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Boletim Barroso VI

Boletim Barroso VI

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12/27/2012

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Fundador: Pe. António F. CardosoDesign: Filipa Craveiro | Alberto CraveiroImpressão: Escola Tipográfica das Missões - Cucujães - tel. 256 899 340 | Depósito legal n.º 92978/95 | Tiragem 2.500 exs. | Registo ICS n.º 116.839
Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-PostuladorPropriedade: Associação
"Grupo dos Amigos de D. António Barroso".
NIPC 508 401 852Administração e Redacção: Rua Luís de Camões, n.º 632, Arneiro | 2775-518 Carcavelos Tlm.: 934 285 048 – E-mail: vicepostulador.antoniobarroso@gmail.comPublicação trimestral | Assinatura anual: 5,00
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Boletim de
 
D. António Barroso
III Série . Ano II . N.º 6 . Outubro / Dezembro de 2012
D. ANTÓNIO BARROSO E ASDESIGUALDADES SOCIAIS
D. António Barroso erauma eminente figura da Igreja ecomo tal, tinha quanto ao fenó-meno da pobreza uma posiçãoconsonante com a doutrinaDaquela.Nesta temática, a doutrinada Igreja, sempre foi no senti-do do «dever de partilha» dosbens materiais, com os maisdesfavorecidos.Na Encíclica «PopulorumProgressio» (Populorum Pro-gressio - 23), cita-se a propó-sito Santo Ambrósio e trans-creve-se o que já no séc. IV, omesmo dizia:
«não dás da tuafortuna ao seres generoso paracom o pobre, tu dás daquilo quelhe pertence. Porque aquilo quete atribuis a ti, foi dado em co-mum para o uso de todos. A Terrafoi dada a todos e não apenasaos ricos»
.D. António Barroso viveunuma época que padecia, deconstrangimentos semelhantesàqueles a que hoje assistimos.Mercê da conjugação de váriosfactores, (invasões francesas,fuga da família real para o Brasil,abertura dos portos do Brasila países estrangeiros, Ultima-tum, instabilidade política) (ver:História de Portugal, VeríssimoSerrão, vol. X, pag. 46 e segs e385 e segs; História de Portugalde João Medina, vol. IX , pag. 33e segs; vol. XI, pag. 211 e segs),verificava-se a incapacidade deo Estado pagar aos credoresexternos e garantir condiçõesde atrair capitais e ter contassólidas, sendo a situação deiminente «bancarrota». Tantoo desemprego, como a emi-gração atingiam percentagensalarmantes.D. António Barroso mos-trou sempre grande sensibili-dade e inconformidade, peran-te a situação de miséria em quevivia o povo. Em África, (Diáriode 18.06.1893) lamenta a «exi-guidade do salário que recebia
Feliz Natal
«PAI DOS POBRES»
A Semana Social que se re-alizou no Porto, em finais deNovembro, numa iniciativada Igreja Católica, procedeua uma reflexão sobre os desa-fios actuais ao Estado Social eà Sociedade Solidária. A Igrejaassume a necessidade de en-contrar sinais e iniciativas deesperança que se contrapo-nham à crise, como salientouD. Manuel Clemente e comoconsta do comunicado final:“As desigualdades sociais, apobreza e a exclusão devemser contrariadas através deinstrumentos públicos e deiniciativas solidárias”.A propósito, recorda-se ogrande exemplo de solidarie-dade que D. António Barrosonos legou. Como escreve nes-te Boletim, o Dr. Juiz ManuelMonteiro Gonçalves, o BispoBarroso nasceu e cresceu numaépoca que sofria de constran-gimentos semelhantes àquelesem que hoje vivemos. Mercêda conjugação de uma série defactores, o Estado tornou-seincapaz de pagar aos credoresexternos, de garantir condi-ções para atrair capitais e deter contas sólidas, chegando-se a uma situação de iminente«bancarrota». O desemprego ea emigração atingiram propor-ções alarmantes. E a II GuerraMundial veio agravar a crise,atingindo-se situações de mi-séria extrema. Face ao desca-labro a que o país chegou, oBispo do Porto, já na fase finalda sua vida atribulada e curta,mostrou sempre grande sensi-bilidade e inconformidade.Quando se esgotavam asrendas da Mitra portuenseatribuídas aos pobres, batia aoutras portas mais abastadase chegava a contrair emprés-timos junto de familiares, parasocorrer famintos e pagar ren-das a deserdados da sorte.O historiador Fortunato deAlmeida refere que
«as portasdo Paço estavam sempre aber-tas a todos que ali eram recebi-dos com efusões de bondade»
. Eo escritor Raul Brandão referenas suas «Memórias»:
«o Bispoé uma grande figura de bonda-de. Dá tudo o que tem. Ganhava12 contos por ano; agora, quan-do lhe vasculharam o Paço, sóencontraram cotão»
.Com razão a imprensa oapelidava de «bispo esmoler»e o povo lhe chamava «Pai dosPobres».
 A. Gomes de Araújo
 
