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BOA INFORMAÇÃO NÃO TEM PREÇO!
QUINTA-FEIRA,12deJaneirode2009|e-mail:jornalacritica@yahoo.com.br|Redação:(48)91152825|Comercial:(48)99744294
|oJoãoBatistaeCanelinha|DistribuiçãoGratuíta
        F        O         T        O         |        J         O         N        A        S         H        A        M        E        S         |        A        C         R          Í        T        I        C         A
FROTA BATISTENSE CRESCE 106%
NosúltimosquatroanosoJoãoBatistaganhou6.498novosveículos.GINA10
EDUCAÇÃO
 Aqualidade do ensinoe do aprendizadosegue como metaprimordial daeducação para 2009
<
'Aprender'.Umverbodifícildeser conjugado no presente daeducação brasileira. Os indica-dores das avaliações seja doEnsino Fundamental ou Médio,até crescem, mas, em sala deaula, o que se tem são alunosquepoucosabemler,escreverourealizar operações matemáticase professores sobrecarregadoscom três turnos de trabalho ouainda desestimulados e aquémdas necessidades do ensino naatualidade.
As diferenças entre a Rede deEnsino em Canelinha e São JoãoBatista são marcadas por umabismo de diferenças. A média dealunos por sala em Canelinha éde 25 enquanto em o JoãoBatista esse número é 40 criançaspor sala. Estão matriculados naCapital Catarinense do Calçado2.700 estudantes enquanto naterradascerâmicas1.011.
PG06
A multiplicação do mal: Aidsse espalha em São João
PGS 4 e 5
 
<
Crescimento nonúmero de pessoasinfectadas com o vírusda Aids preocupaautoridadesmunicipais.
O drama dodesempregoDe quemé a água?De hobby àfonte de renda
<
Apesar de negarem sofrer os efeitos da criseeconômica mundial,empresas da regiãodemitem acima da médianos meses de dezembro ejaneiro.
PG 08
<
Canelinha pretendemunicipalizar a água.Primeiros passos já estãosendo dados .
PG 09
<
Fazer peças em crochê,com bijuterias, biscuit, velasou de arranjos florais podeservir de hobby, terapia eaté gerar renda.
PG 08
AnoI-Edão01
CriseCANELINHAARTESANATO
 
opinião
a í cr ticapg
02
O nascimento de um jornal
A
tradição reco-menda abrir aprimeira ediçãode um jornal com um e-ditorial, uma espécie decompromisso públicoonde se vão listando re-soluções que se pretendeseguir - tal como muitagente costuma fazer acada novo ano. No en-tanto,nosdoiscasoséco-mum, com o passar dosdias e mesmo sem se no-tar, ir se distanciandodos objetivos, até se che-gar ao ponto do com-pleto esquecimento des-saspromessassolenes.No caso de jornais,costuma-se prometer coisas que o funda-mentais para a sua pró-pria sobrevivência, co-mo buscar a imparci-alidade, a isenção, a cor-reção das matérias, co-mo se na lista de reso-luções de ano novo fossenormal incluir coisasque são vitais, como co-mer,dormirourespirar.Fujamos, então, des-semodeloultra-passado.Falemos, nesse momen-to, do jornal que nasce, enão de suas aspirações,que é algo que só o tem-po se encarregará de fa-zê-lo.Um novo jornal estánascendo hoje. Sempompa nem festas, mascom a humildade pró-pria dos recém-nascidos,que chegam desampa-rados e precisam de a-poio até poder seguir seupróprio caminho. Es-se começar do zeronão é algo que nosenvergonha, pelocontrário, só aumen-ta o nosso desafio e anossa responsabili-dade.Epermiteaolei-tor do novo jornaltambém fazer parte des-ta nova história, pois eleé quem será o principalresponsável pela conti-nuidadedonovojornal.O nascimento de al-guém ou de algo sempredespertaacuriosidadedetodosnós.Eosurgimentodeumaempresaemqua-se nada difere do nasci-mento de uma criança.Cadanovobebêtrazcon-sigo as melhores expec-tativas. É uma nova his-tória, única, cercada desonhos e projetos. Talvezamaiordifereaéqueonascimentodeumjornalrequer muitos pais emuitasmães.Uma decisão impor-tante que surge com onascimento é a definiçãodo nome. No nosso caso,temos orgulho deestampar “Críticanopróprionomedojornal.Por coincidência, ACríticalevouexatosnovemesesdegestação-desdea concepção da idéia atéestediadeseulançamen-to.Ehojeelenascecomapropostadecrescercomaregião. Para aqueles quese perguntam se há es-paço para mais um jor-nal na cidade, é im-portante dizer que quan-to mais jornais houver, ejornais independentes,melhor contribuição es-tará sendo dada à plura-lidade de opiniões, vitalpara o fortalecimentodasinstituiçõesdemocrá-ticas, já