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O Homem do Omega
do artigo da
New Scientist magazine
, 10 Marçode 2001.(tradução de León de Castelahttp://locuspastoralis.blogspot.com crazy.wizards@terra.com.br)
Ele despedaçou a matemática com um úniconúmero, e isso é apenas para principiantes,diz Marcus Chown.
DOIS mais dois é igual a quatro: ningmdiscutiria isso. Mateticos podem provar rigorosamente coisas desse tipo, e muitos outrascoisas além. A linguagem da matetica permite-lhes prover formas limpas e ordenadasde descrever tudo que acontece no mundo aonosso redor.Ou pelo menos era o que pensavam. GregoryChaitin, um pesquisador matemático da T. J.Watson Research Center da IBM em YorktownHeights, Nova Iorque, mostrou que matemáticosnão podem realmente provar muito afinal. Fazer matemática, ele diz, é somente um processo dedescoberta como qualquer outro ramo daciência: é um campo experimental onde osmateticos tropam em fatos, da mesmaforma que os zoologistas podem se deparar comum nova espécie de primata.Matemática tem sempre sido considerada comolivre de incertezas e capaz de fornecer umafundação pura para outros campos bagunçadosda ciência. Mas a matetica é o mais bagunçado quanto, diz Chaitin: Matemáticoseso simplesmente atuando na intuão eexperimentando novas ideias como quaisqueoutros. Zoologistas pensam que deve haver algonovo baloando de galho em galho nasflorestas inexploradas de Madagascar, ematemáticos possuem palpites sobre quais áreasda paisagem matemática explorar. O questãonão é mais profunda que isso.A razão para as declarações provocativas deChaitin é que ele descobriu que o núcleo damatetica escheio de buracos. Chaitinmostrou que há um número infinito de fatosmatemáticos, mas para a maior parte, não hárelação entre eles sendo impossível ligá-los comteoremas. Se matemáticos encontram quaisquer conexões entre esses fatos, são por pura sorte.“Muito em matemática é verdadeiro ponenhuma rao particular”, diz Chaitin.“Matemática é verdadeira por acidente”.Isso é especificamente uma má notícia para osfísicos na busca de uma descrição completa econcisa do universo. Matemática é a linguagemda física, logo a descoberta de Chaitin implicaque nunca haverá uma “teoria do todoconfiável, engenhosamente resumindo todas ascaracterísticas básicas da realidade em um sóconjunto de equações. É uma pílula amarga deengolir, mas até Steven Weinberg, um físicolaureado com o prêmio Nobel e autor de
Sonhosde uma Teoria Fina
, engoliu-a. “Nãosaberemos nunca se a nossa teoria matemáticafinal é consistente”, ele admite.A praga matetica de Chaitin o é umteorema abstrato ou uma equação impenetrável:é simplemente um número. Este número queChaitin chama de Omega, é real, assim como pié real. Porém Omega é infinitamente longo etotalmente incalculável. Chaitin descobriu queOmega infecta o todo da matemática, pondolimites fundamentais no que podemos conhecer.E Omega é só o começo. Há números mais perturbadores ─ Chaitin denomina-os de Super-Omegas ─ que desafiarão o cálculo, mesmo queconsigamos resolver o Omega. A estirpe Omegade números incalculáveis revela que amatemática está simplesmente roída por traças,ela é em sua maioria feita de frestas. Anarquia e,não ordem, está no coração do Universo.Chaitin descobriu Omega e suas surpreendentes propriedades enquanto lutava com duas dasmais influentes descobertas matemáticas doséculo XX. Em 1931, o matemático austríacoKurt Gödel explodiu uma fresta na matemática:seu Teorema da Incompletude mostrou que háalguns teoremas matemáticos que você não pode provar. Então, cinco anos depois, o matemático britânico Allan Turing aprimorou o trabalho deGödel.Usando um computador hipotético que podiaimitar o funcionamento de qualquer máquina,Turing mostrou que há algo que nunca pode ser 
 
