalhar e de produzir vem sendo construída, com implicaçõessociais relevantes no âmbito das relações do trabalho e
 
da
 
geração deempregos: substituição de postos de trabalho; exigências de maiorqualificação profissional; surgimento de novas categorias profissionaise intensificação do ritmo de trabalho.Estas modificações geraram aumento das exigências mentais, in-cluindo os aspectos cognitivos, emocionais e psicossociais, em diver-
* Auditora-Fiscal do Ministério do Trabalho em São Paulo e Docente da Faculdade deMedicina da Universidade de São Paulo.
 
127sas ocupações. Além disso, a publicação do Decreto n. 3.048 de 06/ 05/1999 pelo Ministério da Previdência e Assistência Social discrimi-nando os Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho traz novosdesafios aos profissionais de saúde e de recursos humanos de organi-zações públicas e privadas no reconhecimento e prevenção destaspatologias.A prevenção visando a Saúde Mental no Trabalho vem sendo in-corporada apenas recentemente pelas empresas devido a dificuldadede caracterização da inter-relação entre os distúrbios psíquicos dostrabalhadores e as situações de trabalho (GLINA & ROCHA, 2006). Oprograma de prevenção pode gerar maior dinamismo, flexibilidade einovação nas organizações fazendo uso de potencialidades dos traba-lhadores através da possibilidade de participação (LEVI, 2005).
1.1 ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
1.1.1 Etapa diagnósticaNo início de um Programa de Prevenção visando a Saúde Mentalno Trabalho deve-se definir a sua abrangência: para toda empresa,para um setor ou para uma ocupação específica; o período de duraçãocom o cronograma das diferentes etapas e as facilidades e dificulda-des existentes na empresa para a implantação do Programa. Às vezesé interessante a criação de um comitê que pense a construção doprograma reunindo profissionais de diversos departamentos e seto-res. Os membros deste comitê devem receber um treinamentoenfocando os aspectos teóricos da saúde mental no trabalho emetodologias de análise e intervenção em situações de trabalho.Na definição do diagnóstico da situação é importante conhecer ecompreender o contexto da empresa em relação à sua estrutura,organograma, histórico, número de funcionários. Atualmente estas in-formações podem ser conhecidas através dos Manuais de Qualidadedas Empresas. Após esta fase deve ser feito um diagnóstico do setorou ocupação a ser realizada a intervenção caracterizando as ativida-des do setor e também as características sócio-demográficas dos tra-balhadores do setor (sexo, idade, escolaridade, naturalidade, condi-ções de vida).No diagnóstico das atividades realizadas no setor a análiseergonômica do trabalho tem sido um instrumento importante para ava-liação de possíveis fatores presentes na situação de trabalho associa-dos aos problemas de saúde identificados.
 
128A análise da situação de trabalho deve incluir:- o
ambiente de trabalho:
ruído, temperaturas extremas (calor/ frio), agentes químicos, iluminação;- a
organização do trabalho:
a avaliação do processo de
 
trabalho,o tipo de tecnologia utilizada, as jornadas de trabalho, o trabalho no-turno ou em turnos fixos ou alternantes, as pausas, o ritmo de traba-lho, os pagamentos com prêmios associados à produção, os planosde ascensão e carreira, a presença de “conflito de papel”, a descriçãodas tarefas, a capacidade decisória no trabalho;- o
conteúdo do trabalho:
possibilidade de influenciar o própriotrabalho, a quantidade de informação, a presença de tomada de deci-sões rápidas, a responsabilidade no trabalho, seja por outras pessoasou por materiais, a presença de trabalhos extremamente monótonos,a possibilidade de um pequeno erro, ou de um lapso momentâneo eatenção, terem conseqüências graves ou mesmo desastrosas;- os
fatores psicossociais do trabalho
que compreendem a per-cepção dos trabalhadores da situação do trabalho e as relações hu-manas do trabalho considerando superiores, colegas ou clientes(KALIMO
et al 
.,1988).Este conjunto de fatores aparece integrado e interdependente. Asrepercussões na saúde dos trabalhadores dependem da personalida-de, experiência individual e expectativas em relação ao trabalho. Demaneira geral, quando o trabalho apresenta elevados requisitos psico-lógicos e cognitivos, associado a baixo poder decisório e baixo nívelde apoio social, a possibilidade de aparecer repercussões na saúdedos trabalhadores é alta.Os indicadores de repercussões da presença destes fatores estãorelacionados com as condições de saúde dos trabalhadores e associ-ados ao desempenho do trabalhador na empresa.Entre os
indicadores de saúde
, destaca-se a morbidadepsicossomática e psiquiátrica. Diante de uma situação de trabalho coma presença destes fatores os trabalhadores podem apresentar rea-ções de estresse decorrentes de diversos mecanismos patogênicos
cognitivos, afetivos, de conduta ou fisiológicos) que se sob certas con-dições de intensidade, freqüência ou duração, podem provocar o apa-recimento de doenças psicossomáticas e psiquiátricas.Estudos epidemiológicos sobre trabalhadores expostos a fatoresde estresse no trabalho detectaram as seguintes perturbações funcio-nais: “sintomas musculares (por exemplo, tensão e dor); sintomasgastrointestinais (por exemplo, dispepsia, indigestão, vômito, pirose eirritação do colo); sintomas cardíacos (por exemplo: palpitação, arritmias

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