Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
6Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
O Cooperativismo Popular No Brasil - Importância e Representatividade

O Cooperativismo Popular No Brasil - Importância e Representatividade

Ratings:

5.0

(6)
|Views: 1,623 |Likes:
Published by Lumo Coletivo

More info:

Published by: Lumo Coletivo on Feb 06, 2009
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF or read online from Scribd
See more
See less

08/12/2013

 
1 
O COOPERATIVISMO POPULAR NO BRASIL: Importância eRepresentatividade*Maria Nezilda Culti
1
 
RESUMO
O Cooperativismo como parte da Economia Solidária é um sistema de cooperação que apesar deinserido no capitalismo, é reconhecido como um sistema mais adequado, participativo, democrático emais justo para atender às necessidades e os interesses específicos dos trabalhadores. O crescimentodesses empreendimentos tem sido significativo e vêm chamando a atenção das Universidades e dospoderes públicos municipais e estaduais, que passam a apóia-los.Pretende-se neste trabalho demonstrar o crescimento e visibilidade das Cooperativas de Trabalho noBrasil, a partir da década de 1980.
Palavras-chave
: Cooperativismo Popular, Economia Solidária, Cooperativas de Trabalho,Desemprego.
INTRODUÇÃO
O Brasil entra no século XXI vivendo um processo de grandes transformaçõesimpulsionadas por novas demandas da sociedade e pela transformação acelerada daeconomia mundial no curso de políticas neoliberais. São mudanças desafiadoras que, aindanão conhecemos inteiramente os seus efeitos sobre as relações econômicas e sociais,especialmente em economias como a brasileira, onde o desafio é maior, pois ao mesmotempo em que acompanhamos e sofremos os reflexos das tendências mundiais, precisamoseliminar distorções acumuladas no passado e consolidar a estabilidade econômica.Em nosso País temos visto perversos reflexos no mercado de trabalho, onde oresultado visível é a significativa taxa de desemprego e subemprego. Além do desempregoobserva-se um importante movimento de precarização nas relações de trabalho, que poucodifere dos sintomas existentes nos países mais desenvolvidos, embora aqui ampliesignificativamente o número dos socialmente excluídos e deteriore ainda mais as condiçõesde vida que já estavam muito distantes das economias centrais, onde a distribuição deriqueza é melhor equacionada.O trabalho em tempo integral por prazo indeterminado vem sendo substituído pelotrabalho temporário, jornada em tempo parcial (part-time), trabalho a domicílio, aprendizese estagiários. Também a prática de subcontratação/terceirização tem-se tornado parteintegrante desse processo. A taxa de desemprego no Brasil, segundo o Instituto Brasileirode Geografia e Estatística-IBGE, saltou de 4,28% em 1990, mantendo-se próxima a este
1
Professora Mestre do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá-UEM e Membro doNúcleo Local UNITRABALHO – Paraná. E-mail: mnculti@uem.br* Trabalho apresentado no Tercer Congreso Europeo de Latinoamericanistas, em Amsterdam-Holanda, 3-6 de julho de 2002.
 
2patamar em 1995 (4,64%), atingindo 7,10% em 2000. Segundo o DepartamentoIntersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômico-DIEESE, estas taxas seriam,respectivamente, 7,20%, 9,00% e 11,00%
2
quando, segundo os dados levantados por NETO(2001: 56-63), a “taxa média de desemprego na União Européia(UE) permaneceupraticamente estabilizada em torno de 10% em 1998 (OIT, 1998) e 9,6% em 1999(Eurostat, La Comissión Européenne, 2000)”. A informalização já atinge 50% da populaçãoeconomicamente ativa com tendência a aumentar. A quantidade dos trabalhadorestemporários e subcontratados já é maior que o número de empregados das grandesempresas, com jornadas de tempo integral, com salários e condições de trabalho melhores.O desemprego de longa duração (mais de seis meses) no Brasil tem acompanhado atendência internacional. Os salários, comparados com muitos outros países, são para agrande maioria dos trabalhadores especializados ou não, baixíssimos. Segundo oDIEESE(1996-1997), o custo da mão-de-obra na industria brasileira (2,68 US$/hora) écerca de seis a oito vezes mais baixo que nos países mais desenvolvidos (16,40 nos EUA;19,26 na Áustria; 24,87 na Alemanha), cerca da metade do valor pago na Coréia do Sul(4,93) e em Portugal (4,63), sendo similar ao México (2,41).Para flexibilizar ainda mais o já desregulado mercado de trabalho brasileiro, em1998 entrou em vigor lei que autoriza as empresas manterem até 20% da força de trabalhodurante dois anos com encargos sociais bastante reduzidos. Medida Provisória editada nomesmo ano criou o “desempregado temporário”, onde o trabalhador que seria demitido,passa a receber pela empresa um salário mínimo e, durante cinco meses, fica fazendocursos de qualificação com a possibilidade de não ser demitido ao final deste período.Portanto, o que temos visto de maneira geral, é o aumento da instabilidade para ostrabalhadores, pois as transformações tecnológicas próprias do processo de acumulação decapital, mudam também o significado social do trabalho à medida que imprimem umcaráter provisório a muitos postos de trabalho e ocupações no processo produtivo eorganizacional e, conseqüentemente, nas posições delas decorrentes, denotando ausência deperspectiva e lugar seguro na sociedade. O processo de desenvolvimento globalizado docapitalismo que vem gerando crescente desemprego e aumentando a concentração de renda,desigualdade e exclusão social, é inerente ao modelo de desenvolvimento capitalista, quevem apenas tomando novas formas em períodos históricos diferentes. Hoje se fala deriqueza e pobreza em toda parte do sistema capitalista, crescendo mais a última.No Brasil em particular, o que se vê através da distribuição de renda é um alto graude concentração e crescimento do desemprego e pobreza. Segundo o Relatório doDesenvolvimento Humano de 2001 da Organização das Nações Unidas(ONU), elaboradopelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Penud), que apresenta dadosde 162 países, publicado em 10 de junho de 2001, o Brasil fica em má colocação no maisnovo índice criado, o chamado Índice de Conquistas Tecnológicas-TAI, 43º colocado entre72 países. Este índice enquanto parte do Relatório sobre Desenvolvimento Humano, visa“capturar como um país está criando e difundindo tecnologia e construindo uma base decapital humano – refletindo sua capacidade para participar nas inovações tecnológicas”.Nele, o Brasil figura no penúltimo bloco, chamado “adotadores dinâmicos”de tecnologia,só à frente não por acaso, dos chamados “marginalizados”. E, também não por acaso, oíndice mostra que o País perde no item capacidade humana (anos significativos de
2
O DIEESE inclui em suas pesquisas que medem o desemprego, mais duas categorias como desempregados,além do desemprego aberto que é o “oculto por trabalho precário” e o “oculto por desalento”.
 
