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METODOLOGIASPARAAVALIAÇÃO EDIAGNÓSTICO DOESTADODEISOLAMENTOSDEPAPELIMPREGNADOCOMÓLEOMINERAL
Roberto Zirbes
∗†
zirbes@eletrosul.gov.br
Jacqueline G Rolim
jackie@labspot.ufsc.br
Hans Helmut Zürn
hans@labspot.ufsc.br
Grupo de Sistemas de Potência -Departamento de Engenharia ElétricaUniversidade Federal de Santa Catarina88040-900, Florianópolis, SC
ELETROSUL
ABSTRACT
Cellulose impregnated with mineral oil is the most used in-sulating material in medium, high or extra high voltage sub-stations, due to its efficacy and low cost. This material is em-ployed in power transformers and its bushings, reactors, ca-pacitors and measurement voltage and current transformers.This paper discusses the methodologies traditionally used toassess the insulating state of impregnated paper and to di-agnose faults through the dissipation factor and the concen-tration of gases dissolved in the oil, regarding some factorsthat may affect those variables. Uncertainties in measuredparameters and analysis methods are also considered. Someresults obtained with the application of traditional method-ologies (standards) for incipient fault detection based on gasanalysis are compared with results obtained from the appli-cation of a artificial neural network proposed for this task.
KEYWORDS
: Insulating Oil, Insulated Paper, DissipationFactor, Dissolved Gas Analysis, Fault Diagnosis.
RESUMO
O isolamento elétrico mais comumente utilizado em subes-
Artigo submetido em 18/09/031a. Revisão em 27/09/05Aceito sob recomendação do Ed. Assoc. Prof. Glauco Taranto
tações de média, alta ou extra alta tensão é o de celulose im-pregnada com óleo mineral isolante, em função de sua efi-cácia e custo reduzido. Sua utilização abrange transforma-dores de potência e suas buchas, reatores e transformadoresde medição de corrente e tensão. Este artigo discute as me-todologias tradicionais utilizadas na análise de estado e nodiagnóstico do isolamento a partir do fator de dissipação eda concentração de gases dissolvidos no óleo, considerandoos principais fatores que afetam estes valores. São tambémabordados alguns aspectos que causam incerteza na mediçãoe nas metodologias de análise. É apresentada a modelagemde uma rede neural artificial para diagnóstico e identificaçãode estado do isolamento a partir de dados de concentraçãodegases dissolvidos no óleo, sendo os resultados obtidos com-parados com os das metodologias tradicionais baseadas emnormas.
PALAVRAS-CHAVE
: Óleo Mineral Isolante, Papel Isolante,Fator deDissipação, Análise deGases Dissolvidos, Diagnós-tico de Faltas.
1 INTRODÃO
A confiabilidadedeumsistema desuprimentodeenergiaelé-trica tem reflexos econômicose sociais na região suprida. Osreflexos econômicos decorrentes de uma indisponibilidadenão ficam restritos ao consumidor,mas atingem também, em
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maior ou menor intensidade, aos agentes envolvidos no su-primento de energia.Com a reestruturação do setor de energia elétrica ocorreramalterações significativas nos projetos conceituais de instala-ções, com o objetivo de minimizar a indisponibilidade deequipamentos. Um exemplodesta tendência é a utilização detécnicas de intervenção em equipamentos energizados, cujaaplicação, em função dos custos envolvidos, era antes res-trita a determinadas situações em que a disponibilidade dofornecimento de energia era afetada.Neste contexto, a análise dos modos de falha, as técnicas deavaliação de estado sem intervenção e de detecção de falhasincipientes assumem um papel mais amplo e relevante na fi-losofia de manutenção. Dentre os aspectos a serem supervi-sionados, a condição do isolamento de equipamentos ocupaum lugar de destaque. Historicamente a supervisão do iso-lamento dos transformadores de transmissão é um item re-levante por suas conseqüências funcionais e pelo impactoeconômico que representa uma falha nestes equipamentos.Mais recentemente a supervisão do isolamento de transfor-madores de corrente passou a ser realizada de forma maissistemática em função de uma série de falhas que resultaramna explosão de alguns dos mesmos. Nestes casos, a segu-rança do pessoal é o aspecto preponderante, embora o im-pacto econômico não seja desprezível, inclusive pela propa-gação dos danos a equipamentos próximos.É crescente o emprego da monitoração contínua de parâ-metros relacionados com o estado da isolação elétrica dosequipamentos, em que diversos produtos e metodologias es-tão sendo desenvolvidos. Como por exemplo, a medição dedescargas parciais, fator de dissipação, gases dissolvidos noóleo, umidade relativa no óleo, entre outras. De uma formageral, estes parâmetros são processados e comparados comparâmetros de referência.
