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A interdependência entre estado e MST na constituição de um assentamento de reforma agrária

A interdependência entre estado e MST na constituição de um assentamento de reforma agrária

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A partir desse artigo pretende-se discutir o tema das relações de interdependência entre os
movimentos sociais e o Estado na constituição dos assentamentos de reforma agrária.
Desse modo, esse trabalho tem como problema analisar: quais são as relações de interdependência entre o MST e o Estado na constituição de um assentamento de reforma agrária?
A partir desse artigo pretende-se discutir o tema das relações de interdependência entre os
movimentos sociais e o Estado na constituição dos assentamentos de reforma agrária.
Desse modo, esse trabalho tem como problema analisar: quais são as relações de interdependência entre o MST e o Estado na constituição de um assentamento de reforma agrária?

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Categories:Types, Research
Published by: Sérgio Botton Barcellos on Nov 29, 2012
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Revista NERA Presidente Prudente Ano 15, nº. 20 pp. 83-98 Jan-jun./2012
A interdependência entre estado e MST na constituição de umassentamento de reforma agrária
1
 
Sérgio Botton Barcellos
Doutorando no Curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Desenvolvimento, Agricultura e SociedadeUniversidade Federal Rural do Rio de Janeiroe-mail: sergiobbarcellos@hotmail.com
Resumo
 A partir desse artigo pretende-se discutir o tema das relações de interdependência entre osmovimentos sociais e o Estado na constituição dos assentamentos de reforma agrária.Desse modo, esse trabalho tem como problema analisar: quais são as relações deinterdependência entre o MST e o Estado na constituição de um assentamento de reformaagrária? A partir disso, pretende-se problematizar quais as inter-relações contidas entre oEstado e a coordenação política do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)na constituição de um assentamento de reforma agrária ao final dos anos 1990 no RioGrande do Sul. As fontes de pesquisa utilizadas para coletar os dados e as referênciasnesse trabalho foram obtidas em: bibliografias temáticas pesquisadas; artigos acadêmicos; epercepções a partir de vivências do autor em alguns assentamentos de reforma agrária. Sobessas condições, acredita-se que as características deste assentamento podem ser consideradas como um dos indicadores de quais os rumos, sentidos e desdobramentos dasrelações de entrelaçamento entre o Estado e o MST no processo de constituição do Assentamento Santa Rosa.
Palavras-chave:
estado, movimentos sociais, interdependência, assentamentos.
ResumenLa interdependencia entre estado y MST en la constitución de un asentamientode reforma agraria
En este artículo propone-se discutir el tema de las relaciones de interdependencia entre losmovimientos sociales y Estado en la constitución de politicas publicas la reforma agraria. Por lo tanto, lo objeto deste trabajo es analizar el problema:¿cuáles son las interdependenciasentre el MST y el Estado en el establecimiento de un acuerdo para políticas publicas de lareforma agraria? De esto, tenemos la intención de hablar sobre que contenía lasinterrelaciones entre las diferentes esferas de la dirección de los gobiernos y del Movimientode los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) en el establecimiento de un acuerdo. Lasfuentes de investigación utilizadas para recopilar agraria en la década datos y referencias eneste trabajo se obtuvieron de los temas de investigación: bibliografías, artículos deacadémicos y puntos de vista de las experiencias de lo autor. Como un indicador dedirección, que direcciones y desarrollos en las relaciones entrelazadas entre el estado y elMST en el proceso de formación de la solución de Santa Rosa.
Palabras-clave:
estado, movimientos sociales, interdependencia, asentamientos de reformaagraria.
1
Este artigo é um dos desdobramentos relativos ao trabalho de dissertação do autor 
intitulado “AFormação do Discurso da Agroecologia no MST”
, CPDA/UFRRJ, 2010.
 
REVISTA NERA
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ANO 15, Nº. 20
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JANEIRO/JUNHO DE 2012
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ISSN: 1806-6755
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AbstractThe interdependence between state and the MST in constitution a land reformsettlement
This paper searches to understand which the theme of interdependence between socialmovements and the state of the constitution in land reform settlements. This article theanalysis of the problem: what are the interdependencies between the MST and the State inestablishing a settlement of agrarian reform? From this to problematize this contained theinterrelationships between the different spheres of government and political leadership of theMovement of Landless Workers (MST) in the establishment of a land reform settlement in theyears 1990. The research sources used to collect data and references to this paper were
obtained in: researched bibliography in the writing of the author’
s dissertation; academic
articles; and perceptions from the author’s experiences in some land reform settlements.
Inthis research it was considered that an indicator of which direction, directions anddevelopments of the relations in the process of formation of the Santa Rosa settlementbetween the state and the MST.
Keywords:
state, social movements, interdependence, settlements.
Introdução
Em um campo permeado por disputas e conflitos acerca da ocupação e acesso daterra no Brasil, os movimentos sociais mobilizados em torno da questão fundiária tambémestão passando por determinados processos de mudança e ampliação tanto no seurepertório de pautas, quanto em suas formas de organização e atuação política. Nessecenário, em âmbito nacional, estão ocorrendo disputas, conflitos e iniciativas mediante aocupação de territórios e o planejamento de ações em desenvolvimento local em diversasregiões e localidades, como aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas, assentamentosrurais, dentre outros espaços. Muitas dessas experiências e oportunidades são mediadas edesenvolvidas por diversos grupos de interesse social, em contraposição ou favoravelmenteao Estado, como as empresas que participam da cadeia produtiva do agronegócio tanto nomeio rural, quanto no urbano.Perante a realidade na qual é debatida a reforma agrária no Brasil, o Movimento dosTrabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupa historicamente lugar de destaque comomediador desse processo. No que se refere ao conjunto de suas pautas e lutas políticas, oschamados movimentos camponeses, dentre eles, o MST, incorporou, como uma das suasquestões centrais, temas relacionados às formas de ocupação, estruturação e organizaçãosocial, econômica e ambiental para a constituição de assentamentos de reforma agrária.Os agentes atuantes na realidade em que um assentamento é conquistado econstituído centram-se, muitas vezes, nas propostas e experiências vivenciadas pelosassentados, técnicos e dirigentes vinculados ao MST, pelos diferentes graus de acordo ecapacidade decisória entre eles, frente ao Estado e demais agentes (governo municipal,grandes proprietários, empresas em agronegócio, etc.) situados no contexto local. Outroaspecto é o relativo ao campo político configurado pelo conjunto de fatores sociohistóricosdo meio rural no Brasil, no qual perpassam as questões da atuação política e dasexperiências vivenciadas junto ao Estado e aos diferentes governos, partidos, sindicatos embusca de aliados, oportunidades e negociação; as pautas relativas às políticas públicas,como a reforma agrária, o acesso ao crédito e a assistência técnica; questões relativas àmobilização da base social do MST, como reuniões, encontros e congressos do Movimento;dentre outras possibilidades de relação social inerentes ao processo em questão.Dessa forma, propõe-se problematizar: quais são as relações de interdependênciaentre o MST e o Estado na constituição de um assentamento de reforma agrária? A partir 
 
