E, para que serve a
escola
? Dizem que ela é reflexo da sociedade: em umasociedade onde todos fazem tudo, os mais novos aprenderiam direto com osadultos (por exemplo: nas sociedade indígenas ou pequenos agrupamentoshumanos isolados); em uma sociedade especializada ou com divisão de trabalho,levamos os jovens à escola. Mas, isto é insuficiente? Pensamos que não, pois aescola se propõe a dar uma visão ampla de mundo e, para tal perspectiva, épreciso uma curiosidade sobre tudo que naturalmente ultrapassará os limites deuma
tribo
(ainda que sejam
bons selvagens
, como pensava
Jean-JacquesRousseau
, queremos viver em um lugar onde as condições de
sobrevivência
sógarantem a vida de umas seis mil pessoas?), ou, na proposta
capitalista
, a escolaseria mera fornecedora de mão de obra. Queremos formar um
ser completo
, idéiaque o próprio Rousseau defendeu e, também,
Schiller
e, antes deles, Platão eAristóteles. Por que não pensar a escola não como reflexo, mas uma visão futura,
utópica
mesmo, de uma
sociedade ideal
?Não sei se me aproximo dos teóricos do
pensamento crítico
, poisacreditamos que o senso crítico é importante para defender nossas idéias oureconhecer argumentos melhores do que os nossos, mas entendemos que aescola, antes disso, procura diminuir aqueles desejos sexuais (
concupiscência
) ea preguiça (ou fazemos isto e a escola tem este papel ou valerá a “
lei do maisforte
”, queremos esta lei vigorando? Somos, sim, amigo Nietzsche,
niilistas
ou
pragmáticos
?), freqüentes nos jovens e, ainda, os desejos materiais, enfim, o quechamamos (apressadamente) de egoísmo (apenas quando são excessivos), maisativos nos mais jovens, que estão mais próximos deles e os incitamconstantemente. O que não significa que não devamos falar sobre: certa vez, elesme perguntaram se eu era virgem?, por que eu era solteiro?, me deram o apelidode um filme de comédia – “o virgem de 40 anos”. Em geral, eles depreciam os maisvelhos e em resposta a isto eu disse que o sexo que os adolescentes praticam éparecido com o dos coelhos: eles fazem rápido e várias vezes. Falar sobre sexo éinstrutivo, os ajudará no futuro a serem melhores parceiros: disse-lhes, porexemplo, que os filmes pornôs são úteis pois ensinam posições diferentes parafazer sexo com quem amamos. Dependendo do nível de renda familiar, é comum ouso de um vocabulário chulo, que devemos trocar por expressões científicas: terrelações sexuais em vez de “bimbar” ou “trepar”, dizer testículos em vez de bolas,vagina em vez de boceta ou perereca, pênis em vez de “pau”, “pica”, etc,expressões que menosprezam a beleza envolvida em um processo natural, aindaque a intenção deles não seja ver o outro como um objeto de sua satisfaçãopessoal, é, em geral, assim que eles se comportam: sem pensar no outro comoalguém com
sentimentos
. Não queremos uma sociedade assim. Estamosensinando valores, dirão? Sim. E isto é errado? Quando se libera totalmente asexualidade juvenil uma das conseqüências é a banalização do corpo, o que incluigravidez precoce. Pensar assim é ser conservador? É curioso que, normalmente,se atribua a conservadores a defesa do controle populacional; ocorre, contudo, que