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Nicholas Sparks - O Sorriso Das Estrelas

Nicholas Sparks - O Sorriso Das Estrelas

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07/12/2013

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O SORRISODAS ESTRELAS
 
 Três anos antes, numa manhã quente de Novembro de 1999, Adrienne Willistinha voltado à estalagem e percebera que, pelo menos à primeira vista, olugar se tinha mantido sem alteração, como se aquela pequena construçãofosse imune aos efeitos do sol, das areias e da humidade salina. O alpendreestava pintado de fresco e as janelas de ambos os pisos, com as suas cortinasbrancas, eram emolduradas por caixilhos pintados de preto brilhante, pelo queo conjunto parecia imitar o teclado de um piano. As paredes laterais eram dacor da neve suja. De ambos os lados da construção abundava a aveia silvestre,cujos caules pareciam dobrar-se em saudações constantes, e a areia formavauma duna que ia mudando imperceptivelmente de forma graças aos grãos queo vento fazia deslocar de uns pontos para os outros em cada dia que passava.Com os raios de sol a penetrarem por entre as nuvens, o ar apresentava umaspecto luminoso, como se, por momentos, as partículas de luz tivessemficado suspensas na neblina, fazendo Adrienne sentir-se regressada a umaépoca anterior da sua vida. Porém, olhando mais de perto, verificou que ostrabalhos de manutenção não conseguiam esconder totalmente as alterações:as zonas apodrecidas nos cantos das janelas, as marcas de ferrugem ao longodo telhado, as manchas de humidade junto dos algerozes. Parecera-lhe que aestalagem estava a encolher e, embora reconhecendo não poder fazer nadapara o evitar, Adrienne lembrara-se de fechar os olhos, como se por umqualquer passe de mágica ela conseguisse que o edifício voltasse a ser comofora antes.7
 
Agora, poucos meses depois de ter entrado na sexta década da vida,encontrava-se de pé na cozinha da sua própria casa, a pousar o auscultador dotelefone, depois de ter falado com a filha. Sentou-se à mesa da cozinha, areflectir na última visita que fizera à estalagem, a recordar-se do longo fim-de-semana que uma vez lá tinha passado. Apesar de tudo o que acontecera nosanos decorridos desde então, Adrienne continuava agarrada à ideia de que oamor era a condição essencial de uma vida cheia e maravilhosa.Estava a chover. Ficou a ouvir o bater agradável dos pingos de encontro à'vidraça, satisfeita por experimentar aquela ideia perene de intimidade.Recordar aqueles dias provocava-lhe sempre uma mistura de sentimentos,algo parecido, mas impossível de descrever exactamente, com nostalgia.Muitas vezes, a nostalgia é envolvida por uma aura de romantismo; mas,quanto a estas suas memórias, não via razão para as tornar mais românticasdo que já eram. Nem aquelas eram memórias que partilhasse com qualqueroutra pessoa. Pertenciam-lhe por inteiro, e com a passagem dos anos,começou a encará-las como uma espécie de peças de museu, de um museu deque ela era a conservadora e também a única patrona. E, que coisa esquisita,Adrienne acabara por acreditar que tinha aprendido mais durante aquelescinco dias do que em todos os anos decorridos, antes ou depois.Vivia sozinha naquela casa. Os filhos estavam criados, o pai morrera em 1996e havia dezassete anos que se divorciara do Jack. Embora os filhos insistissempara que ela encontrasse alguém para a acompanhar durante o resto da vida,Adrienne não sentia desejos de o fazer. Não que estivesse de pé atrás emrelação aos homens; pelo contrário, mesmo agora, muitas vezes sentia o olhardirigir-se para homens mais jovens com quem se cruzava no supermercado.Como era frequente que fossem apenas uns anos mais velhos do que os seuspróprios filhos, punha-se a imaginar o que eles pensariam se notassem que elaos estava a admirar. Nem se dignariam, talvez, notar a sua presença? Ouretribuiriam o sorriso, encantados com o interesse dela? Não fazia ideia. Nemsabia se seria possível que eles olhassem para além do cabelo que estava aficar branco e das rugas, para procurarem a mulher que ela já fora.Não que lamentasse estar a ficar velha. As pessoas de agora talam sem cessardos esplendores da juventude, mas Adrienne não sentia desejos de voltar a ser jovem. De meia-idade, talvez, mas não jovem. É certo que reconhecia algumasdeficiências: já não pulava pelas escadas, não carregava mais de um saco decompras de cada vez, faltava-lhe a energia para acompanhar os folguedos dosnetos, mas não se importava, porque de bom grado trocava tais coisas porcertas experiências que tinha vivido e estas só acontecem com o evoluir daidade. Chegada a esta altura, o que a fazia adormecer e acordar comnormalidade era a certeza de quer olhando a sua vida passada, nãoencontrava nela muita coisa que devesse ter sido feita de outro modo.Além do mais, a juventude tem os seus problemas próprios. E recordava-os dasua própria vida, além de os observar nos filhos à medida que eles lutavamcom as angústias da adolescência e a incerteza e o caos dos primeiros anos daidade adulta. Embora dois deles já tivessem entrado na casa dos trinta e outroestivesse quase a atingi-la, Adrienne perguntava-se com frequência se o ofíciode mãe alguma vez deixaria de ser um emprego a tempo inteiro.Matt tinha 32 anos, Amanda tinha 31 e Dan acabava de fazer 29. 0 facto detodos terem frequentado a universidade enchia-a de orgulho, pois houverauma altura em que não tinha a certeza de que qualquer deles viesse alguma

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