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Metodologia de Incubação e Desafios Para o Cooperativismo Popular - Uma Análise Sobre o Trabalho Da a de Cooperativas Populares Da UFSCar

Metodologia de Incubação e Desafios Para o Cooperativismo Popular - Uma Análise Sobre o Trabalho Da a de Cooperativas Populares Da UFSCar

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06/16/2009

 
Anais do IV SEMPE – Seminário de Metodologia para Projetos de Extensão, São Carlos 29-31 ago2001.
 METODOLOGIA DE INCUBAÇÃO E DESAFIOS PARA OCOOPERATIVISMO POPULAR: uma análise sobre o trabalho da Incubadora deCooperativas Populares da UFSCarFarid Eid
Universidade Federal de São Carlos, (0xx16) 2608236 r. 211farid@power.ufscar.br 
 Ana Rita Gallo
Universidade Federal de São Carlos, (0xx16) 2716368argallo@bol.com.br 
 
 Este artigo propõe-se a aprofundar a investigação científica sobre exclusão social, gênese e desafios atuais da Economia Solidária no Brasil, enfatizando o atual estágiode desenvolvimento de uma proposta coletiva de metodologia de incubação, fundamentada ou com elementos similares à Pesquisa-Ação, a partir do trabalho dedois anos de técnicos de nível superior, especialistas em cooperativismo, estudantes de graduação e de pós-graduação e de docentes de diversas áreas de conhecimento queatuam na Incubadora Regional de Cooperativas Populares da Universidade Federal deSão Carlos. 
1. EXCLUSÃO SOCIAL E ECONOMIA SOLIDÁRIA1.1. Exclusão Social
A apartação social no Brasil inicia-se com o processo de ocupação de terras, exploraçãoda mão-de-obra indígena, escrava e imigrante. Séculos de escravidão configuraram arepresentação social da pobreza, na qual interferem a etnia e o lugar que o trabalho temno imaginário social. Com o advento do café e as relações capitalistas instauradas no país, no final do século XIX, pobre era o trabalhador habitante de cortiços. Sobre este,deveria ser exercida a disciplina do trabalho para afastar os riscos da vadiagem e dadoença. Pobre daquele que não se submeteria a uma relação salarial, fundamentalmenteuma relação política e, levar-se a uma existência indisciplinada, ameaçaria a ordemsocial.A pobreza intensifica-se a partir de 1930, conformada por problemas estruturaisassociados à concentração do poder e da propriedade da terra. Durante o períodogetulista, o crescimento da urbanização e da industrialização relegaram a figura do pobre ao ambiente rural. No espaço urbano o pobre estaria ou inserido como força detrabalho ou em processo de transição rural-urbano, adaptando-se ao novo ambiente eincorporando os valores da sociedade ‘moderna’. Nos bolsões de pobreza rural, acondição era considerada ainda de natureza individual, gestada pela indolência e falta deambição daqueles apegados a valores tradicionais. A figura do
 Jeca Tatu
era expressivadesse imaginário. No espaço urbano, a natureza da pobreza era também individual, porém de ordem cultural, pois pobre – migrante recente – ainda estaria em uma faseadaptativa. A legislação social implementada no período estabeleceu uma estratificaçãoimportante no seio da categoria dos trabalhadores, subdividindo-a, segundo suaimportância estratégica no desenvolvimento nacional, em grupos com maior ou menor acesso aos direitos sociais – também estes com diversos graus de amplitude. Nos anos
 
1950 e 1960, impulsiona-se o movimento de industrialização pela substituição dasimportações e conjuntamente os movimentos migratórios. À medida que as expectativasde inserção laboral eram frustradas acabava-se por se constituir um amplo contingentede subempregados ou desempregados disfarçados pelo exercício de atividadesintervenientes, irregulares, semilegais ou mesmo legais. Neste momento a natureza da pobreza passou a ser considerada como de responsabilidade social. O sistemaeconômico mantinha os pobres em sua periferia conformando um exército industrial dereserva. Essa configuração deu origem ao conceito de “marginalidade social” e, em período posterior, a um intenso debate que se consubstanciou na denominada ‘teoria damarginalidade’. O pobre era o subempregado, vivendo através de uma ‘economia desobrevivência’, obtendo uma renda insuficiente que o caracterizava como carente. Nouniverso simbólico social a figura do ‘malandro’ associava-se a ociosidade, esperteza eelegância contrapondo-se ao pobre trabalhador. A partir dos anos 70 consolidaram-se asrelações sociais do tipo urbano-industrial e um novo padrão de industrialização com aformação de estruturas de mercado em oligopólios. Nesta década, o Brasil já era um país urbanizado e em processo de conformação das metrópoles. Posteriormente, nadécada de 80, ocorre uma acentuão da clivagem econômica, política e socialdemarcada nesse processo histórico de exclusão constituída pela transição do regime político e pelos ciclos econômicos recessivos que aceleraram e aumentaram avisibilidade da ‘questão social’. Na década de 90, surgem os sinais evidentes de uma piora nas condições de vida da população excluída, com o rápido crescimento da população moradora nas ruas e da violência urbana, com mudança no perfil de pobreza:deslocamento espacial (rural-urbano) e um deslocamento social à medida que a pobrezainvade setores do mundo do trabalho até então em mobilidade ascendente (metalúrgicos, bancários, professores e profissionais liberais).Segundo Lautier (1994) o aumento da pobreza urbana e do subemprego massificadoencontraram na economia informal uma solução, imprevista e não ótima, ao problemado subdesenvolvimento. Por outro lado, há inúmeras causas da heterogeneidade daformação da economia informal que vão desde a crise econômica até as várias formasde exclusões sociais existentes, como, por exemplo, o preconceito racial e as atividadesilícitas. Inúmeros são os termos usados para classificar a economia como informal:economia não oficial, economia alternativa, economia autônoma, economia marginal,economia ilegal, economia clandestina, entre outros. Tanto atividades lícitas quantoilícitas encontram-se enquadradas como informais, sendo a primeira caracterizada destemodo por não pagar impostos, seguros sociais dos trabalhadores, não ter regulamentadoas condições de trabalho, higiene e segurança e por não ter registro na administraçãofiscal; a segunda, que compreende as atividades criminais, de contrabando, tráfico ou amáfia, são classificadas como informais devido aos seus princípios ilegais.A marginalidade pode ser caracterizada como a ausência de inserção no assalariamentoformal e sua dupla conseqüência na irregularidade de rendimentos e na carência de uma proteção social, caracterizando a ausência de um Estado de Bem Estar Social explicada,em parte, pela crise de financiamento dos gastos sociais para com a população excluída(Ewald, 1986; Rosanvallon, 1981, 1995; Castel, 1991, 1995). Como a empresacapitalista, em contínua reestruturação face ao aumento na competição na economiamundial, não oferece condições para o trabalho de toda a população excluída, portantocresce ano a ano o contingente de indigentes, sem qualquer perspectiva de melhoria devida. 
1.2. Economia Solidária
 
