aumento do câncer de mama nos Estados Unidos entre 1960 e2000 (dados comparados na mesma escala).
Uma solução simples e gastronômica
As condições de criação dos animais dos quais nos alimentamossão preocupantes para nossa saúde – sem falar da saúde dospróprios animais, que sofrem por certo ainda mais do que nós.Contudo, a equipe de pesquisadores de Gerard Ailhaud conseguiuuma demonstração impressionante: é possível agir diretamentesobre as taxas de ômega-6 e ômega-3 no corpo humano semmodificar nossa dieta, mas alimentando de uma forma um poucodiferente... os animais dos quais provêm nossos alimentos. Umligeiro acréscimo na ração pode bastar para recolocar aalimentação deles em um equilíbrio próximo ao do passado.O
linho
, uma planta cultivada desde a Antiguidade, era integradoao “pão árabe” que os romanos comiam. Ora, no reino vegetal, asemente de linho [semente de linhaça] é a única que contém maisômega-3 do que ômega-6 (três vezes mais). Quando é consumidapelos animais (após cozimento adaptado), ela permite aumentar consideravelmente a taxa de ômega-3 da carne, da manteiga, doqueijo ou dos ovos, mesmo que a quantidade acrescentada nãorepresente mais do que 5% da alimentação dos alimais.Depois de elucidar o “paradoxo americano”, a equipe de GerardAilhaud, Pierre Weill e Philippe Guesnet incorporou médicos,agrônomos, biólogos e estatísticos. Eles estudaram dois grupos deanimais idênticos (vacas, galinhas e porcos exatamente da mesmaraça, criados nas mesmas condições). O primeiro grupo eraalimentado simplesmente “à antiga” – acrescentando-se 5% desementes de linhaça cozidas em sua alimentação –, o segundogrupo “à moderna”, com as habituais rações de milho, soja e trigo.Em seguida eles recrutaram voluntários, divididos por sua vez emdois grupos, aos quais entregaram suas “compras” em casa durantetrês meses. Um dos grupos só consumia os produtos animais (boi,presunto, carneiro, galinha, manteiga, queijos e ovos) provenientesde animais alimentados com linho. O outro recebia quantidadesiguais de produtos originários de animais da mesma raçaalimentados com a dieta-padrão. Ao cabo de três meses, um examede sangue foi feito em todos os participantes. Os voluntários dosegundo grupo, que tinham recebido produtos-padrão,apresentavam uma relação ômega-3/ômega-6 muito nociva,equivalente às que se encontram em todas as sondagens: 1/15. Em