CH 178 CONORCH 178 CONORRUTH LANGANRUTH LANGAN
PRÓLOGO
Irlanda, 1546
—Bom dia, jovem Conor. — A velha camponesa sorria para o filho de GavinO’Neil, o senhor de Ballinarin. — Veio com a família à feira?Conor 0'Neil, de nove anos, parou junto à banca carregada de doces.— Isso mesmo, sra. Garrity.Era sua barraca favorita no dia das compras. Não muito longe, seu paisaboreava uma cerveja em companhia de Friar Malone e alguns homens dovilarejo. Do outro lado do gramado, a mãe e a irmãzinha Briana admiravam fitas erendas mostradas por uma moça. O irmão mais velho, Rory, e outros rapazolasvadeavam pela rua fingindo ignorar as garotas bonitas que riam coradas.Por toda parte, vendedores apregoavam suas mercadorias. Não faltavambarracas com engradados de galinhas alvoroçadas, baldes cheios de peixes secontorcendo e carrinhos com mexilhões e outros com mariscos. Os fazendeirosexibiam suas frutas e hortaliças, ao mesmo tempo que permutavam carneiros porfrutos do mar.— Tive seis filhos e sei o que mais agrada ao coração de um menino —confidenciou a sra. Garrity, na voz musical que Conor adorava.Com uma piscadela, estendeu-lhe um dos doces. Como sempre, ele tirouuma moeda do bolso. Também como sempre, a boa mulher deu-lhe mais umaguloseima sussurrando:— Este é de graça. Para você se agüentar até chegar em casa.Trocaram um sorriso secreto. Conor mordeu o doce e suspirou de prazer.Antes que desse a segunda mordida, porém, sentiu um aperto no ombro e foiempurrado violentamente. Caído no chão, viu mais de dez soldados inglesesabrindo caminho em meio à multidão.As vozes felizes calaram-se de repente. Até as criancinhas que brincavamde pega-pega rindo e gritando estacaram mudas.— O que querem aqui? — questionou um dos fazendeiros.— Queremos comida, homem. Estamos com fome. — O líder do grupo desoldados invadiu uma barraca e pegou um engradado de galinhas. Diante dovendedor indefeso, atirou a mercadoria para um dos subordinados. — Já queestamos aqui, vamos levar o ouro também.Os soldados começaram a recolher baldes de peixe, cestos de pão, aomesmo tempo que enchiam os bolsos com as moedas das caixas.Um deles reparou na banca de doces e começou a confiscá-los.— Cadê o seu dinheiro, velhota?A sra. Garrity esvaziou o bolso do avental, colocando três moedas de ourona mão dele.
PROJETO REVISORAS
3