que chamou de N, que fornece a chave paraencontrar Omega. Quando ele substituiunúmeros por N, a análise da equação forneceriadígitos de Omega em binário. Quando elecolocava 1 no lugar de N, ele perguntava sehavia um número finito ou infinito de soluçõesinteiras para a equação. A resposta dá o primeiro dígito de Omega: um número finito desoluções farão desse número 0, um númeroinfinito farão dele 1. Substituindo 2 por N efazendo a mesma pergunta a respeito da soluçãoda equação darão o segundo dígito de Omega.Chaitin poderia, em teoria, continuar parasempre. “Minha equação é construída demaneira que perguntando se tem finita ouinfinitamente muitas soluções ao variar o parâmetro é o mesmo que descrever os bits deOmega“, diz. No entanto, Chaitin já sabia que cada dígito deOmega é randômico e independente. Isso só poderia significar uma coisa. Porque descobrir se uma equação de Diofantine tem um númerofinito ou infinito de soluções gera esses dígitos,cada resposta à equação deve ser desconhecívele independente de cada outra. Em outras palavras, a aleatoriedade dos dígitos de Omegaimpoem limites do que pode ser conhecido emteoria dos números ─ o mais elementar doscampos da matemática. “Se a aleatoriedade estáem algo básico como teoria dos números, ondemais está?” pergunta Chaitin. Ele acha que sabea resposta. “Meu palpite é de que está em toda parte”, diz. “A aleatoriedade é o veradeirofundamento da matemática”.O fato de que a aleatoriedade está em toda partetem profundas consequências, diz John Casti,um matemático do Instituto Santa Fe no NovoMéxico e da Universidade Tecnológica deViena. Isso significa que alguns pedaços damatemática podem seguir um do outro, mas para a maioria das situações matemáticas elasnão existirão. E são não pode fazer conexões,você não pode resolver ou provar coisas. Tudo oque o matemático pode fazer é almejar encontrar os poucos pedaços de matemática quese amarram. “O trabalho de Chaitin mostra que problemas solucionáveis são como ilhas numvasto oceano de proposições indecisíveis”, dizCasti.Tome o problema de números perfeitos ímpares.Um número perfeito tem divisores cuja somaiguala-se ao número. Por exemplo, 6 é perfeito, pois seus divisores são 1, 2 e 3 e somam 6. Hámuitos números perfeitos pares, não obstanteninguém encontrou um número ímpar que é perfeito. E além disso, ninguém provou que umnúmero ímpar não pode ser perfeito. Hipótesesimprováveis como esssa e a de Riemann quetornou-se uma case incerta de vários outrosteoremas(New Scientist, 11 Novembro 2000 p.32) são exemplos de coisas que deveriam ser aceitas como não prováveis porém verdadeiras,sugere Chaitin. Em outras palavras, há algumascoisas que cientistas vão sempre ter que confiar. Não é de surpreender que os matemáticostiveram dificuldade de lidar com Omega. Mashá pior por vir. “Nós podemos ir além deOmega”, diz Chaitin. Em seu livro,
Explorandoa Aleatoriedade
(New Scientist, 10 Janeiro, p46), Chaitin agora soltou os “Super-Omegas”.Como Omega, os Super-Omegas tambémdevem sua gênese a Turing. Ele imaginou umcomputador-Deus, muito mais poderoso quequalquer computador, que poderia conhecer oinconhecível: onde um computador real parariaao rodar um programa, ou continuar indefinidamente. Ele chamou essa máquinafantástica de “oráculo”. E logo que Chaitindescobriu Omega ─ a probabilidade de certocerto programa de computador poder finalmente parar ─ ele percebeu que podia tambémimaginar um oráculo que conheceria Omega.Essa máquina teria sua própria incógnita probabilidade de parada, Omega'. No entanto, se um oráculo conhece Omega, éfácil imaginar um oráculo de segunda ordemque conhece Omega'. Essa máquina, por suavez, tem sua própria probabilidade de parada,Omega'', que é somente conhecida por umoráculo de terceira ordem e assim por diante. Deacordo com Chaitin, há uma infinita sequênciade crescentes Omegas aleatórios. “Há até umoráculo vê-tudo de infinita ordem que conhecetodos os Omegas”, diz.Ele guardou, para si próprio, esses números por décadas, achando-os muito bizarros para seremrelevantes para o mundo. Assim como Turing