Infanticídio - 3
É delito doloso, devendo a mãe estar consciente de que sua conduta causará amorte do filho e agir com vontade de matá-lo. Além do dolo, deve a mãe estar sob ainfluência do estado puerperal. São dois, portanto, os elementos subjetivos desse tipo decrime. O dolo de matar e a influência do estado puerperal. O dolo é o mesmo do homicídio.Consciência e vontade de realizar o tipo. Possível o dolo eventual, com previsão e aceitaçãodo resultado, mesmo sem o desejar.O segundo elemento subjetivo é a influência do estado puerperal.
Puerpério
é o período de tempo, variável conforme as características de cadaparturiente, compreendido entre o parto e até oito semanas, em que a mulher experimentaprofundas modificações genitais, gerais e psíquicas, com o gradativo retorno ao períodonão gravídico. Inicia-se com a dequitação da placenta. Sofre a mulher diversasmodificações nos aparelhos cardiocirculatório, digestivo e urinário, alterações sangüíneas,da pele e, o que mais interessa aqui, alterações psíquicas. A experiência traumática doparto, com dores, contrações, enorme esforço físico, toda a expectativa da maternidade, oinício da lactação e a presença do recém-nascido, somada à alteração do ritmo do sono,pode trazer para a mãe alterações de natureza psíquica que vão de simples crises de choroaté crises depressivas, seguidas de instabilidade emocional e até mesmo de um quadro depsicose puerperal. É o estado puerperal de que trata o Código Penal.O estado puerperal ou puerpério existe logo após todos os partos, mas, nemsempre, suas conseqüências são tão graves. Assim, não basta que a morte se dê durante oulogo após o parto, em que há o estado puerperal. É indispensável que esse estado afete, demodo grave, a mente da mãe. Para algumas mulheres, o estado puerperal é um verdadeiromartírio e somente quando sua influência afetar seu psiquismo é que se poderá falar eminfanticídio. Mormente quando a gravidez é indesejada, seja por motivo de honra, cada vezmenos freqüente, mas principalmente por motivos de ordem econômica e social, é maiscomum sofrer a gestante a influência do puerpério, tendo seu equilíbrio psicológico afetadode modo importante e levando-a, muitas vezes, a comportamentos desatinados.Nesse estado, a mãe que matar o próprio filho comete infanticídio, apenado comreprimenda mais branda do que aquela cominada ao homicídio.O estado puerperal não é uma doença mental, havendo os que até negam suaexistência. NELSON HUNGRIA, contudo, nos traz importantes lições de especialistas:
“KRAFFT EBING assim se exprime: ‘Ainda que Jörg tenha exagerado..., é,entretanto, inegável que o processo do parto exerce, reflexivamente, uma tão
Leave a Comment