computado. Não há instruções as quais possadar a um computador que permitirão decidir com antecencia onde um determinado programa deve terminar sua tarefa ou parar.Para saber se um programa irá finalmente parar  ─ depois de um dia, uma semana, trilhão deanos ─ você tem que executá-lo e esperar. Elechamou isso de problema de parada.Décadas depois, nos anos 60, Chaitin retomouonde Turing havia parado. Fascinado pelotrabalho de Turing, ele começou a investigar o problema de parada. Ele considerou todos os possíveis programas que o computador hipotético de Turing poderia executar, e buscou pela probabilidade de um programa, escolhidoao acaso entre outros programas, parar. Otrabalho levou 20 anos, porém ele finalmente provou que “a probabilidade de parada”transforma a pergunta de Turing de quando um programa para em um número real, algo entre 0e 1.Chaitin chamou esse mero de Omega. Emostrou que do mesmo modo que o instrões computáveis determinando deantemão quando um programa deve parar, nãohá também instruções para determinar os dígitosde Omega. Omega é incalculável.Alguns números, como pi, podem ser gerados por um programa relativamente pequeno quecalcula seu número infinito de dígitos um a um ─ o quão longe você vá é simplesmente umaquestão de tempo e recursos. Outro exemplo deum número calculável pode ser um que contém200 repetições da sequência 0101. O número élongo, mas o programa que o gera só precisadizer “repita 01 400 vezes”. Não há tal programa para Omega. Em binário,ele consiste de uma interminável cadeiaaleatória de 0s e 1s. “Meu número Omega nãotem padrão ou estrutura ou coisa semelhante”,diz Chaitin. “É uma cadeia de 0s e 1s na qualcada dígito é tão desvinculada de seu predecessor quanto um lance moeda é do outro.O mesmo processo que levou Turing a concluir que o problema de parada é indeciso, tambémlevou Chaitin a descobrir um númerodesconhecido. “É o incrível exemplo de algoque é desconhecido em matetica”, dizChaitin.Um mero desconhecível o seria um problema se nunca virasse a cabeça. Todaviadesde que Chaitin descobriu Omega, começou acogitar se ele não teria implicações no mundoreal. Então ele decidiu procurar por lugares namatemática onde Omega poderia aparecer. Atéagora, ele olhou adequadamente em um lugar:teoria dos números.Teoria dos números é o fundamento damatemática pura. Ela mostra como lidar comconceitos como contagem, adição emultiplicação. A busca de Chaitin por Omegaem teoria do números começou com asEquações de Diofantine ─ que envolvem apenasconceitos simples de adição, multiplicação eexponenciação(elevar um número à potência deoutro) de números inteiros.Chaitin formulou uma equação diofantina de200 páginas com 17000 variáveis. Dada umaequação como essa, matemáticos normalmente procuram por suas soluções. Pode havequalquer número de respostas: talvez 10, 20, outalvez um mero infinito delas. ContudoChaitin não procurou por soluções específicas,ele somente observou se havia um número finitoou infinito delas.Ele fez isso porque sabia que era a chave paradesencavar Omega. Os mateticos JamesJones da Universidade de Calgary e YuriMatijasevic do Instituto de Matemática Steklovem S. Petersburgo mostrou como traduzir asoperações do computador de Turing em umaequação de Diofantine. Eles descobriram que háuma relação entre as soluções das equações e o problema de parada para o programa damáquina. Especificamente, se um programanunca para, a equação de Diofantine específicanão terá solução. De fato, a equação proporciona uma ponte entre o problema de parada de Turing ─ e portanto a probabilidadede parada de Chaitin ─ com simples operaçõesmatemáticas, como adição e multiplicação denúmeros inteiros.Chaitin arranjou sua equação de maneira quehouvesse uma variável particular, um parâmetro
 