2 AVALIAÇÃO DO ESTADO DE UM ISO-LAMENTO ELÉTRICO
A isolaçãoelétricaemequipamentosdealta tensãotemcomofunção primária minimizar o fluxo de corrente entre condu-tores submetidos a diferenciais de potencial elétrico, supor-tando o campo elétrico resultante. Deve, ainda, apresentarpropriedades mecânicas, térmicas e químicas apropriadas aocumprimento de sua função.Na isolaçãode equipamentose componentestais comotrans-formadores de potência, buchas, reatores e transformado-res de medição é normalmente utilizado o papel impregnadocom óleo isolante.O dimensionamento dos isolamentos é feito considerandodeterminadas condições de trabalho, tais como faixa de tem-peratura de operação, máxima tensão contínua de trabalho,máxima tensão de impulso suportável, e ciclo de trabalho es-timado. Os valores de referência da maioria das condiçõesde trabalho utilizados no projeto dos isolamentos são padro-nizados por normas ou, em casos particulares, estabelecidosde comum acordo entre fabricantes e usuários. Para uma ve-rificação da condição inicial do isolamento alguns ensaiosde rotina e de tipo são previstos em normas específicas dosequipamentos,e outrosestabelecidosdecomumacordoentrefabricantes e clientes. Estes ensaios são normalmente efetu-ados em um ambiente de laboratório.Os isolamentos sofrem redução de sua capacidade ao longodo tempo, mesmo quando submetidos às condições normaisde projeto. Quando submetido a condições mais severas, avida útil estimada é reduzida. Na medida em que ocorre umaredução de sua capacidade, vários processos podem ocorrerno sentido de acelerar esta redução, levando a uma incapaci-dade de realizar sua função,ou seja, à falha doisolamento. Arecuperação de um isolamento nestas condições nem sempreé possível e os custos envolvidos são geralmente elevados.Os processos que atuam no sentido de acelerar a redução decapacidade do isolamento, quando em sua fase bem inicial,são denominadas de falhas incipientes. Estas falhas são nor-malmente recuperáveis com um custo reduzido.O isolamento de papel impregnado é um isolamento com-posto de celulose e óleo isolante, em que cada um dos com-ponentespossuiseus processosnormaisdedegradaçãoe que,quando em contato, interagem entre si, podendo alterar par-cialmente suas características individuais. A degradação dacaracterística isolante da celulose e do óleo isolante envolvevários processos químicos e físicos que interagem entre si deuma forma complexa. Esta interação normalmente é no sen-tido de reforçar a degradação, aumentando a influência deum processo sobre o outro e conseqüentemente os reflexosnas características do isolamento.Os principais fatores primários externos que levam à degra-dação da celulose e do óleo são o aquecimento, umidade eoxigênio. Alguns dos produtos da degradação,assim como aumidade e o aquecimento podem ter seus efeitos ampliadospela aplicação de um campo elétrico.Os métodos de avaliação da degradaçãopodem medir direta-mente características intrínsecas do isolamento, produtos desua degradação, ou ainda seus efeitos em parâmetros físicosou químicos. Os principais métodos utilizados nas concessi-onárias do setor elétrico são a análise de gases dissolvidos noóleo e ensaios físico-químicosdoóleo, mediçãode descargasparciais nos isolamentos e medições de fator de dissipação.Existe umatendênciade queestas mediçõessejam realizadasde forma contínua com o equipamento em operação.
