Fato Típico - 3
conduta, do fato típico, momento em que basta verificar-se a voluntariedade do agentee o nexo de causalidade entre a conduta e o resultado. A finalidade, o conteúdo da vontade, diz o causalismo, não são temas paraserem abordados no momento da análise da tipicidade do fato. Devem ser estudadosquando se for verificar a culpabilidade, que é a terceira característica do crime.
8.1.2 Teoria finalista
Contra o causalismo levantaram-se críticas importantes, falhas cruciais.Imaginem-se três fatos da vida:
Fato A
: João, voluntariamente, dispara um tiro de revólver contra Márcio,causando-lhe um ferimento na perna direita.
Fato B
: Pedro, voluntariamente, dispara um tiro de revólver contra Paulo,causando-lhe um ferimento na perna direita.
Fato C
: Antônio, voluntariamente, dispara um tiro de revólver contraSérgio, causando-lhe um ferimento na perna direita.Nos três fatos, as três condutas consistem em três ações voluntárias de pressionara tecla do gatilho da arma de fogo, disparando-a em direção a outra pessoa. Asconseqüências das três condutas, os resultados, são absolutamente idênticos nos trêsfatos: lesão do corpo do sujeito passivo.Em qual tipo legal de crime se ajusta cada um dos três fatos? Seriam três “
lesõescorporais
”, dolosas, como definidas no art. 129 do Código Penal? Ou seriam três“
lesões corporais
”, culposas, de que trata o § 6
º
do mesmo art. 129? Ou poderiam ostrês fatos caracterizar-se como três
tentativas de homicídio
?O adepto da teoria causalista não pode, neste momento, responder a essasindagações, porque, segundo ele, não importa, no âmbito do fato típico, o conteúdo da vontade do agente. De conseqüência, só poderá responder quando for analisar aculpabilidade.O primeiro funcionário público encarregado de tomar contato com um fatodefinido como crime é o delegado de polícia, a quem incumbe investigar comoaconteceu, onde, quando, quem foi, como foi, por que foi e, após registrar tudo isto,num documento denominado inquérito policial, o encaminhará ao juiz, que o mandaráao promotor de justiça, cuja missão é, se considerar necessário, pedir ao juiz acondenação do infrator da norma penal.
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