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Economia e Justica: Conceitos e Evidência Empírica - Armando Castelar Pinheiro

Economia e Justica: Conceitos e Evidência Empírica - Armando Castelar Pinheiro

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O judiciário é uma das instituições cuja importância para o bom funcionamento de uma economia de mercado, garantindo direitos de propriedade e fazendo cumprir contratos, apenas recentemente foi adequadamente reconhecida. E esse reconhecimento tem levado a um maior interesse dos economistas por um tema historicamente tratado apenas pelos chamados operadores do direito. Este trabalho apresenta alguns dos progressos feitos na análise econômica do judiciário, tanto em termos de entender como o funcionamento da justiça afeta o desempenho econômico, como em tentar avaliar a importância quantitativa dessas influências.
O judiciário é uma das instituições cuja importância para o bom funcionamento de uma economia de mercado, garantindo direitos de propriedade e fazendo cumprir contratos, apenas recentemente foi adequadamente reconhecida. E esse reconhecimento tem levado a um maior interesse dos economistas por um tema historicamente tratado apenas pelos chamados operadores do direito. Este trabalho apresenta alguns dos progressos feitos na análise econômica do judiciário, tanto em termos de entender como o funcionamento da justiça afeta o desempenho econômico, como em tentar avaliar a importância quantitativa dessas influências.

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 Economia e Justiça: Conceitos e Evidência Empírica
Armando Castelar Pinheiro
1
 Julho 2001
1
Chefe do Departamento Econômico do BNDES, Professor de Economia da UFRJ e membro do IDESP. Oautor agradece os comentários de Cláudio Haddad e Gregório Stukart a uma versão anterior do trabalho.
 
Sumário ExecutivoO papel das instituições em viabilizar o desenvolvimento econômico tem recebido umaatenção crescente nas duas últimas décadas, como resultado de dois processos mais ou menosindependentes. De um lado, teve-se o amadurecimento de toda uma abordagem econômica,que ficou conhecida como a Nova Economia Institucionalista, e que, através de análiseshistóricas e do desenvolvimento de instrumental analítico próprio, mostrou a importância deleis, costumes, normas, órgãos públicos, associações privadas etc. em reduzir custos detransação, desta forma permitindo métodos de produção mais eficientes, estimulando oinvestimento e fomentando o acúmulo de conhecimento.De outro lado, teve-se nesses anos um amplo processo de reforma econômica nos países emdesenvolvimento e em transição, processo que ficou marcado pela valorização do papel domercado na organização da atividade econômica. Passados alguns anos da implantaçãodessas reformas, reconhece-se ter havido um excesso de otimismo quanto aos resultados que poderiam ser delas obtidos, e uma insuficiente preocupação com o fortalecimento nesses países das instituições que ajudam o mercado a funcionar. Igualmente drástico foi o fato deque, em alguns casos, no processo de reforma eliminou-se o papel que o Estadodesempenhava em substituição a instituições ausentes ou pouco eficientes, ou organizando a produção de forma que o impacto do mau funcionamento dessas instituições na economiafosse reduzido.O judiciário é uma das instituições cuja importância para o bom funcionamento de umaeconomia de mercado, garantindo direitos de propriedade e fazendo cumprir contratos, apenasrecentemente foi adequadamente reconhecida. E esse reconhecimento tem levado a um maior interesse dos economistas por um tema historicamente tratado apenas pelos chamadosoperadores do direito. Este trabalho apresenta alguns dos progressos feitos na análiseeconômica do judiciário, tanto em termos de entender como o funcionamento da justiça afetao desempenho econômico, como em tentar avaliar a importância quantitativa dessasinfluências.Para se proceder a esse tipo de análise, é necessário primeiro definir o que é um bom judiciário. Ainda que haja propostas alternativas a esse respeito, opta-se aqui por pensar o judiciário como um produtor de serviços consumidos pelos agentes econômicos em suasatividades. Quatro características desse serviço são analisadas: agilidade, previsibilidade,imparcialidade e custo de acesso. Cada um desses atributos influencia a utilidade esperada derecorrer-se ao judiciário. Ex-post, eles influenciam a decisão dos agentes de recorrer ao judiciário ou a outro método de resolução de disputa. Ex-ante eles influenciam as decisões de produção, investimento e contratação em geral, na medida em que, sendo a ida à justiça algoque pode ocorrer em qualquer negócio, a forma como essa funciona ajuda a determinar oretorno esperado do negócio.A morosidade é apontada por empresas, indivíduos e pelos próprios juízes como o principal problema da justiça brasileira. Pesquisa com empresas feita pelo IDESP (Instituto de EstudosEconômicos, Sociais e Políticos de São Paulo) mostra que suas causas levam respectivamente31, 38 e 46 meses, em média, para ter uma decisão das justiças do Trabalho, Estadual eFederal. As empresas têm, porém, um relacionamento ambíguo com a lentidão da justiça.Assim, nem sempre a demora em obter uma decisão é prejudicial às empresas: na pesquisa do
 
