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Protocolado n.º 137.681/2006Inquérito Civil n.º 14.161.446/06-1Promotoria de Justiça do Consumidor 
Representantes
: Comissão de Representantes do EmpreendimentoResidencial Edifício “Torres da Mooca” e outros
Representados
: Diretoria e membros do Conselho Fiscal da CooperativaHabitacional dos Bancários de São Paulo Ltda. - BANCOOP
EMENTA:
Consumidor – Cooperativa habitacional – Existênciade relação de consumo entre o Óro de Administração(Diretoria ou Conselho de Administração) e os cooperados, deacordo com a jurisprudência predominante do Superior Tribunalde Justa e dos tribunais locais, independentemente dacaracterização, ou não, da sociedade como cooperativa – Nocaso presente, em razão de gestão fraudulenta e/ou temeráriada cooperativa, em prejuízo de inúmeros cooperados, restoudescaracterizada a sociedade como cooperativa Gestãofraudulenta e/ou temeria traduzida em uma rie deirregularidades, em arrepio aos ditames da Lei n.º 5.764/1971(Lei do Cooperativismo) e da Lei n.º 8.078/1990 (Código deDefesa do Consumidor) – Tais irregularidades, entre outras,consistiram: (i) na participação de dirigentes e conselheiros nosquadros sociais de várias empresas que prestaram serviços àcooperativa; (ii) na criação de Fundo de Direitos Creditórios –FDIC, dando-se em garantia aos investidores os recebíveis dacooperativa, em afronta à Lei do Cooperativismo e sem oconsentimento dos cooperados, fundo este que captou mais deR$ 40.000.000,00 para serem empregados na construção dosimóveis, sem que se tenha comprovado essa destinação; (iii) naausência de regular (de acordo com a Lei do Cooperativismo e
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do Estatuto da Cooperativa) de todos os cooperados para asassembléias, de tal sorte que todas as decisões sempre foramtomadas com base em menos de 10% dos cooperados; (iv) nanão-construção de imóveis em vários empreendimentos eparalisão das obras em outros; (v) na exigência dopagamento de difereas, a tulo de refoo de caixa eapuração final dos empreendimentos, sem a devidademonstração de sua necessidade, de modo a elevasobremaneira o preço final dos imóveis, tornando-oscompatíveis ou superiores aos preços de mercado; (vi) na fusãodas contas de todos os empreendimentos (cerca de cinqüenta)em uma só conta, de molde a dificultar ou inibir a prestação decontas dos recursos obtidos em cada um dosempreendimentos, decorrentes do recebimento dasmensalidades pagas pelos cooperados; e (vii) repasse deunidades residenciais a construtoras, que não podiam associar-se à cooperativa, a título de pagamento de serviços por elasprestados à própria cooperativa Hipótese de cooperativaaparente ou de “fachada” - Embora tenha sido constituída comocooperativa, de há muito apenas aparenta ser uma cooperativa,uma vez que, na realidade, vem atuando no mercado comouma empresa incorporadora ou vendedora de imóveis,desvirtuando, assim, o propósito de uma verdadeira cooperativahabitacional, que deve ser o de uma associação de pessoasque se organizam com o objetivo de se ajudarem mutuamente,com prestação de serviços aos seus associados-cooperados,suscetíveis de resultar na construção de imóveis a preçosinferiores aos de mercado, de modo a atender às necessidadesde todos quantos individualmente (ou seja, sem associar-se naforma de cooperativa) não podem realizar o objetivo de adquirir a casa própria – Aplicação, na espécie, da teoria da aparência
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 jurídica, tida pela doutrina e jurisprudência, nacionais ealiegenas, como um prinpio que visa à protão daconfiança de terceiros de boa-fé (boa-fé subjetiva ou boa-fécrença), que acreditaram na aparência criada pelocomportamento de outrem No caso concreto, talcomportamento consistiu na criação, pelo corpo diretivo dacooperativa, da aparência de uma verdadeira cooperativa paraas pessoas que nela ingressaram de boa-fé e foram, por isso,iludidas e prejudicadas – Os dirigentes da cooperativa atuaramcomo se fossem fornecedores de produtos ou serviços, nosmoldes do art. 3.º do CDC, promovendo, de forma disfarçada, avenda de unidades residenciais aos cooperados, ilaqueados emsua boa-, os quais, assim, devem ser tratados comoconsumidores, nos termos do art. 2.º,
caput 
, do CDC –Aplicabilidade, por decorrência lógica, das normas de proteçãodos consumidores aos cooperados, previstas no CDC Incidência da doutrina ou teoria do “diálogo das fontes”, que,
incasu 
, se traduz na aplicação coordenada do Código Civil, daLei do Cooperativismo e do Código de Defesa do Consumidor,numa relação harmônica de complementaridade esubsidiariedade – Aplicação essa que favorece os cooperados(
favor debilis
), indiscutivelmente vulneráveis na relaçãoestabelecida com o Órgão de Administração da cooperativa, demodo a justificar-se a aplicação das regras e dos princípios doCDC – Rejeição da promoção de arquivamento do inquéritocivil, para o fim de ajuizamento de ação civil pública em face dacooperativa e de seus dirigentes.
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