A análise dos gases dissolvidos no óleo isolante tem por ob- jetivo a avaliação da condição de normalidadedo isolamentopapel-óleo, com a identificação de eventuais processos de fa-lhas que estejam ocorrendo. Os processos identificáveis têmcomoorigemo sobreaquecimentodoisolamentoe a ocorrên-cia de descargas elétricas em seu interior, em vários níveisde intensidade. A estimativa das falhas incipientes é feitaem um primeiro momento por valores de referência estabe-lecidos estatisticamente e posteriormentepela análise dos re-sultados por especialistas. Este método, que será o foco dasmetodologias a serem apresentadas nos itens 4 e 5, tem omérito de poder ser utilizado com o equipamento em opera-ção normal, seja por amostragemperiódica do óleo, seja pelamonitoração contínua.A medição do fator de dissipação, normalmente é relacio-nada com a condição do isolamento através de valores de re-ferenciais pré-fixados, em geral baseados em médias estatís-ticas. É associado ao calor dissipado nos isolamentos, sendoeste algumas vezes o referencial para o estabelecimento devalores limites de operação. Este método é tradicionalmenteutilizado com o equipamento fora de operação e desconec-tado do sistema. Nos últimos anos alguns sistemas de me-dição contínua com o equipamento em operação têm sidodesenvolvidos comercialmente.A medição de descargas parciais, descargas elétricas ondenão ocorrea rupturatotal doisolamento, temporobjetivode-terminar sua ocorrência no isolamento, caracterizando assimeste processo de falha. Sua medição pode ser realizada pelosinal elétrico gerado pela descarga ou acusticamente pelo si-nal gerado pela onda de choque da descarga. A mediçãodo sinal elétrico gerado permite uma associação com a in-tensidade da descarga e uma caracterização da configuraçãodos eletrodos envolvidos. A medição dos sinais acústicosnão permite uma caracterização confiável da intensidade dadescarga, mas permite a localização da fonte espacialmente.O método acústico é normalmente utilizado com o equipa-mento em operação, enquanto que o método de medição dosinal elétrico apenas nos últimos anos é utilizado nestas con-dições.
3 ACOMPANHAMENTO DO ÓLEO MINE-RAL EM SERVIÇO3.1 Características Gerais
O óleo mineral isolante é obtido a partir do refino de umafração dos hidrocarbonetoscoletados durante a destilação dopetróleo cru e suas características variam conforme sua pro-cedência e tecnologia empregadas.Maioresdetalhessobrea misturadecompostosdosóleosiso-lantes e suas características podem ser encontrados em Wil-son (1980) e Rouse (1998).Tendo em vista a presença de um elevado número de com-ponentes em diferentes quantidades em sua composição, acaracterização de um óleo mineral para utilização como iso-lante não é feita pela composição da mistura do mesmo, maspor uma série de parâmetros físico-químicos que são afeta-dos por sua composição e que apresentam reflexos em suautilização. Assim, o estabelecimento de limites para estesparâmetros tem como objetivo alcançar uma uniformidadede comportamento como isolante e referências de qualidadepara sua utilização.As características físico-químicas, os valores limites, assimcomo procedimentos e metodologias para sua medição sãopadronizados por entidades tais como ABNT, IEC e ASTM,entre uma série de outros órgãos oficiais normativos e apre-sentam diferenças entre si, não somente na variável monito-rada, mas principalmente nos limites estabelecidos. Comoexemplo podem ser citadas algumas destas características ouensaios, tais como aparência, densidade máxima, viscosi-dade, ponto de fluidez, ponto de fulgor, índice de neutraliza-ção, tensão interfacial, cor, teor de água, presençade cloretose sulfatos, presença de enxofre corrosivo, ponto de anilina,rigidez dielétrica, fator de potência, estabilidade a oxidação,rigidezdielétricaa impulso, índicede refraçãoe outros. Umaparte destas características do óleo é utilizada não somentecomoparâmetrodeprojetodeisolamentos,mastambémparaacompanhamentoda adequaçãodoóleo em uso para sua fun-ção.Para um maior detalhamento sobre as padronizações podemser consultadas as referências Wilson (1980) e IEC 60599(1999).
3.2 Umidade
A umidade pode encontrar-se nos óleos isolantes basica-mente sob três formas distintas, na forma de solução, emestado de emulsão ou em dispersão grosseira.A umidade sob a forma de vapor é solúvel no óleo em quan-tidades que dependem da composição do óleo, temperatura epressão. Ao atingir a saturação, a quantidade excedente nãose encontra em solução, podendo estar sob a forma de emul-são (para partículas de dimensões inferiores a 1
µ
m). Noestado de emulsão, como as partículas de umidade formadaspossuem pequenas dimensões, não ocorre a precipitação de-vido às forças de tensão superficial e viscosidade do óleo.Quando as partículas formadas possuem dimensões maiores,a água se encontra em uma dispersão grosseira e ocorre suaprecipitação em forma de gotículas.A solubilidade da umidade no óleo varia em função de
320 Revista Controle & Automação/Vol.16 no.3/Julho, Agosto e Setembro 2005
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