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A vulnerabilidade de populações desassistidas - propostas para estudos futuros

A vulnerabilidade de populações desassistidas - propostas para estudos futuros

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Published by: Antonio Fernando Navarro on Nov 28, 2012
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12/04/2012

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A vulnerabilidade de populações desassistidas
PROPOSTAS PARA ESTUDOS FUTUROS
Antonio Fernando Navarro
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Introdução
Inicialmente, as populações desassistidas são aquelas com pouca ou quasenenhuma assistência pública, residentes em áreas normalmente colapsáveis, e por isso, sujeitas aacidentes ambientais de toda a sorte, que afetando suas posses provocam continuamente perdas do pouco que conseguem amealhar com seus trabalhos. Por ocasião de eventos climáticos maisintensos, quase sempre chuvas acima do normal provocam o deslizamento de barreiras das encostas. Nessas ocasiões de catástrofes são atendidas ou apoiadas por uma parcela da população que seapresenta de imediato, seja para auxiliar a Defesa Civil a resgatar as vítimas e mesmo para aobtenção de fundos que possibilitem a aquisição de mantimentos e a reposição dos pertences. Quaseque de imediato grupos de apoio conseguem angariar roupas e alimentos e providenciar asdistribuições. Quanto aos Governos, esses liberam gêneros alimentícios, algumas vezes fruto decontribuições da própria população, nesses casos auxiliando o transporte dos mantimentos emveículos das forças militares, e a obtenção de verbas emergenciais para a reconstrução dasmoradias. Por questões não de todo explicadas, essa mesma população desassistida, em sua maior  parte, retorna aos seus locais de moradia anterior. Por quê? Por falta de outras opções ou deassistência?De outra feita, comunidades inteiras viram cinzas em incêndios que se inicialatravés de curtos circuitos de instalações elétricas sobrecarregadas, que ao atingirem um barraco sealastram aos demais. São tragédias que não têm origem natural, mas que fazem parte de umcontexto onde essa população reside. Por não haver fiscalização adequada muitos dos barracos sãoiluminados por instalações precárias. Nessa precariedade e no aumento de residências conectadas aomesmo circuito o imprevisível passa a ser previsível, ou seja, os incêndios passam a se alastrar.Condições de climas mais secos e sem chuvas aumentam a velocidade de alastramento das perdas.O que de comum se observa em todas essas comunidades são alguns fatos como:agrupamentos humanos não planejados, dificuldades de acesso aos locais pelos os públicos desocorro e atendimento às vítimas, falta de fiscalização pelos órgãos públicos, moradias de precária
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Antonio Fernando Navarro é Físico, Matemático, Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança do Trabalho e Mestreem Saúde e Meio Ambiente, tendo atuado como Gerente de Riscos em atividades industriais por mais de 30 anos.Também é professor da Universidade Federal Fluminense – UFF.
 
