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análise poemas de Pessoa

análise poemas de Pessoa

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Análise do Poema
Porque esqueci quem fui quando criança?Porque deslembra quem então era eu?Porque não há nenhuma semelhançaEntre quem sou e fui?A criança que fui vive ou morreu?Sou outro? Veio um outro em mim viver?A vida, que em mim flui, em que é que flui?Houve em mim várias almas sucessivasOu sou um só inconsciente ser? Reflexão: Trata-se de um dos temas fundamentais da obra de Fernando Pessoaortónimo, mas que também é partilhado pelo seu heterónimo Álvaro deCampos.Para Fernando Pessoa, a sua infância é o passado irremediavelmenteperdido, o tempo longínquo em que era feliz sem saber que o era, o tempoem que ainda não tinha iniciado a procura de si mesmo, e por isso, ainda nãose tinha fragmentado. Em muitos poemas, o poeta exprime a memória dessainfância provocada por um qualquer estímulo – “velha música”, um simplessom (“Quando as crianças brincavam / E eu as oiço brincar), uma imagem ouuma palavra – para concluir amargamente que o rosto presente, não coincidência entre o “eu – outrora” e o “eu – agora”Em Fernando Pessoa, a passagem da infância a idade adulta não é umprocesso de ruptura, de corte, de morte: “A criança que fui vive ou morreu?”;“Porque não há semelhança / Entre quem sou e fui?”. Todo o poema “Porqueesqueci quem fui quando criança?” exprime essa admiração perturbante dese sentir habitado por outro, diferente da criança que foi “sou outro?”.Desta forma, o passado e o presente opõem-se na poesia de FernandoPessoa, não se complementam. O passado é infância, alegria, felicidade“inconsciente”; o presente é nostalgia, inquietação, desconhecimento de simesmo e do futuro: “se quem fui é enigma, / E quem serei visão, / Quem souao menos sinta / Isto no meu coração”.
2.
 Trata-se de um poema algo inesperado do ponto de vista formal, visto quea maioria dos poemas ortónimos tendem a favorecer uma construção emquadras ou quintetos e aqui temos uma estrofe única com 9 versos e com umesquema ritmico também irregular.A temática do poema, no entanto, não é invulgar para a poesia ortónima
 
Pessoana, visto que trata da infância, mais concretamente do confronto entreo passado (infância) e o presente (idade adulta). O sujeito poético diz-nosque o presente em nada continua o que foi a sua infância. As duas primeiraslinhas falam disso mesmo, sendo que a segunda - usando um hipérbato, umaforma de inversão da ordem natural das palavras - reforça a dramatização dosentimento. A grande dúvida do poeta é a sensação de estranheza perante asua infância (que ele sempre recordará como um tempo feliz, quasecristalizado). Essa memória de felicidade é-lhe tão estranha que ele duvida seela realmente existiu, porque nada dela resta agora, quando ele é adulto: "Acriança que fui vive ou morreu?", pergunta ele.A dura realidade é que essa criança de facto já não existe. Em Pessoa - napoesia racionalizada de Pessoa - é importante realçar o facto da análisemuitas das vezes sufocar o sentimento, embora não o destrua por completo.Penso ser este um dos casos. Em que as sucessivas perguntas impedem queo verdadeiro sentimento do sujeito poético flua livremente, visto que eleapenas aparenta querer descobrir uma razão lógica para o que sente.A conclusão lógica é que ele é "um outro". Um outro em que ele suspeitaoutros ainda (os heterónimos?) tenham vivido. É uma conclusão fria, quedetermina que nada resta dele enquanto criança (embora ele faça apergunta, ele parece saber a resposta). Ele é um adulto que cresceu nainconsciência de estar a tornar-se num adulto - por virtude da sua infância tersido cortada, de ele não sentir que teve uma pré-adolescência e adolescênciafelizes.
3.
Reflexão: Trata-se de um dos temas fundamentais da obra de Fernando Pessoaortónimo, mas que também é partilhado pelo seu heterónimo Álvaro deCampos.Para Fernando Pessoa, a sua infância é o passado irremediavelmenteperdido, o tempo longínquo em que era feliz sem saber que o era, o tempoem que ainda não tinha iniciado a procura de si mesmo, e por isso, ainda nãose tinha fragmentado. Em muitos poemas, o poeta exprime a memória dessainfância provocada por um qualquer estímulo – “velha música”, um simplessom (“Quando as crianças brincavam / E eu as oiço brincar), uma imagem ouuma palavra – para concluir amargamente que o rosto presente, não coincidência entre o “eu – outrora” e o “eu – agora”.Em Fernando Pessoa, a passagem da infância a idade adulta não é umprocesso de rutura, de corte, de morte: “A criança que fui vive ou morreu?”;“Porque não há semelhança / Entre quem sou e fui?”. Todo o poema “Porqueesqueci quem fui quando criança?” exprime essa admiração perturbante dese sentir habitado por outro, diferente da criança que foi “sou outro?”.
 
Desta forma, o passado e o presente opõem-se na poesia de FernandoPessoa, não se complementam. O passado é infância, alegria, felicidade“inconsciente”; o presente é nostalgia, inquietação, desconhecimento de simesmo e do futuro: “se quem fui é enigma, / E quem serei visão, / Quem souao menos sinta / Isto no meu coração”.4. Trata-se de um poema algo inesperado do ponto de vista formal, visto quea maioria dos poemas ortónimos tendem a favorecer uma construção emquadras ou quintetos e aqui temos uma estrofe única com 9 versos e com umesquema rítmico também irregular.A temática do poema, no entanto, não é invulgar para a poesia ortónimaPessoana, visto que trata da infância, mais concretamente do confronto entreo passado (infância) e o presente (idade adulta).O sujeito poético diz-nos que o presente em nada continua o que foi a suainfância. As duas primeiras linhas falam disso mesmo, sendo que a segunda -usando um hipérbato, uma forma de inversão da ordem natural das palavras- reforça a dramatização do sentimento. A grande dúvida do poeta é asensação de estranheza perante a sua infância (que ele sempre recordarácomo um tempo feliz, quase cristalizado). Essa memória de felicidade é-lhetão estranha que ele duvida se ela realmente existiu, porque nada dela restaagora, quando ele é adulto: "A criança que fui vive ou morreu?", perguntaele.A dura realidade é que essa criança de facto já não existe. Em Pessoa - napoesia racionalizada de Pessoa - é importante realçar o facto da análisemuitas das vezes sufocar o sentimento, embora não o destrua por completo.As sucessivas perguntas impedem que o verdadeiro sentimento do sujeitopoético flua livremente, visto que ele apenas aparenta querer descobrir umarazão lógica para o que sente.A conclusão lógica é que ele é "um outro".É uma conclusão fria, que determina que nada resta dele enquanto criança(embora faça a pergunta, parece saber a resposta). É um adulto que cresceuna inconsciência de estar a tornar-se num adulto - por virtude da sua infânciater sido cortada, de ele não sentir que teve uma pré-adolescência eadolescência felizes.
Análise do Poema : Álvaro de Campos «O que há em mim ésobretudo cansaço»
O que há em mim é sobretudo cansaço —Não disto nem daquilo,

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