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IDESP, um quarto delas apontou que nas causas trabalhistas, por exemplo, a lentidão lhes é benéfica. O outro lado da moeda desse posicionamento é o fato de que uma grande parte doscasos que chegam todo ano à justiça, e ajudam a torná-la mais lenta, lá está não para defender direitos, mas sim para explorar a sua morosidade e com isso adiar o cumprimento deobrigações.O trabalho analisa quatro canais através dos quais a morosidade e outros problemas da justiça prejudicam o funcionamento da economia: o progresso tecnológico, a eficiência empresarial,a decisão de investimento e a qualidade da política econômica. Um bom judiciário contribui para o crescimento econômico protegendo a propriedade intelectual e desta formaestimulando o desenvolvimento e a difusão de tecnologia; reduzindo os custos de transação, edesta forma permitindo organizar a produção de forma mais especializada e eficiente; protegendo o investimento em ativos específicos do comportamento oportunista das partes, edesta forma aumentando a produtividade do capital; e coibindo o comportamento oportunistado governo na condução da política econômica, e assim viabilizando um maior volume deinvestimento pelo setor privado.A análise empírica do impacto do judiciário sobre o desempenho econômico é dificultada pelafalta de boas proxies para a qualidade do judiciário e pelo fato de que esta varia pouco notempo dentro de um mesmo país. Um conjunto de trabalhos tem não obstante tentadoquantificar essa influência com o recurso a análises de cross-sections de países baseadas no princípio de convergência condicionada, em que se assume que a qualidade do judiciário afetaa renda per capita de equilíbrio dos países, e, tudo o mais constante, a velocidade com que oPIB per capita aumenta. De forma geral esses estudos comprovam a relevância do bomfuncionamento da justiça para o desenvolvimento econômico, ainda que as limitações dessametodologia não devam ser ignoradas.Alternativamente, tem-se buscado quantificar a influência do judiciário na economia com base em pesquisas junto a empresas, procurando identificar como e quanto as suas decisões de produção, investimento etc. são influenciadas pela justiça. Os resultados de pesquisas comesse perfil, realizadas no Brasil, no Peru e na Argentina, indicam que se o judiciário desses países funcionasse melhor haveria um aumento moderado do volume de atividade e deinvestimento, do emprego, do número de firmas com que as empresas entrevistadas negociam,e do recurso à terceirização. Uma melhoria significativa do desempenho da justiça levaria, nocaso do Brasil, a aumentos de 13,7%, 10,4% e 9,4% nos níveis de produção, investimento eemprego, respectivamente. Estimativas para Peru e Argentina sugerem impactos ainda maissignificativos. Pesquisa realizada no Canadá, onde a justiça é bem avaliada pelosempresários, mostra que melhorias no judiciário teriam impacto negligenciável na economia.O trabalho conclui apresentando alguns fatores que explicam porque, apesar de a importânciada justiça para o bom funcionamento da economia ter-se tornado mais importante com asreformas da década de 90, e de o reconhecimento dessa importância também ter aumentado,muito pouco se avançou nos últimos anos com reformas do judiciário que o tornem umsustentáculo mais forte do desenvolvimento econômico. Há diversos fatores que ajudam aexplicar essa falta de progresso, a começar pela complexidade técnica e política de umareforma dessa natureza. Essas dificuldades não significam, porém, que se dava abrir mão dacontribuição que um bom judiciário pode dar para acelerar o desenvolvimento econômico.

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