que chamou de N, que fornece a chave paraencontrar Omega. Quando ele substituiunúmeros por N, a análise da equação forneceriagitos de Omega em birio. Quando elecolocava 1 no lugar de N, ele perguntava sehavia um número finito ou infinito de soluçõesinteiras para a equação. A resposta o primeiro dígito de Omega: um número finito desoluções fao desse mero 0, um meroinfinito farão dele 1. Substituindo 2 por N efazendo a mesma pergunta a respeito da soluçãoda equação darão o segundo dígito de Omega.Chaitin poderia, em teoria, continuar parasempre. “Minha equação é constrda demaneira que perguntando se tem finita ouinfinitamente muitas soluções ao variar o parâmetro é o mesmo que descrever os bits deOmega“, diz. No entanto, Chaitin já sabia que cada dígito deOmega é randômico e independente. Isso só poderia significar uma coisa. Porque descobrir se uma equação de Diofantine tem um númerofinito ou infinito de soluções gera esses dígitos,cada resposta à equação deve ser desconhecívele independente de cada outra. Em outras palavras, a aleatoriedade dos dígitos de Omegaimpoem limites do que pode ser conhecido emteoria dos números ─ o mais elementar doscampos da matemática. “Se a aleatoriedade estáem algo básico como teoria dos números, ondemais está?” pergunta Chaitin. Ele acha que sabea resposta. “Meu palpite é de que está em toda parte”, diz. “A aleatoriedade é o veradeirofundamento da matemática”.O fato de que a aleatoriedade está em toda partetem profundas consequências, diz John Casti,um matemático do Instituto Santa Fe no Novoxico e da Universidade Tecnológica deViena. Isso significa que alguns pedos damatemática podem seguir um do outro, mas para a maioria das situações matemáticas elasnão existirão. E são não pode fazer conexões,você não pode resolver ou provar coisas. Tudo oque o matemático pode fazer é almejaencontrar os poucos pedaços de matemática quese amarram. “O trabalho de Chaitin mostra que problemas solucionáveis são como ilhas numvasto oceano de proposições indecisíveis”, dizCasti.Tome o problema de números perfeitos ímpares.Um número perfeito tem divisores cuja somaiguala-se ao número. Por exemplo, 6 é perfeito, pois seus divisores são 1, 2 e 3 e somam 6. Hámuitos números perfeitos pares, não obstanteninguém encontrou um número ímpar que é perfeito. E além disso, ninguém provou que umnúmero ímpar não pode ser perfeito. Hipótesesimprováveis como esssa e a de Riemann quetornou-se uma case incerta de vários outrosteoremas(New Scientist, 11 Novembro 2000 p.32) são exemplos de coisas que deveriam ser aceitas como não prováveis porém verdadeiras,sugere Chaitin. Em outras palavras, há algumascoisas que cientistas vão sempre ter que confiar. Não é de surpreender que os mateticostiveram dificuldade de lidar com Omega. Maspior por vir. “Nós podemos ir além deOmega”, diz Chaitin. Em seu livro,
 Explorandoa Aleatoriedade
(New Scientist, 10 Janeiro, p46), Chaitin agora soltou os “Super-Omegas”.Como Omega, os Super-Omegas tambémdevem sua gênese a Turing. Ele imaginou umcomputador-Deus, muito mais poderoso quequalquer computador, que poderia conhecer oinconhecível: onde um computador real parariaao rodar um programa, ou continuaindefinidamente. Ele chamou essa máquinafanstica de “oráculo”. E logo que Chaitindescobriu Omega ─ a probabilidade de certocerto programa de computador poder finalmente parar ele percebeu que podia tambémimaginar um oráculo que conheceria Omega.Essa quina teria sua própria ingnita probabilidade de parada, Omega'. No entanto, se um oráculo conhece Omega, éfácil imaginar um oráculo de segunda ordemque conhece Omega'. Essa máquina, por suavez, tem sua própria probabilidade de parada,Omega'', que é somente conhecida por umoráculo de terceira ordem e assim por diante. Deacordo com Chaitin, há uma infinita sequênciade crescentes Omegas aleatórios. “Há até umoráculo vê-tudo de infinita ordem que conhecetodos os Omegas”, diz.Ele guardou, para si próprio, esses números por décadas, achando-os muito bizarros para seremrelevantes para o mundo. Assim como Turing
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