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Eleições nos Açores - Descontentamento e descrédito evidentesSaudaçõesSaudamos aqui o povo açoriano pela forma clara como manifestou oseu desprezo pelo mandarinato e o seu descontentamento para coma actuação do PS local, no poder. Desejamos também expressar onosso desejo que os orianos saibam encontrar formas maispermanentes, radicais e organizadas de manifestar aquelessentimentos e encontrem uma alternativa popular ao actual estadode coisas.As principais formas de expressão do povo dos AçoresQuando os não votantes representam 53,24% dos eleitores está dadoo principal sinal da real representatividade dos eleitos; e, aqueles,ainda se devem somar 1,72% de votos brancos e nulos. A abstençãocresceu mais de 22% (18,6 mil pessoas) e representa perto de 103mil cidadãos num universo de 193 mil.Em regra, a imprensa e os analistas não gastam muito tempo a referiro significado da abstenção e menos ainda valorizam ou dignificam oseleitores que não votaram nas agremiações partidárias concorrentes.Esses eleitores são desprezados e de facto, desapossados de umarepresentação que explicitamente, não querem confiar a quem seapresentou como alternativa. O mandarinato, por seu turno, nãoqueima neurónios para conseguir fórmulas legais para que a massados abstencionistas se manifeste eleitoralmente, tornando-se maisatractivo. Pelo contrário, vão tecendo acordos para limitar ainda maisessa representação às principais agremiações mandarínicas que, aserem levadas a cabo, conduzirão a que mais gente considereeleições em democracia de mercado como um embuste.Voltando aos Açores, não são as pessoas que vivem nas ilhas maispequenas, em meios mais isolados, que mais se abstêm. Pelocontrário, como se pode observar no quadro seguinte, são as ilhascom maior população urbana as responsáveis por esse facto:
Abstenção 2008Variação 2008/2004nº% de eleitoresnº%Açores - Total102.73553,2418.62822,15S. Miguel58.85356,8411.76724,99Terceira24.25552,934.00719,79Pico5.44546,4096221,46Faial5.88050,121.21726,10Outras ilhas8.30241,256758,85
O significado profundo deste volume brutal de abstenção é adescrença nas alternativas presentes no “mercado eleitoral” que nãoentusiasmam particularmente os açorianos. Mesmo a entrada de
 
novos eleitores, jovens, não parece trazer consigo uma renovadaesperança no sistema político.Num segundo plano há a registar a subida da esquerda institucional,representativa daqueles que, querendo manifestar o seu protesto,acreditam na regeneração do sistema mandarínico, com a existênciade um Estado dirigido por gente “séria” capaz de dotar o capitalismode uma face humana, de gerar uma social-democracia dentro doparadigma dominante de Estado mínimo. Esses cidadãosrepresentavam em 2004 3,78% dos votantes e agora são 6,44%desse total, sendo essa evolução inteiramente da responsabilidade doBE pois o PC perdeu uma centena de votos, mesmo tendoreconquistado o mandato perdido há quatro anos.Contudo, esse resultado da esquerda institucional deve ser visto comfrieza e não gerar triunfalismos. Vejam-se os resultados do binómioPC/BE nas últimas quatro eleições regionais:
Nº de votos da esquerda institucional199620002.0042008495261913.9875807
Esperamos que muitos destes açorianos se apercebam das limitaçõesda luta eleitoral, dos resultados conseguidos nas eleições e,sobretudo sintam que a luta anti-capitalista é diária e de cada um,não de um escasso número de eleitos.Um olhar sobre o entulhoA direita, no seu conjunto perdeu mais de 18 mil votos embora sótenha perdido cerca de 4% da sua representatividade entre osvotantes.À direita, o PS que apoia o governo “cesariano” perdeu um mandato e15 mil votos expressos, mantendo-se hegemónico porquanto a direitatradicional (PPD e CDS) também perdeu votos (3700), em nadabeneficiando do desgaste do PS, no governo durante os últimosquatro anos.Sublinha-se aqui que, neste simulacro de democracia, um grupo demandarins, chamado PS-Açores, arroga-se ao direito de governar aregião, afirmando-se com uma maioria absoluta, não tendo mais doque o apoio de 23,4% dos eleitores açorianos. É espantoso como sepode dizer isso sem sofrer o epíteto de aldrabão ou ouvir um coro degargalhadas. Mesmo assim, têm uma representatividade superior aoCosta, da Câmara de Lisboa votado por 11% dos lisboetas, no anopassado.Estas alterações, quer na sua globalidade quer na sua composiçãonada trazem de virtuoso aos açorianos, muito menos no quadro de

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