que a ninguéminteressa uma única ver-sãoparaummesmofato.O que orientou o pro-jeto editorial de A Críticafoiabuscapelonovo,pe-lo caminho diferente. Aoinvés de contratar jorna-listas e colunistas de ou-trosjornais,oqueemna-da contribuiria para amelhoria da imprensalocal, estamos abrindonovas oportunidades detrabalho. Lançamos no-vos colunistas, e trouxe-mos para a mídia im-pressa aqueles que es-tavam injustamente es-quecidosporela.São pessoas que têmum nome a zelar, e sóaceitaram veicular suascolunas no Jornal A Crí-tica porque viram o pro-jeto e acreditaram nele.São padrinhos, que pre-sentearam o caçula daimprensa do Vale com oque há de mais impor-tante para um jornal: acredibilidade.A Crítica tem um dosmais bonitos projetosgráficos entre os jornaisdo Vale. A diagramaçãovaloriza as fotos e info-grafias, o que o torna deleiturafácileagradável.Mesmo assim, é im-portante terminar essasconsiderações com aspalavras de GuimarãesRosa, em trecho deGrande Sertão Veredas:“O mais importante ebonito, do mundo, é isto:que as pessoas não estãosempreiguais,aindanãoforam terminadas - masque elas vão sempre mu-dando”.Éoqueiráacon-tecer também com a Crí-tica, que, com o tempo,irá crescer, lançar novoscadernos, ganhar maispáginas. Como todosnós,iráaprimorar-se.Por fim, saudamos atodos os batistenses e ca-nelinhenses - de nasci-mento ou coração. “Bommesmo é ir à luta comdeterminação, abraçar avida e viver com paixão.Perder com classe evencercomousadia,poiso triunfo pertence aquem mais se atreve”,CharlinChaplin.
Fujamos,então, dessemodeloultrapassado.Falemos,nessemomento, dojornal quenasce, e nãode suasaspirações,que é algoque só otempo seencarregaráde fazê-lo.
         E         X         P         E         D         I         E         N         T         E
Hames Comunicações ME | São João Batista | SC
Rua Wander Collioni, 510 - Bairro Jardim São PauloSão João Batista - Santa Catarina - CEP: 88.240-000Fones: 48 | 9115 2825 | 9974 4294E-mail:Diretor: JONAS HAMESDep. Comercial: LEANDRO MICHELI jornalacritica@yahoo.com.br
Filiado à:
coluna livre
Fuzilamentoouembrutecimento
E
msuaautobiografia,oescritorrussoVictor Serge escreveu que nos idos de 1933, naURSS stalinista, "não havia um únicoadulto pensante que alguma vez não tenhaachado que podia ser fuzilado". Neste 2008, noBrasil,nãoexisteumúnicoadultopensantequealguma vez o tenha achado que esembrutecido, moral ou intelectualmente, ouambos. Perdemos a capacidade de sentir e sofrer com o que se passa ao redor, ainda mais de usar o sentimento para lutar por mudanças narealidade.Embrutecemo-nos diante da desigualdade,da corrupção, da incoerência na política, doatraso educacional, sobretudo com da violênciageneralizada. E ficamos sem entender o porquêdestas deficiências, apesar do crescimento, dademocracia, da eleição de partidos e de líderesportadoresdeesperança.Até algum tempo atrás, sentíamos e tínha-mos propostas: democracia, desenvolvimento,socialismo. O embrutecimento não ocorria por-que explicávamos, propúnhamos e a esperançanosaliviava.Depois de termos conseguido desenvolver efazer do Brasil uma potência mundial na eco-nomia, termos eleito um presidente vindo dascamadas mais pobres, com um discurso radi-calmente diferente de todos os anteriores, subs-tituindo outro que também vinha da esquerda,só nos resta o embrutecimento intelectual ao o-lharmos ao redor e percebermos que nadamudou na estrutura social do País. Continua aexclusão social, a violência urbana, a insta-bilidade financeira e fiscal. Ainda mais grave,faltam bandeiras, os partidos ficaram iguais, ospolíticostambém.Difícil escolher entre o risco do fuzilamentoou o risco do embrutecimento. O primeiro tira avida de um ser humano, o outro a dignidade deser humano. O primeiro exige coragem física, osegundoroubaacoragemintelectualemoral.Que 2009 chegue sem o risco e sem oembrutecimento. E que o fim do embrute-cimento nos dê a lucidez para entender arealidade e formularmos alternativas, e umaética que nos faça ter coragem intelectual emoral.Que 2009 chegue sem o risco e sem oembrutecimento. E que o fim do embru-tecimento nos dê a lucidez para entender arealidade e formularmos alternativas, e umaética que nos faça ter coragem intelectual emoral.