A partir dos anos 80, surgem cooperativas com uma nova conotação, dentro do conceitode Empreendimento Econômico Solidário – EES ou empreendimento autogestionário(Gaiger et al., 1999a, 1999b) e da Economia Solidária (Singer, 1999a, 1999b). Os EESsão definidos como organizações coletivas de trabalhadores voltados para a geração detrabalho e renda, regidos, idealmente, por princípios de autogestão, democracia, participação, igualitarismo, cooperação no trabalho, auto-sustentação, desenvolvimentohumano e responsabilidade social. E por Economia Solidária (ES) entende-se umconjunto de experiências coletivas de trabalho, produção, comercialização e créditoorganizadas por princípios solidários, espalhadas por diversas regiões do país e queaparecem sob diversas formas: cooperativas e associações de produtores, empresasautogestionárias, bancos comunitários, ‘clubes de trocas’, ‘bancos do povo’ e diversasorganizações populares urbanas e rurais (Singer, 1999a). Deste modo, os EES podemexplicar um novo e complexo tecido social, onde os setores populares desenvolvem suasatividades produtivas, cujo objetivo não é, prioritariamente, a acumulação de capital,mas a sobrevivência de quem neles trabalha (Gaiger, 1999a, 1999b). Outro aspecto quemarca esse tipo de empreendimento é a multiplicidade de identidades, onde a idéia prevalecente é a da cooperão, companheirismo, colaboração, comunidade,coletividades, coordenação, entre outros, como valores que caracterizam uma açãocomunitária e solidária (Tiriba, 1999). No entanto, é evidente a quase ausência de pesquisas empíricas, com esse novo enfoqueanalítico, que apresentem análises sobre o estado da arte das iniciativas solidárias,tomando-se o cuidado de não reproduzir generalizações abstratas deslocadas darealidade. Essa alternativa de vida econômica e social que se apresenta é representado,destacando-se, as associações informais, negócios de caráter semifamiliar, pequenasfábricas artesanais, cooperativas rurais e urbanas e microempresas. Desenvolvem principalmente atividades econômicas como: limpeza e serviços gerais, plantio, beneficiamento e comercialização de produtos primários, prestação de serviços,confecções, alimentação, artesanatos, reciclagem de resíduos e outras.A contribuição universitária se organiza a partir de meados dos anos 90 quando inicia-seo programa de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs) a partir dainiciativa pioneira da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia daUniversidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente são 13 ITCPs filiadas a Rede deITCS e, outras mais, espalhadas em diversas universidades do país ou não vinculadas àuniversidade, sendo que, a partir de 1998, essa Rede de ITCPs faz parte de um dosProgramas da Rede Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho(UNITRABALHO) a qual agrega 84 universidades de todas as regiões do país. Na UFSCar existe um grupo de docentes de diversas áreas de conhecimento, técnicos denível superior especialistas em cooperativismo e estudantes da graduação e pós-graduação que atua e desenvolve conhecimentos de forma inter-disciplinar, naIncubadora Regional de Cooperativas Populares da Universidade Federal de São Carlos(INCOOP/UFSCar). Esse grupo foi formado a partir do final de 1998 e a incubadorasurgiu em abril 1999, através da articulação dos Núcleos de Extensão UFSCar-Cidadania, UFSCar-Município e UFSCar-Sindicato, com a preocupação sobre a questãoda desigualdade, da exclusão social e da precarização do trabalho (Gallo et al., 2000;Valêncio et al., 2000).Atualmente, cerca de dez cooperativas estão em processo de criação e/ou consolidação,localizadas em diversos municípios da região de Ribeirão Preto. Algumas possibilidadesde convênios com Prefeituras Municipais podem acelerar esse processo, como já se pode verificar nesse último ano. Para esse coletivo, o mais importante não é o aumentono número de cooperativas que estão sendo criadas, mas assessorar para que o processo

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