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Boletim de
 
D. António Barroso
o trabalhador preto». Como bispo do Por-to (Pastoral de 25.04.1918), repreende aganância de lucros excessivos e pede aospatrões que obedeçam aos ditames da jus-tiça e recomenda aos párocos que inter-venham para conseguir que os operáriosganhem o indispensável às suas necessida-des». Na mesma Pastoral, chama a atençãopara a propagação de doenças agravadaspela miséria e ainda para o fenómeno daexploração da miséria e consequente per-da da honra. Apela ainda aos agricultorespara aumentarem a produção cerealífera.Na Provisão de 06.02.1900, pondera apropagação das doenças que afectam so-bretudo os pobres e solicita aos párocosque colaborem com a Comissão de Assis-tência Nacional de Tuberculose.Entendia que o combate à miséria (oque servia também os desígnios do missio-nário, na medida em que teria o cariz cris-tão), passava pelo incremento do ensino,quer literário, quer de artes e ofícios.Nos seus apontamentos de viagem, de21.08.1884, refere:
«No dia em que o indíge-na compreender que pelo trabalho honradoele adquirirá os meios suficientes para o bem-estar relativo, terá dado um passo de gigantepara a sua regeneração social»... «A missãodeve ser uma escola completa, ondecom o pão do espírito se ministramos elementos de prosperidade mate-rial dos povos»... «Os indígenas nãotêm progredido em melhoramentosno que toca à agricultura, às artese ofícios que poderiam melhorar asua condição miserável de vida e for-necer-lhe meios de sustentação maisproveitosos e lucrativos»
.Assim, é da sua iniciativa acriação das primeiras escolas fe-mininas em Moçambique.Em Julho de 1893, inaugurao «Instituto de Ensino Rainha D.Amélia», aberto às crianças quedele quisessem aproveitar. Em1895, inaugurou o «Instituto LeãoXIII», destinado à educação decrianças do sexo feminino, iniciativa certa-mente pioneira em África.Na Índia, criou a escola de Punicail, epreocupou-se com a agricultura. Para es-ses desideratos, defendia que as missõescareciam do irmão leigo, lavrador e artista,para ensinar. Já como bispo do Porto, pela Provisãode 22.10.1905, impulsiona as Escolas Agrí-colas.No contacto imediato com os neces-sitados, D. António Barroso, prestava auxí-lio com tudo o que tinha. O mesmo dizia:
«Dai aos pobres que Deus vos pagará centopor um»
e
«Socorram os pobres porque Deusmanda e não por um sentimento doentio».
Como refere Fortunato de Almeida,
«as portas do Paço estavam sempre abertasa todos que ali eram recebidos com efusõesde bondade»
. Diz-se que quando se esgota-vam as rendas da Mitra portuense atribuí-das aos pobres, batia a outras portas maisabastadas e chegava a contrair emprésti-mos com os seus familiares (Secretário noPorto de D. António Barroso).Raul Brandão escreve nas suas «Me-mórias»:
«o Bispo é uma grande figura debondade. Dá tudo o que tem. Ganhava 12contos por ano; agora, quando lhe vasculha-ram o Paço, só encontraram cotão»
.É paradigmático o caso do cordão deoiro que lhe havia sido oferecido pela mãeaquando da sagração como bispo do Portoe que se revelou já não existir, no dia dapartida para o exílio. Verificando a afliçãodos familiares que o procuravam, o Bisporevelou que o mesmo havia sido distribuí-do aos poucos pelos pobres.Na crónica do
Comércio do Porto
de19.02.1899, diz-se a propósito de D. An-tónio Barroso:
«É pobre e sê-lo-á sempre. Aumentando-lhe a renda, só lhe dão mais otrabalho e o mérito de bem distribuir»
.Conta o Rev. Conceição Couceiro (di-rector espiritual do seminário do Porto),que
«um dadivoso capitalista desta cidadefez-lhe o donativo avultado dum conto de reis;decorridos alguns dias, já o último real se tinhaescoado pelas mãos dos indigentes e infortu-nados, a ponto de o benfeitor proferir estafrase incisiva:
«O sr. D. António precisadum tutor ... Também é demais»
. Júlio Dantas (escritor) foi visitar D.António Barroso, no Paço episcopal, noVerão de 1910. A maneira austera comovivia, impressionou-o sobremaneira, sendodele a seguinte descrição:
«Depois de atra-vessar as salas nobres da residência episcopal,... chegamos à pobríssima alcova onde dormiao bispo do Porto, à sua humilde cama de ferrocoberta de chita, à sua tosca mesa onde haviaapenas uma cruz e a Imitação deCristo»
.Dele disse Joaquim da Costa:
«Viveu e morreu pobre, porque deutudo aos pobres. No seu testamentodeixara exarado: «pobre quero mor-rer em obediência e acatamento àssábias leis da Igreja Católica»
.Com razão o povo chamavaa D. António Barroso o «Pai dosPobres».Em tempos tão difíceis, comosão os de hoje, espera-se que tãogrande exemplo, nos convoquede alguma forma a sermos tam-bém solidários, para com os, cadavez em maior número, pobres.
Manuel Monteiro Gonçalves
 
