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O devaneio é uma doença? Por Contardo Calligaris

O devaneio é uma doença? Por Contardo Calligaris

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Publicado na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 13/12/2012
Enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam para transformar o devaneio numa doença.
Publicado na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 13/12/2012
Enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam para transformar o devaneio numa doença.

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Published by: Psicossomática Instituto Sedes Sapientiae on Dec 16, 2012
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Folha de S. Paulo, 13/12/2012
O devaneio é uma doença?
Por Contardo Calligaris
 Enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam para transformar odevaneio numa doença
CANSADA DE sonhar de olhos abertos, uma leitora, Ana, quer saber mais sobredevaneios: "Por que acabo sempre fugindo para esse lugar fictício, onde tudopode ser tão melhor ou pior, um mundo do que poderia ser, do que poderia tersido, da pior hipótese fantástica, pretéritos imperfeitos, mais que perfeitos,futuros incertos -e quando vejo, perdi tanto tempo com isso?".Tenho carinho pelos sonhos de olhos abertos. Até o começo da adolescência, odevaneio era meu aliado contra o que me parecia ser a mediocridade do mundo.Para mim, como para Ana, o devaneio era o país de onde eu vinha (minha origemescondida) ou minha pátria futura; de um jeito ou de outro, era meu passaportepara um outro mundo, que me salvaria de meu lugar e de meu presente.Graças ao devaneio, assisti a centenas de aulas chatérrimas aparentando minhaabsoluta atenção (embora de olhos um tanto vidrados). Quando atravessei adolorosa época em que os adolescentes menosprezam os seus pais, o devaneiome consolou, alimentando a certeza de que eu, de fato, pertencia a outra família.Enfim, à força de contar histórias para mim mesmo, aprendi a contá-las para osoutros.O que fez com que, aos poucos, meu devaneio se acalmasse (por sorte, sem seexaurir)? Será que eu "amadureci"? Ou será que as aulas, o trabalho e os amoresse tornaram interessantes, e a necessidade de sonhar diminuiu?Na hora de explicar o excesso de devaneio, o adolescente tende a acusar arealidade na qual ele vive, a qual mereceria o enfado que ela lhe inspira. Mas, emgeral, não há realidade enfadonha, apenas indivíduos enfadados, que, por algumarazão, não enxergam o encanto possível do dia a dia.Ao devanear, eu me afasto da realidade. Por outro lado, sem devanear, malconsigo inventar e desejar realidades diferentes. O que é pior? Entre renunciar adevanear e sucumbir ao devaneio, talvez seja pior renunciar a devanear.Infelizmente, enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam paratransformar o devaneio num transtorno, se não numa doença. Desde um texto de2002 no "Journal of Contemporary Psychotherapy" (revista de psicoterapiacontemporânea,
http://migre.me/cjDUi
), monitoro a ascensão do "transtorno" dedevaneio excessivo e "mal-adaptativo" (ao mesmo tempo, desadaptado e capazde comprometer nossa adaptação ao mundo).

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