1APRESENTAÇÃO
A multiplicação de experiências de geração de trabalho e renda, de forma solidária eassociativa, constitui um traço marcante do campo popular nos dias atuais. Em poucosanos, iniciativas de base relativamente isoladas, muitas vezes desapercebidas, deramlugar a uma realidade que se expande e se dinamiza, atraindo a presença e motivandoa ação de organizações civis, do poder público e de entidades de classe.Apenas recentemente essa novidade tornou-se objeto de estudos mais abrangentes esistemáticos (Gaiger, 1996; Silveira, 1995). Em parte, devido ao caráter circunstancial eefêmero dessas pequenas iniciativas, que além de dificultar o seu registro eacompanhamento, diminui a chance de constituírem naturalmente um movimentocomum. Em parte, em razão de sua presença polimorfa e difusa no tecido social,aparentemente alheia aos grandes embates travados no campo popular e, portanto, demenor expressão na ótica de interpretação antes vigente (cf. Cardoso, 1987; Gaiger,1995a).Todavia, à medida que a maior notoriedade das iniciativas solidárias despertouinteresse como objeto de debate e de investigação, nas universidades, centros depesquisa e entidades de assessoria, observou-se uma mudança de enfoque. Além deserem valorizadas como respostas necessárias a demandas sociais urgentes, ganhoureceptividade a tese que as vê como uma base fundamental para a reconstrução domeio social em que vivem as classes populares, meio cuja tendência à decomposição,sem uma ação contra-ofensiva dessa natureza, alcançaria níveis intoleráveis.Segundo essa nova interpretação, as experiências solidárias e os programas que assustentam estariam em vias de evoluir para uma ação propositiva, com reflexosconcretos no campo das políticas públicas e nos embates que hoje definem os rumosda sociedade. Elas constituiríam não uma frente pré-política, mas uma ação defronteira, geradora de embriões de novas formas de produção e trabalho, estimuladorade alternativas de vida econômica e social. Palavras hoje revigoradas, tais como
local
,
comunitário
,
associativo
,
ecológico
e
redes
, denotam que está havendo mudanças nosenfoques analíticos e na pauta política. Entretanto, essa aposta no potencial daspequenas experiências carece, no momento, de estudos que possam verificar, com odevido embasamento empírico, de que modo esta expectativa está encontrando a suareal concretização.Precisamente com essa finalidade, foi idealizada e realizada a pesquisa que originaesta publicação. Ela expressa o interesse comum de um conjunto de entidades do RS,com marcada atuação junto aos setores populares, em particular no apoio a projetoscomunitários e a associações locais de produtores. Aproximando suas frentes detrabalho, essas entidades promoveram, em 1996, o
1º Encontrão de Experiências Alternativas de Organização Popular e Geração de Renda
, com representantes degrupos e organizações de apoio de todo o Estado. A fim de manter uma instância dearticulação, somar esforços e prosseguir nas ações em parceria, criou-se a seguir umfórum permanente de entidades, do qual participam, entre outras, a Cáritas Brasileira -Regional RS, a Comissão Pastoral da Terra, o Centro de Assessoria Multiprofissional, o3
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