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Boletim de
 
D. António Barroso
“MISSÕES DE BARCELENSES NO MUNDO”
IDEIAS PARA UMA EXPOSIÇÃO MISSIONÁRIA
EXPOSIÇÃO MIISSIONÁRIA PROMOVIDA PELA CÂMARAMUNICIPAL DE BARCELOS, EM 1954, ANO CENTENÁRIO DONASCIMENTO DE D. ANTÓNIO BARROSO
Victor Pinho *
“A salvação das almas, lançada pelassementes da fé, através da pregação e dacatequese, sendo o objectivo último, era pa-ralela à ajuda às pessoas, fí-sica e intelectualmente, paraassegurar o seu crescimentohumano.” 
 João Francisco Marques,“Arciprestado de Barcelosna Evangelização do Além-Mar Português”, 1995.No ano de 2018, com-pletam-se cem anos damorte de D. António Bar-roso, Padre, Missionário eBispo, uma das figuras maisnobres da Igreja CatólicaPortuguesa e um dos Bar-celenses mais Ilustres.Homem simples e decarácter, a sua nobre mis-são em favor da Fé e nadefesa dos valores do Hu-manisno e da Justiça Social,elevam-no a um patamarbem alto na sociedade.Missionário que evange-lizou e ensinou o trabalho,Bispo que nunca se resig-nou, nem mesmo quandosofreu o exílio, soube sem-
AMIGOS DE D. ANTÓNIO BARROSO EM ACÇÃO
pre ter um atitude digna na defesa dosvalores cristãos e cívicos.Que melhor maneira de divulgar asua vida e obra a todas as gerações, masparticularmente às mais novas, que co-meçarmos a preparar uma grande expo-sição documental e iconográfica, em quepara além de dados relativos ao Bendi-to Missionário, Bispo e Homem de Fé,procurássemos documentar o que foi aevangelização dos missionários e missio-nárias barcelenses nos quatros cantos domundo.Seria uma forma de homenagearmosD. António Barroso, mas também todosaqueles que, pertencendo ao Arcipres-tado de Barcelos, partiram para o Além-Mar evangelizando.Só para recordar! Por altura do 1ºCentenário do Nascimento de D. Antó-nio Barroso, Barcelos realizou um Con-gresso presidido pelo cardeal patriarcade Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejei-ra, com a participação de diversos pre-lados portugueses, entre os quais, o car-deal D. Teodósio Gouveia de LourençoMarques. Paralelamente ao Congresso,organizou-se uma Exposição Missioná-ria promovida pela Câmara Municipalde Barcelos, uma com recordações emanuscritos de D. António Barroso eoutra com arte sacra europeia e indíge-na, duas de arte indígena a cargo das Ir-mãs Franciscanas Missionárias de Mariae outra também de objectos indígenaspertencentes a diversas entidades.Vamos, então, todos, entidades pú-blicas e privadas, pessoas individuais,párocos, missionários,leigos, começar desde jáa trabalhar, pesquisar ar-quivos, selecionar pessoasque possuam documentose utensílios que possamintegrar esta grande expo-sição missionária.Constitua-se, desde já,uma Comissão Executivapara levar por diante estaexposição de divulgaçãodo espírito de missão desacerdotes e leigos barce-lenses, cujo eixo centraldeverá ser a figura de D.António Barroso.
* Bibliotecário Municipal e Investigador 
UMA PROPOSTAA PENSARNO CENTENÁRIODA MORTE DED. ANTÓNIOBARROSO (1918)

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