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disso, o objetivo desse ensaio é identificar os agentes e quais as possíveis relações deinterdependência contidas entre o Estado e o MST a partir da constituição de umassentamento.O Assentamento Santa Rosa, que foi escolhido como espaço de pesquisa para ser oplano empírico dessa discussão, está localizado em uma das regiões de maior densidade deassentamentos e assentados no estado do Rio Grande do Sul (RS). O município deTupanciretã possui 17 assentamentos, dos quais 11 são coordenados pelo MST. A escolhadesse assentamento justifica-se, em grande medida, pelo mesmo ter sido estruturado pelo
programa estadual de reforma agrária, intitulado “Novo Modelo de Assentamentos” durante
o governo estadual - gestão 1999 a 2002 (Governo Olívio Dutra
 –
PT). Esse programa, nahistória recente (anos 1980 em diante), foi considerado um dos poucos programas dereforma agrária formulados e implementados pelo governo estadual no RS em interlocuçãocom os movimentos sociais rurais, como o MST e outros.Junto com a abordagem de campo social, pretende-se acionar e lançar mão doconceito de interdependência como arcabouço teórico da discussão, a partir de NorbertElias. Compreende-se que essa lente analítica pode auxiliar na elaboração desse trabalhopor apontar uma perspectiva em que é possível visualizar como os agentes sociaisconstroem teias de interdependência, que dão origem a configurações de diversos tipos,como por exemplo, na relação entre o Estado e o MST (ELIAS, 1994). A partir dessa noçãode agentes/atores múltiplos, integrais, cujo coletivo se forma pela articulação das diversassituações de dominação contestadas por seus movimentos, considera-se, conformeFerrante (1994), que analisar o que as classes populares
são 
perde o sentido, emdetrimento de analisar aquilo que os grupos estão enfrentando e estão
sendo 
na realidade,ou seja, no seu espaço de vivências, no caso os assentamentos.
 Assim, nesse ensaio, a significação da ação denominada como “constituiçãoserá
referente às possíveis relações de interdependência entre os agentes sociais quecompartilham da formação do universo social em questão nesse trabalho, isto é, o Assentamento Santa Rosa. Dessa forma, será realizado um exercício de não apenasidentificar as relações explícitas contidas entre os agentes sociais nesse processo, masindicar caminhos para a compreensão do conjunto de processos sociais que culminaram naconstituição desse assentamento. Optou-se por evidenciar os diferentes agentes de Estadoe do MST que interatuaram nesse processo, bem como identificar as
 
disputas e acordosestabelecidos entre eles. As fontes de pesquisa utilizadas para coletar os dados e as referências usadasnesse trabalho foram obtidas em: bibliografias pesquisadas para elaboração de dissertaçãode mestrado do autor; artigos acadêmicos temáticos; percepções a partir de vivências doautor em alguns assentamentos de reforma agrária. Além disso, como fonte primária, foirealizada a coleta de dados por meio dos seguintes instrumentos: a observação participantee a realização de entrevistas
2
.O trabalho será apresentado em dois tópicos principais:
“A
formação dosassentamentos para o MST e as relações de interdependência com o Estado nesse
processo” e “O Assentamento Santa Rosa e suas interfaces com o contexto local”.
 
A formação dos assentamentos para o MST e as relações de interdependênciacom o Estado nesse processo
Conforme bibliografia acadêmica, as discussões em relação aos sistemas deorganização dos assentamentos de reforma agrária no MST tiveram início a partir do ano de1986. Segundo Fernandes e Stédile (1999), isso ocorreu devido ao aumento do número deassentamentos e a necessidade de viabilizá-los econômica e socialmente frente à realidadedesse contexto histórico. A direção do MST, no final dos anos 1980 e início dos 1990,compreendia que desenvolvendo uma proposta alternativa de (re) organização da produção,
2
Foram ouvidos os assentados, a assistência técnica e os dirigentes locais do MST.

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