3escolarização e matrícula universitária em áreas como ciência, matemática e engenharia).Em anos de escolaridade empata com nações muito pobres da América Latina comoHonduras e República Dominicana. O relatório aponta que a tecnologia poderia ser uminstrumento valioso para o desenvolvimento humano e diminuir a pobreza, entretanto, nãoexiste uma receita única que evite o aprofundamento da diferença entre ricos e pobres,alegando inclusive, que o mercado “é uma poderosa máquina de progresso tecnológico,mas não é poderoso o suficiente para criar e difundir as tecnologias necessárias paraerradicar a pobreza”. Apesar de um pequeno avanço no IDH-Índice de DesenvolvimentoHumano, que passou de 0,746 para 0,750, a desigualdade de renda continua alta. Os 10%mais ricos consomem 46,7% enquanto os 10% mais pobres ficam com o equivalente aapenas 1% do total.De fato, o desenvolvimento tecnológico não é para o benefício de todos, mas apenaspara uma minoria. Não gera emprego na mesma proporção e tempo que o destrói, mas fazaumentar uma massa cada vez maior de desempregados e subempregados, excluídostotalmente ou parcialmente da riqueza produzida. Na melhor hipótese, permitem condiçõesde trabalho em tempo parcial, tempo determinado, atividades no mercado informal eautogeridas. (CULTI, 2001).Nesse sentido, nos parece improdutivo apenas lutar para conservar e fazer crescer onúmero de empregos. Nossa condição histórica atual é de procurar criar e apoiaroportunidades ou formas de trabalho sociais reinventadas para propiciar trabalho e renda àpopulação excluída, que estamos vendo despontar nas últimas décadas, através da chamadaeconomia solidária.
ECONOMIA SOLIDÁRIA NO BRASIL
A economia solidária no Brasil ganha espaço nas publicações acadêmicas a partir dasegunda metade da década de 90.Segundo SINGER (2000:25), “A economia solidária começou a ressurgir, de formaesparsa na década de 1980 e tomou impulso crescente a partir da segunda metade dos anos1990. Ela resulta de movimentos sociais que reagem à crise de desemprego em massa, quetem seu inicio em 1981 e se agrava com a abertura do mercado interno às importações, apartir de 1990”. A economia no sistema capitalista é bastante eficiente na geração deriqueza, que por sua vez, gera também eficientemente, a pobreza. Enquanto parte dasnecessidades das pessoas são satisfeitas, a de outras ficam insatisfeitas, levando a umaprecária qualidade de vida.Nesse processo, as pessoas mesmo empobrecidas e excluídas do mercado detrabalho, pela necessidade de sobrevivência, buscam a sua valorização, a sua capacidadepara trabalhar e empreender. Apesar de serem necessidades individuais e isoladas, elasganham força e expressividade e constituem-se na mais poderosa das forças com asolidariedade, criando vínculos de organização e de comunidade. É o povo excluído quetem tomado iniciativas com expectativas de satisfazer suas necessidades e abrir novoscaminhos na vida, através do uso de suas próprias forças e recursos, associando-se a outrose organizando-se em grupos, associações e cooperativas. São, portanto, organizaçõescoletivas ou comunitárias em defesa dos indivíduos enquanto cidadãos, moradores,

Activity (6)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
romulovt liked this
jgoncalves_79563 liked this
Ivia Milany liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->