Registo Parlamentar
Paulo Pedroso
Janeiro de 2009
As alegações de discriminação dedadores de sangue em função daorientação sexual têmfundamento?
Requerimento à Senhora Ministra da Saúde,apresentado com Maria Antónia Almeida Santos, a 15 de Janeiro
Têm surgido recorrentemente relatos por partede cidadãos homossexuais de que terão sidodiscriminados na colheita de sangue, impedindo-os de ser dadores devido a uma discriminaçãofundada na sua orientação sexual.É sabido que tal discriminação não é permitidapela Constituição da República Portuguesa. Acresce que a dádiva de sangue é uma prática voluntária e um gesto de solidariedade querevela elevada consciência cívica e deve serencorajado e não reprimido, pelo que todas asrestrições devem ser claras, inequívocas efundadas de modo verificável em factores derecusa necessários.Por outro lado, os relatos sobre alegadas práticasdiscriminatórias referem atitudes díspares dediferentes serviços de recolha no processo dedespistagem de quem pode ou não ser dador. A existência de tal heterogeneidade potencia a. Taldúvida não é aceitável e não deve permanecer. Assim, solicita-se a Sua Exa a Ministra da Saúdeque informe o Parlamento do seguinte:a)
Deu o Ministério da Saúde ou algumorganismo técnico dele dependente algumaorientação aos serviços que vise ou tenhacomo efeito prático restringir a dádiva desangue por parte de cidadãos homossexuaisem função da sua orientação sexual? b)
Tem a Senhora Ministra conhecimento deque se tenha verificado algum caso dediscriminação de potenciais dadores emfunção da orientação sexual? Caso tenha, quemedidas tomou para pôr fim a essa situação?c)
Existe algum critério de restrição da dádivade sangue que se aplique exclusivamente acidadãos homossexuais?d)
Pode o Ministério garantir que os critérios derestrição da dádiva de sangue que existamem função de determinadas práticas sexuaissão aplicados de modo a aferirexclusivamente comportamentos? Se não,pode o Ministério informar que medidastenciona tomar para que assim passe a ser?
Obama: Tarefas hercúleas
Artigo publicado no Acção Socialista
Eles, o povo americano, voltaram a fazer históriacom a eleição de Barack Obama. Quando o jovem senador afro-americano, inexperiente empolítica internacional, opositor da guerra doIraque, se lançou na corrida, não era umcandidato vencedor. Mas acabou por ganhar aseleições por todas as razões pelas quais pareciapré-destinado a perdê-las.Se passarmos em retrospectiva o processoeleitoral verificamos que a vitória de Obama foiconstruída pela sua capacidade de levar ostermos do debate e o foco da campanha para assuas posições e não pela tentativa de apagar asopções próprias para se aproximar do que seantecipariam ser as concepções a que o povoamericano mais facilmente aderiria. A atitude e as propostas do novo Presidente dosEUA enquanto candidato colocaram a fasquiadas expectativas em relação ao seu primeiromandato a um nível tão exigente que será difícilque não comecem a surgir alegações de que nãoas cumprirá plenamente. Houve mesmo quemalvitrasse que o discurso de campanha de Obamacomeçaria a desmorona-se logo no primeiro diade Presidência.Com efeito, a agenda do 44º Presidente seriaextremamente exigente mesmo se não vivêssemos a maior crise económica desde osanos 30 do século passado.Nela se incluem temas de política interna que jácausaram problemas a vários políticos liberais,palavra que nos EUA designa as posições que naEuropa chamaríamos de esquerda. No planointerno, à cabeça desses temas, encontra-se acriação de um sistema nacional de saúde. Vistodaqui, pareceria um passo óbvio, mas a tentativade o instituir foi o primeiro falhanço doPresidente Clinton, o qual, aliás, o tinhaentregue à sua mulher, agora Secretária deEstado.Mas o Presidente terá também uma agendainternacional complexa. Já enquanto candidatotinha deixado claras as diferenças entre a sua visão do papel dos EUA no mundo face àsambições imperiais dos neoconservadores. Masagora tem pela frente o enorme desafio deoperacionalizar eficazmente princípios justosquando enunciados no plano teórico.Na minha opinião, o próximo grande dilemaamericano tem a ver com o tratamento da
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