CristovamBuarque
 
a í cr ticapg
04
JonasHamesjornalacritica@yahoo.com.br
N
a casa de Fáti-ma, de 42 anos,Aids e HIV sãopalavras impronunci-áveis. Os três filhos delasabem da doença que ae tem, mas nuncacomentam nada sobre oassunto. No máximo, sereferem ao fato como'aquele problema'. Arealidade na casa dessaex-atendente, obrigadaa pedir demissão por ser portadora do vírus, ex-pressa o que a doençaainda significa. Por maisque a Aids tenha deixa-do de representar umasentença de morte ime-diata, como foi durantea década de 80 e o prin-cípio dos anos 90, aindahoje a doença é sinôni-mo de preconceito, me-dos e uma mudaaradical na forma delevaravida.O crescimento nonúmero de pessoasinfectadas pelo vírus emSão João Batista vemalarmando as autorida-des municipais. Nosúltimos anos o númerode registros subiu para(...). Outro dado alar-mante no município éque a contaminação nãovem ocorrendo por meioda atividade sexual, maspelo uso de drogas inje-táveis. São histórias co-mo a de tima, que,com medo de prejuízosno trabalho ou na con-vivência com os amigos,matem silêncio sobre adoença.A história de donaMaria, de 52 anos, é aprovadequeovíruspodeestar em quem menosaparenta:eladescobriuoHIV em 2001, depois deuma única relação sexu-al sem preservativo. Omedo do preconceito fazcom que muitos portado-res evitem assumir suacondição publicamente.Todos os entrevistadospara esta reportagemaceitaram falar desdeque fossem usadosnomes fictícios e asfotos não revelas-sem a identidade.As histórias mos-tram que a pre-venção aindafaz todo osentido.
Éomomentoquevaledepoisquevodescobreadoença.Nadamais
A
lberto é heterossexual, tem 40 anos e,desde 2000, está afastado do empregopelo médico da empresa ondetrabalhava. “Ele disse que, enquantofosse médico da firma, eu não voltaria aoserviço”. Trabalhando em uma indústria decalçados, ele estava prestes a conseguir umapromoção para manobrista, Alberto foiafastadoquandopassouasesentirfraco,passar noites inteiras com febre e acordar com otravesseiromolhadopelosuor.Um teste de Aids foi a exigência da mulher,desconfiada de traições com garotas deprograma. Os dois estavam casados havia 20anos. Por mais que ele tentasse, orelacionamento esfriou, a esposa perdeu aconfiança, ficou cada vez mais distante.“Quando mostrei o resultado, ele se revoltou.Apesar de, por um milagre, o ter secontaminado, minha mulher me abandonouem seguida. Se o fosse a doença, meucasamentonãoteriaterminando”,diz.Atualmente, Alberto não toma nenhummedicamento. Está bem, sem sintomas. Só seincomodacomopreconceito.“Algumaspessoasficaramsabendoecomeçaramafazerfofoca.Setem uma coisa boa nisso tudo, é que o vírus mepermitiu descobrir quem são meus verdadeirosamigos, aqueles que não se afastaram nem meolhamdeumjeitodiferente”.
SaibaMais
444
AepidemiadaAidsnoEstadodeSantaCatarinateveoseuprimeiroregistroem1984,naregiãooeste,atualmenteestãonotificados8.344entreadultosecrianças.Aincinciadecasosdoano2000foide11,92paracada100.000habitantes,dos293municípiosdoEstado165notificaramcasosdeAidsoquecorrespondea56,31%.Ainteriorizaçãodaepidemiadestaca-sepelaparticipaçãodosmunicípioscommenosde15.000habitantes,de1984a198536municípiosnotificaramcasosdeAids,1984a1995foram105ede1984a2000165.
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QuandoperguntadosqualaprimeiracoisaquelhesvemàcabaquandoouvemapalavraAidscercade30%afirmaquepensamemdoençaincurávele25,2%têmsentimentosnegativoscomomedo,tristezaepreocupação.NaopiniãodopúblicoaformamaisprováveldeinfecçãocomovírusHIVéarelaçãosexual(80,2%),segundoosentrevistadosousodopreservativoéamelhorformadeprevenção(96,6%.
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Ousodopreservativoéhabitualpara57%dosentrevistados.Asmaioresraesapontadasparaaoutilizãoesonofatodeseremcasados(as)econfiamno(a)parceiro(a),indicadoresteaserbastanteestudadonaconcepçãodepoticasblicasdeesclarecimento.
Pesquisa
FONTE:“EstudodoComportamentoSexualePercepçõesdaPopulaçãodeSantaCatarinaemRelaçãoaoHIVAIDS”-SecretariadeEstadodaSaúde
4
Cercade41%dopúblicorealizoualgumavezotestedeHIV/Aids,sendoquemetadedestesofezapenasumavez.Dosquejárealizaramotestecercade36%ofeznosúltimos12mesessendoquecercade53%utilizouaRedePúblicadeSaúdee29,9%utilizouestabelecimentosparticulares.Oexamepré-natal,aindicaçãomédicaeacuriosidadesãoasprincipaisrazõesdarealizaçãodoexame.Boapartedopúblico(39,1%)nãoconhecelocais,foraoscasosdedoaçãodesangue,ondeotestedeHIVérealizadogratuitamente,fatoresteaserbastanteestudado.
Senãofosseadoença,meucasamentooteriaterminando.
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