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A análise dos gases dissolvidos no óleo isolante tem por ob- jetivo a avaliação da condição de normalidadedo isolamentopapel-óleo, com a identificação de eventuais processos de fa-lhas que estejam ocorrendo. Os processos identificáveis têmcomoorigemo sobreaquecimentodoisolamentoe a ocorrên-cia de descargas elétricas em seu interior, em vários níveisde intensidade. A estimativa das falhas incipientes é feitaem um primeiro momento por valores de referência estabe-lecidos estatisticamente e posteriormentepela análise dos re-sultados por especialistas. Este método, que será o foco dasmetodologias a serem apresentadas nos itens 4 e 5, tem omérito de poder ser utilizado com o equipamento em opera-ção normal, seja por amostragemperiódica do óleo, seja pelamonitoração contínua.A medição do fator de dissipação, normalmente é relacio-nada com a condição do isolamento através de valores de re-ferenciais pré-fixados, em geral baseados em médias estatís-ticas. É associado ao calor dissipado nos isolamentos, sendoeste algumas vezes o referencial para o estabelecimento devalores limites de operação. Este método é tradicionalmenteutilizado com o equipamento fora de operação e desconec-tado do sistema. Nos últimos anos alguns sistemas de me-dição contínua com o equipamento em operação têm sidodesenvolvidos comercialmente.A medição de descargas parciais, descargas elétricas ondenão ocorrea rupturatotal doisolamento, temporobjetivode-terminar sua ocorrência no isolamento, caracterizando assimeste processo de falha. Sua medição pode ser realizada pelosinal elétrico gerado pela descarga ou acusticamente pelo si-nal gerado pela onda de choque da descarga. A mediçãodo sinal elétrico gerado permite uma associação com a in-tensidade da descarga e uma caracterização da configuraçãodos eletrodos envolvidos. A medição dos sinais acústicosnão permite uma caracterização confiável da intensidade dadescarga, mas permite a localização da fonte espacialmente.O método acústico é normalmente utilizado com o equipa-mento em operação, enquanto que o método de medição dosinal elétrico apenas nos últimos anos é utilizado nestas con-dições.
3 ACOMPANHAMENTO DO ÓLEO MINE-RAL EM SERVIÇO3.1 Características Gerais
O óleo mineral isolante é obtido a partir do refino de umafração dos hidrocarbonetoscoletados durante a destilação dopetróleo cru e suas características variam conforme sua pro-cedência e tecnologia empregadas.Maioresdetalhessobrea misturadecompostosdosóleosiso-lantes e suas características podem ser encontrados em Wil-son (1980) e Rouse (1998).Tendo em vista a presença de um elevado número de com-ponentes em diferentes quantidades em sua composição, acaracterização de um óleo mineral para utilização como iso-lante não é feita pela composição da mistura do mesmo, maspor uma série de parâmetros físico-químicos que são afeta-dos por sua composição e que apresentam reflexos em suautilização. Assim, o estabelecimento de limites para estesparâmetros tem como objetivo alcançar uma uniformidadede comportamento como isolante e referências de qualidadepara sua utilização.As características físico-químicas, os valores limites, assimcomo procedimentos e metodologias para sua medição sãopadronizados por entidades tais como ABNT, IEC e ASTM,entre uma série de outros órgãos oficiais normativos e apre-sentam diferenças entre si, não somente na variável monito-rada, mas principalmente nos limites estabelecidos. Comoexemplo podem ser citadas algumas destas características ouensaios, tais como aparência, densidade máxima, viscosi-dade, ponto de fluidez, ponto de fulgor, índice de neutraliza-ção, tensão interfacial, cor, teor de água, presençade cloretose sulfatos, presença de enxofre corrosivo, ponto de anilina,rigidez dielétrica, fator de potência, estabilidade a oxidação,rigidezdielétricaa impulso, índicede refraçãoe outros. Umaparte destas características do óleo é utilizada não somentecomoparâmetrodeprojetodeisolamentos,mastambémparaacompanhamentoda adequaçãodoóleo em uso para sua fun-ção.Para um maior detalhamento sobre as padronizações podemser consultadas as referências Wilson (1980) e IEC 60599(1999).
3.2 Umidade
A umidade pode encontrar-se nos óleos isolantes basica-mente sob três formas distintas, na forma de solução, emestado de emulsão ou em dispersão grosseira.A umidade sob a forma de vapor é solúvel no óleo em quan-tidades que dependem da composição do óleo, temperatura epressão. Ao atingir a saturação, a quantidade excedente nãose encontra em solução, podendo estar sob a forma de emul-são (para partículas de dimensões inferiores a 1
µ
m). Noestado de emulsão, como as partículas de umidade formadaspossuem pequenas dimensões, não ocorre a precipitação de-vido às forças de tensão superficial e viscosidade do óleo.Quando as partículas formadas possuem dimensões maiores,a água se encontra em uma dispersão grosseira e ocorre suaprecipitação em forma de gotículas.A solubilidade da umidade no óleo varia em função de
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