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resistência estrutural, utilização farta de materiais de construção simples, facilmente colapsáveis ecombustíveis.
Apresentação
Estes temas envolvendo a “vulnerabilidade de populações desassistidas” sempreforam motivo de inúmeros artigos, mas as respostas nunca justificaram totalmente os problemas, jáque inúmeros são os fatores que fazem com que as populações retornem aos seus ambientes demoradia anteriores, mesmo que tenham tido suas casas totalmente atingidas pelas catástrofes. Adesassistência aqui referida diz respeito ao fato de que eventos diversos podem atingir ascomunidades, mas a “assistência” em si, quase sempre pública, passa a ser prejudicada pela precariedade dos assentamentos. Não se refere somente a ocupações irregulares nos topos dosmorros, ou nas bordas dos rios, mas também aquela população que ocupa as margens das rodoviasou ferrovias, a que edifica suas moradias em áreas de proteção ambientais, enfim, os aglomeradosurbanos que se espraiam densamente por esses locais. A população é majoritariamente migrante deoutras regiões mais pobres e que vem em busca de novas oportunidades.O início de tudo começa com a esperança de empregos com boas remuneraçõessalariais, compatíveis com as formações profissionais dos migrantes, associando a possibilidade de poderem contar com o apoio de amigos ou parentes que já se encontram residindo naqueles locais, oque termina sendo um elemento facilitador para o início dos assentamentos ou a ampliação dosmesmos. Ou seja, a falta de oportunidades em seus locais de origem faz com que busquem novasalternativas. Com o apoio de familiares ou amigos que migraram antes e tiveram algumasoportunidades os incentivam à mudança. O perfil desses migrantes é o de famílias com no mínimotrês filhos. O Chefe da família possui baixo grau de escolaridade, sendo analfabetos funcionais emmais de 40% dos casos. Nessas condições podem aceitar empregos que normalmente seriamrecusados pelas populações locais. Tratam-se das migrações urbanas internas que não têm, por partedos governos municipais as preocupações devidas.Os menos capazes, na expectativa de virem a ser aproveitados, terminam por  buscar um local para construir suas moradias. O que resta a esses é “subir encosta acima” dosmorros para edificar suas precárias moradias, já que as áreas planas e próximas aos locais detrabalho já há muito foram ocupadas. Esse mesmo fenômeno de ocupação já foi motivo de váriosestudos nos morros, principalmente do Rio de Janeiro, onde as classes menos favorecidas e recémchegadas terminam por construir seus casebres nas áreas mais altas dos morros. Os primeirosmoradores, também migrantes em outros tempos, ocupam as partes mais baixas, e assim
 
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sucessivamente. As ondas migratórias terminam por estabelecer os “cinturões de ocupação urbana”ao redor das encostas dos morros.A permanência de moradias em áreas cada vez mais distantes do apoio público, notopo dos morros, pode ter razões elencadas sob o viés psicológico, sociológico ou antropológico.Muitos governos, às vésperas das eleições estaduais ou municipais terminam contribuindo para a permanência dessas pessoas nesses locais, construindo teleféricos, arruamentos, praças e outrosequipamentos urbanos. Quase sempre os governantes justificam suas ações sob a ótica de que nãohaverá espaços físicos adequados para o assentamento dessas populações em áreas menosinseguras. E a questão não para por aí. Em todo o processo de assentamento há que se prever não a saneabilidade do local, como também a oferta de sistemas públicos de transportes, comércio básico local e outras “facilidades” urbanas.Da mesma forma que as questões relativas a vulnerabilidades sociais a desastres,apesar de merecer dos pesquisadores as atenções necessárias, quase nunca são associadas a processos de mensuração, vez que além de serem inúmeros os fatores convergentes, as eventuaisassociações quase sempre passam a não ser aplicadas a todos os casos em que existem locais com oassentamento de populações vulneráveis. Aliás, as vulnerabilidades são avaliadas após a ocorrênciados acidentes e o surgimento de vítimas. Em função dessas variáveis fica muitas vezes difícilestimar ou definirem-se os graus de riscos a que se encontram expostas, já que os fatores queconduzem a uma tragédia, ou às causas dessas tragédias podem ser variáveis, e algumas vezesdesconhecidas.Em termos matemáticos, existem causas de acidentes que se desdobram em outrasde intensidades maiores ou não, e acidentes que não causam maiores danos dos que aqueles já provocados. Por exemplo, em um vento mais forte uma árvore pode ter suas raízes soltas do solo ecair. Trata-se de um evento singelo causado pela ação do vento. Por outro lado, se essa árvoreestiver em uma encosta, a queda da mesma pode soltar o solo e esse rolar pela encosta, provocandodanos a edificações que se encontrem na área. No meio do solo pode existir algum bloco rochoso,que solto atinge outras direções e provoca mais destruição. A causa básica ainda é a mesma, mas asconsequências podem ser ampliadas. Se o solo “escorregado” atingir um curso d’água e o bloquear certamente o nível das águas pode subir, o que já ocorreria com as chuvas que podem estar associadas. Essa rápida subida do nível das águas gerará transbordamentos, causando danosadicionais. Esses desdobramentos de consequências faz com que a visão do observador deva ser ampliada e não focada à simples causa básica, vento forte. Na natureza, esses desdobramentos sãomuito comuns e por isso, as estimativas dos prejuízos passam a ser complexas. Por essas razões é

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