Em aço templado.E trago o silêncio guardado,Do pago dentro de mim.Fazendo vez de oratório,Sou cacimba destampada,De boca aberta, calada,Como a espera do ofertório.Como vigia em velório,Que tem um jeito que é tão seu.Tem muito de terra... é céu,Que a gente sente ajoelhando,De mãos postas levantandoO pago inteiro para Deus.Sou o sono do cusco amigo,Dormindo sobre o borralho.Sou vozerio do trabalho,Na guerra ou na paz - sou perigo.Sou lápide de jazigoPerdido nalgum potreiro.Sou manha de caborteiro,Sou voz rouca de acordeona,Cantando triste e chorona,Um canto chão brasileiro.Sou a graxa da picanhaNa bexiga enfumaçada,Sou cebo de rinhonada.Me garantindo a façanha.Sou voz de campanha,Que nos lançantes se some.Sou boi-ta-tá - lobisomem.Sou a santa ignorância.Sou o índio sem infância,Que sem querer ficou homem.Sou Sepé Tiarajú,Rio Uruguai, rio-mar azul,Sou o cruzeiro do sul,A luz guia do índio cru.Sou galpão, charla, Sou chirú,de magalhanicas viagens,Andejei por mil paisagens,Sem jamais sofrer sogaço.Cresci juntando pedaçosDe brasileiras coragens.Sou enfim, o sabiá que canta,Alegre, embora sozinho.Sou gemido do moinho,Num tom triste que encanta.Sou pó que se levanta,
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